Em julho de 2017 publiquei artigo em que citava cinco acontecimentos que impulsionaram o progresso da Bahia: descoberta do petróleo, em 1939; a constituição da Universidade Federal da Bahia, em 1946;
a inauguração do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, em 1955; a expansão do agronegócio, nos anos 1980; e os investimentos em energia renovável do início do Século XXI. Volto ao assunto para chamar a atençãode algo importante que está ocorrendo e que precisa ser observado com mais acuidade. Trata-se de derivação do primeiro citado, a descoberta do petróleo em 1939 que passa a ter mais importância com a Lei 9.478/97, a nova Lei do Petróleo, que “Dispõe sobre a política energética nacional, as atividades relativas ao monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de Política Energética e a Agência Nacional do Petróleo e dá outras providências”.
Um quarto de século depois começa a aparecer os primeiros resultados da aplicação da quebra do monopólio da Petrobras quando são transferidos para a iniciativa privada as concessões de exploração dos campos de petróleo das Bacias do Recôncavo e Tucano, a privatização da Refinaria de Mataripe e mais recentemente a negociação para a venda da Braskem, a maior petroquímica da América Latina, empresa que nasceu com o Polo Petroquímico de Camaçari. As empresas que estão sendo organizadas para exploração e produção de petróleo e gás natural estão avançando a olhos vistos com investimentos na introdução de novas tecnologias, melhorando resultados e projetando para o futuro dezenas de empresas petrolíferas de grande porte.
O aumento da extração de petróleo e gás natural começa a ser observado em todos os municípios produtores do Nordeste, alguns tendo receita de Royalty superior à do Fundo de Participação dos Municípios. A Refinaria de Mataripe, maior contribuinte de ICMS do Estado da Bahia, está investindo R$ 1,1 bilhão na recuperação de unidades que estavam paradas e a sua produção já superou 300 mil barris por dia (bpd), aproximando-se da sua capacidade nominal de 340 mil bpd. A montagem de um centro de formação de refino privado, o primeiro do país, com 200 pessoas de origem técnica, está sendo feita em convênio com o Senai Cimatec. A Dax Oil, pequena refinaria localizada em Camaçari, que opera processando 4 mil bpd, está sendo ampliada para 12 mil bpd, alimentada por petróleo produzido na Bacia do Recôncavo. Outras três novas refinarias começam a ser construídas, duas na Região Metropolitana de Salvador e uma em Ilhéus.A notícia de que a empresa Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc) se juntou com a gestora americana Apollo para fazer uma proposta de compra de 100% das ações da Braskem, agitou os mercados e criou a expectativa do reforço do capital árabe e norte americano na realização de novos investimentos na região.
Por outro lado, a construção da fábrica de hidrogênio verde da Unigel, que começa a operar este ano com capacidade nominal de 10 mil toneladas por ano (t/a), deverá ser ampliada para 100 mil t/a, com investimento total estimado em US$1,5 bilhão. De início o hidrogênio será usado na fabricação de amônia verde. Posteriormente será comercializado para uso como combustível para geração de calor e eletricidade e matéria-prima. São dezenas de substâncias queusam a amônia como percussora a exemplo do gás de síntese (CO + H2) e do metanol, dando início a cadeia enorme de produtos químicos, acenando para a possibilidade de montagem de complexos industriais integrados. O metanol, para reforçar a citação, usado na transesterificação de óleos vegetais, etapa do processo de manufatura do biodiesel, é 100% importado.
Tudo isso poderá ser visto e discutido na Bahia Oil & Gas Energy que será realizada no Centro de Convenções de Salvador de 24 a 26 deste mês de maio. O visitante deste notável evento terá a oportunidade de percorrer stands, assistir palestras, conversar com representantes das empresas e poder tirar suas conclusões sobre o futuro que terá a Bahia na sua caminhada em busca do desenvolvimento.
Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.) – [email protected]