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AÇÃO DO MPT CONTRA EMPRESÁRIO SAUL KLEIN PEDE R$ 80 MILHÕES

Redação - 20/10/2022 10:00 - Atualizado 20/10/2022

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo ajuizou na terça-feira (18) uma ação civil pública (ACP) contra o empresário Saul Klein após uma investigação apontar a prática de tráfico de pessoas para a submissão a condições análogas às de escravo, com trabalhos de natureza sexual.

Ao g1, o advogado Alan Richard de Carvalho Bettini, responsável pela defesa de Saul, informou que o cliente recebeu, por meio de contato de jornalistas, a informação sobre a existência da ação movida pelo MPT.

“Informa que, até o presente momento, não recebeu qualquer tipo de notificação ou citação sobre a ação pública e não tem conhecimento do teor da referida ação, de modo que se mostra impossível apresentar um posicionamento sobre o tema. Esclarece ainda que, com relação a questões trabalhistas, nas 7 reclamações trabalhistas em que objetivam sua condenação pela prática de atos ilícitos, 5 foram julgadas totalmente improcedentes e 2 ainda estão pendentes de julgamento. Por fim, destaca a existência de processos em que restou demonstrado, não só o fato do Sr. Saul Klein figurar como vítima de um esquema de extorsão, como também que os indivíduos responsáveis utilizaram de diversos meios ilícitos para atingirem seus objetivos, dentre eles a falsificação de documentos e assinatura imputada ao Sr. Saul Klein”, afirma o comunicado.

Segundo o MPT, a investigação teve início em 2020, após o recebimento de denúncias de estupro, tráfico de pessoas e favorecimento à prostituição praticados pelo réu, que manteria uma organização criminosa estruturada e teria prometido trabalho como modelo a jovens e mulheres em vulnerabilidade. “O aliciamento ocorria com a cooptação de jovens na faixa dos 18 anos e adolescentes com 16 ou 17 anos, em situação de vulnerabilidade econômica e social, que eram convidadas a participar de eventos como modelo para fazer ‘presença vip’, tirar fotos para campanhas de biquíni ou panfletagem e em seguida eram inseridas no esquema criminoso que visava à exploração sexual. Diversas mulheres vieram de outros estados e de outras cidades do estado de São Paulo, evidenciando-se o tráfico de pessoas”, escreveu o MPT.

Ainda segundo o órgão, após o suposto aliciamento, as mulheres eram seduzidas e persuadidas a participar de eventos no sítio do réu em Boituva, no interior de São Paulo. Na época, conforme o texto, passavam o fim de semana e recebiam pagamento pelos “serviços sexuais”, que caso se negassem a realizar, eram punidas. “Algumas vítimas relatam que ficavam mais de 24h trancadas num quarto com o réu, e eram dominadas sexualmente a qualquer hora do dia, mesmo enquanto dormiam, sem qualquer chance de resistência física ou moral”, explicou o procurador do Trabalho Gustavo Accioly, que assina a ação juntamente com as procuradoras Tatiana Leal Bivar Simonetti e Christiane Vieira Nogueira.

A investigação concluiu também que depois de inseridas no sítio, as vítimas eram mantidas durante um período sem liberdade. “A Constituição de 1988 tem ojeriza pela cultura do estupro e exalta a dignidade sexual da mulher. É importante deixar claro que a cultura do estupro é considerada um importante pilar da dominação masculina, vinculado a construções de gênero e sexualidade no contexto de sistemas mais amplos de poder masculino e destacam o dano que o estupro faz às mulheres enquanto grupo”, complementa Accioly.

Saul Klein tem 68 anos e é filho de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, que morreu em 2014. A Via, atual proprietária das Casas Bahia, informou que Saul nunca possuiu qualquer vínculo ou relacionamento com a companhia. Saul vendeu sua parte societária em 2009 e só em 2010 a Via assumiu a gestão da rede de lojas. A companhia informou ainda que é uma corporação sem acionista controlador ou bloco de controle definido.

Empresário Saul Klein — Foto: Reprodução/TV Globo

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