Com o fim dos prazos das convenções as alianças formadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão gerando tensões em alguns estados. Em algumas localidades, ambos terão palanques duplos, apoios não recíprocos e tensões entre aliados nos estados. Agora, os candidatos à Presidência se preparam para rodar o Brasil durante a campanha eleitoral. Lula definiu palanques em 25 estados e no Distrito Federal até o momento; Bolsonaro, em 24 e no Distrito Federal.
Os também presidenciáveis Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), por sua vez, enfrentam um cenário de isolamento, com dissidências em favor de Lula e Bolsonaro ou neutralidade entre parte dos candidatos a governador de seus próprios partidos e de siglas aliadas. Quando o assunto é palanque próprio, Lula lidera com 13 candidaturas. Em seguida, há um empate entre Bolsonaro e Ciro. Cada um terá 12. Simone Tebet terá apenas três nomes da própria legenda trabalhando por sua eleição.
O PL, partido de Bolsonaro, concorre aos governos em 14 dos 26 estados. Em outros 7 e no Distrito Federal, o presidente subirá em palanques de partidos de fora do seu arco de alianças, como União Brasil, PSD, MDB e até o Solidariedade, aliado a Lula. A busca por parcerias com outras legendas deu certo em estados como Paraná, com apoio à reeleição do governador Ratinho Júnior (PSD), ou Amazonas, Mato Grosso e Ceará, três estados onde o presidente apoiará candidatos da União Brasil.
Por outro lado, a estratégia não funcionou em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Bolsonaro não conseguiu chegar a um acordo com o governador Romeu Zema (Novo) e lançou a candidatura do senador Carlos Viana (PL) para ter um palanque no estado. O ex-presidente Lula, por sua vez, encerrou o prazo final das convenções se dedicando a apagar incêndios entre partidos aliados, sobretudo PT e PSB. Os dois maiores partidos da coligação não conseguiram chegar a acordos no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, na Paraíba e no Acre.
No Rio, o deputado federal Alessandro Molon (PSB) manteve sua candidatura ao Senado a despeito dos apelos do partido, que prometeu fechar as torneiras do fundo eleitoral para sua campanha. Ele vai para o embate direto com o deputado estadual André Ceciliano (PT). As rusgas respingaram no apoio à candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao governo fluminense. O PT local tenta construir pontes com candidatos de outras alianças, como Rodrigo Neves (PDT) e até com o governador Cláudio Castro (PL).