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PROFESSORES DA UNEB, UEFS, UESB E UESC FAZEM PARALISAÇÃO

Redação - 01/06/2022 09:40 - Atualizado 01/06/2022

Professores das quatro universidades estaduais da Bahia realizaram uma paralisação de 24 horas. A categoria pede um reajuste salarial e mais investimento nas instituições. O movimento impactou cerca de 50 mil estudantes de 280 graduação e 180 de pós-graduação. No período da manhã aconteceram atos locais em Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Jequié, Itapetinga e Ilhéus. No período da tarde, representantes das Associações Docentes solicitaram, formalmente, pela décima vez, a reabertura do diálogo interrompido pelo Governo do Estado, que, segundo a categoria, está há mais de 800 dias com a mesa de negociação com o movimento docente interrompida.

As universidades enviaram um outro documento para o governo na semana passada, mas não obtiveram retorno. A mesa foi um acordo de greve pactuando entre professores e Governo do Estado na greve de 2018. Durante as atividades de mobilização da manhã, os professores realizaram aulas públicas nos portões das universidades, panfletagens na porta das universidades e vias públicas. Já no período da tarde foi protocolado um novo documento na Secretaria de Educação pelas Associações Docentes que reiteraram o pedido de reabertura de diálogo.

Segundo os professores, apesar do governo afirmar em notas à imprensa que investiu no ensino superior baiano, a realidade e os números mostram que o investimento ainda está bem abaixo do necessário. “Analisando os números públicos no Portal da Transparência do próprio governo, fizemos uma análise minuciosa com especialistas sobre o crescimento da Receita Líquida de Impostos da Bahia (R.L.I.). Em apenas um ano houve um aumento de 26%. Hoje, o que o governo entrega para as universidades é apenas 5% da R.L.I. e, nos últimos anos, nem isso porque o valor orçado não tem sido o valor executado. Isso é muito pouco diante a relevância das nossas universidades estaduais nos seus territórios e o bom estado financeiro da Bahia”, afirma Alexandre Galvão, professor e presidente da Associação dos Docentes (Adusb) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

Os docentes também afirmam que após 7 anos de espera, o Governo do Estado aplicou um reajuste para a categoria abaixo da inflação do ano de 2021. Com salários congelados desde 2015, eles alegam que quase metade do salário foi corroído pela inflação nos últimos anos, por isso que eles lutam, hoje, por um reajuste salarial que, de fato, recomponha as perdas e a inflação. As Associações Docentes afirmam que não excluem a possibilidade de uma greve caso a postura do governo não mude. “Estamos tentando o diálogo de todas as formas possíveis. A nossa categoria e as universidades estão insatisfeitas com a postura do governador. Caso isso não mude, o governo não nos deixará nenhuma outra alternativa, a não ser a greve”, demarcou Galvão.

O governo estadual alega, no entanto, que mesmo diante do cenário de crise econômica instalada no país nos últimos anos, a Bahia se manteve entre os estados que mais investiram em educação superior e que grande parte desse investimento garantiu melhorias na qualificação dos seus cursos de nível superior, com reflexo na valorização dos professores universitários. O secretário da Administração do Estado (Saeb), Edelvino Góes, afirma, como exemplo, que o número de professores com dedicação exclusiva cresceu de forma significativa ao longo dos últimos anos nas instituições estaduais de ensino superior, saindo de 1.569 em dezembro de 2006 para 2.666 em março de 2022.

Com relação ao reajuste salarial, o secretário explica que os professores das universidades estaduais tiveram ganhos superiores aos de outros servidores, oscilando entre 7,09% e 9,79%, já que além do reajuste de 4% concedido em janeiro, os professores estiveram entre as categorias contempladas no mês de março com um acréscimo de R$ 300 aos seus vencimentos básicos.A Saeb destacou ainda que existe uma ampliação constante do orçamento das universidades estaduais. De acordo com a Secretaria de Planejamento (Seplan), em valores históricos, o total orçado nessas instituições passou de R$ 1,190 bilhão, em 2015, para R$ 1,766 bilhão, em 2022, correspondendo a um crescimento de 48,4%. Sendo que, como aponta a Saeb, a oferta de cursos e atividades também expandiu-se neste período.

Foto: Ana Lúcia Albuquerque/CORREIO )

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