ELEIÇÃO DO CONSELHO DA PETROBRÁS DIMINUI PODER DO GOVERNO NA ESTATAL

ELEIÇÃO DO CONSELHO DA PETROBRÁS DIMINUI PODER DO GOVERNO NA ESTATAL

Depois de uma conturbada votação com erros no somatório de votos, os acionistas minoritários da Petrobras conseguiram ampliar sua presença no Conselho  de  Administração da petroleira. O total de assentos dos representantes dos fundos de investimentos passou dos atuais três para quatro. Com isso, a União viu cair de sete para seis o os seus representantes no colegiado.

Entre os indicados pela União, os acionistas elegeram José Mauro Ferreira Coelho, ex-secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), como membro do Conselho de Administração da estatal. Ele foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir o comando da estatal. Com o aval da Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária, que aconteceu de forma virtual nesta quarta-feira, ele será nomeado nesta quinta-feira pelo novo conselho como presidente da Petrobras.

Coelho vai assumir a empresa no lugar de Joaquim Silva e Luna, demitido por Bolsonaro por causa dos aumentos nos preços dos combustíveis. Atualmente, o Conselho de Administração da Petrobras é formado por 11 cadeiras. Pelas regras da estatal, há três votações em separado para eleger os conselheiros. Os acionistas com papéis preferenciais têm direito a um assento e os detentores de ações ordinárias têm outro.

Neste sistema de voto em separado, o atual conselheiro Marcelo Mesquita foi reeleito representante dos preferencialistas. Francisco Petros, que já foi conselheiro da estatal, vai representar os ordinaristas. O mandato dos dois vai até 2024. Os funcionários elegem um representante no conselho. As oito vagas restantes são escolhidas pelo chamado sistema de voto múltiplo ou em conjunto. O acionista com mais de 5% das ações tem o direito, segundo a lei, de pedir o uso desse mecanismo.

Nesse caso, a União indicou oito nomes e os minoritários, dois nomes adicionais, ainda antes da assembleia. Durante a reunião, os fundos de investimentos indicaram mais dois nomes. Assim, foram eleitos os que tiverem mais votos absolutos, o que levou o governo a perder uma das sete cadeiras que tinha até ontem.

Pelo sistema de voto múltiplo, José Abdalla Filho e Marcelo Gasparino, indicados pelos acionistas minoritários, foram eleitos conselheiros. Gasparino, atual membro do conselho, e Abdalla já havia tentado no passado sem sucesso. Entre os indicados pela União, os acionistas elegeram José Mauro Ferreira Coelho (que será confirmado presidente da estatal pelo novo conselho nesta quinta-feira), Márcio Andrade Weber (indicado pelo governo para presidir o conselho após  Rodolfo Landim, presidente do Clube de Regatas do Flamengo, ter desistido), Sonia Julia Sulzbeck Villalobos, Murilo Marroquim de Souza, Luiz Henrique Caroli e Ruy Flaks Schneider.

A votação chegou a ser interrompida entre 18h30 e 22h10. Como foi verificado erro no cálculo do número mínimo de votos para eleger os novos conselheiros, a votação precisou ser refeita. O piso mínimo de votos  para a eleição dos conselheiros foi alterado duas vezes, passando de 4,746 bilhões para 5,031 bilhões, número que foi atualizado para 5,193 bilhões. O presidente da Assembleia, Francisco Augusto da Costa e Silva, tentou acalmar os ânimos e rejeitou a hipótese de fraude na contagem de votos:

– Está dando problema no somatório dos votos. Estão tentando computar os votos manualmente. A contagem não está sendo manipulada, como insinuam alguns acionistas. Fazer essa ilação é uma irresponsabilidade.  É um erro técnico. Há esforço insano para tentar identificar o erro.

Antes de a Assembleia comerçar, já havia outra polêmica no ar.  Na parte da manhã, ganharam espaço rumores de que a União pretendia retirar da pauta de votação  temas relacionados a mudanças no estatuto social da companhia, que tinha como objetivo de continuar blindando a estatal de mal feitos por parte de acionistas e executivos.

Durante a Assembleia, o o Ministério de Minas e Energia confirmou que determinou a suspensão de uma proposta de mudança no estatuto, em nota, confirmou  retirada, gerando mal estar “virtual” entre os presentes. Sempre quando algum acionista abria o microfone para fazer alguma ponderação era possível ouvir os toques dos aplicativos de mensagens de texto como WhatsApp e Telegram.

Foto: divulgação