

O economista e consultor Adriano Pires comunicou nesta manhã ao Palácio do Planalto que desistiu de ocupar a presidência da Petrobras. Adriano havia sido indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo na semana passada, para substituir o general Joaquim da Silva e Luna. Os motivos que fizeram Pires renunciar ao posto são os mesmos que levaram Rodolfo Landim a comunicar, no domingo (4), que renunciava à indicação para a presidência do conselho da companhia: os conflitos de interesse que ele enfrentaria na Petrobras.
Entre os clientes de Pires está a associação do setor (Abegás), a Compass, concessionária de gás do empresário Rubens Ometto, e diversas outras empresas do setor. No ano passado, ele trabalhou no Congresso pela aprovação da lei do gás, com artigos que eram do interesse das distribuidoras.
Nos últimos dias, o economista vem sendo pressionado a revelar quem são seus clientes, mas não o fez. Embora argumente que não pode dar declarações à imprensa por estar em período de silêncio, todo o mercado sabe (e ele mesmo não esconde) para quem ele trabalhou nos últimos anos. Na quarta-feira passada, os relatórios da Diretoria de Governança e Conformidade da Petrobras sobre o histórico de Pires e de Landim foram apresentados ao ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, e a técnicos da Corregedoria-Geral da União.
Eles ficaram assustados com o que leram. Segundo apontaram os documentos, os dois teriam dificuldades em passar pelos critérios do comitê interno que vai avaliar se eles têm ou não condições de ocupar os postos para os quais foram indicados. O comitê se reúne amanhã para analisar o relatório e preparar um parecer a ser enviado aos acionistas que vão deliberar no dia 13 sobre as indicações.
Nesse parecer, o comitê precisa resumir as conclusões das investigações, conhecidas internamente como “Background Check de Integridade”, ou BCI. Segundo pessoas que tomaram conhecimento do relatório de integridade sobre Pires, a conclusão principal é que, no comando da empresa, ele enfrentaria “conflitos demais”.
Não há estimativa formal dos valores envolvidos, mas fontes familiarizadas com as questões em discussão estimam que não serão menores do que R$ 1 bilhão e podem chegar a até R$ 8 bilhões. Depois que Pires foi indicado, acionistas minoritários passaram a se articular para indicar mais conselheiros e o Ministério Público no Tribunal de Contas da União entrou com uma representação propondo que Pires não assumisse o comando da companhia antes de uma investigação sobre os conflitos.
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