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ADARY OLIVEIRA – A INDÚSTRIA QUÍMICA E O DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL

Redação - 14/03/2022 09:13

A Bahia tem procurado avançar no desenvolvimento econômico e social através da sua industrialização e a transformação de matérias-primas naturais encontradas em seu território sempre foi um ponto de partida para muitos empreendedores. A primeira iniciativa ligada à produção de combustíveis de origem mineral no estado data de 1889, quando foi instalada a fábrica John Grant & Co. em Maraú, com a razão social de Cia. Internacional de Marahú, para fabricar querosene, velas de parafina e sabão, utilizando como matéria-prima a turfa de Maraú, conhecida com a designação de marauito. O complexo industrial contava com uma fábrica de ácido sulfúrico, a terceira instalada no Brasil, e funcionou de 1889 a 1893.

Essa narrativa encontra-se no excelente trabalho “A Indústria Química e o Desenvolvimento do Brasil 1500-1889” elaborado por Ernesto Carrara Jr. eHélio Meireles, ambos engenheiros químicos e meus colegas de profissão. Tive a honra de conviver com eles por mais de cinco anos quando representava o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de 1979 a 1984, no Grupo Setorial III – Indústrias Químicas, Petroquímicas e Farmacêuticas (GS III) no antigo Conselho de Desenvolvimento Industrial (CDI), órgão responsável pela formulação da política industrial no Brasil.Tal período coincidiu com a época da implantação dos Polos Petroquímicos de Camaçari e Triunfo, e do Polo Cloroquímico de Alagoas. Carrara e Hélio não só dispunham de um farto material como também eram protagonistas da história da indústria química, petroquímica e farmacêutica brasileiras.

O trabalho, prefaciado pelo ex-ministro Hélio Beltrão, é composto de dois tomos, quatro capítulos, 968 páginas e foi patrocinado por várias empresas atuantes no setor químico brasileiro. Oferece uma visão ampla da evolução da Química no mundo ao longo dos séculos, permeando considerações filosóficas, artísticas, da ciência e da indústria. Ele resgata histórias dos três séculos que o Brasil permaneceu como colônia de Portugal com duras limitações à industrialização, que muito influíram na sua defasagem tecnológica. Descreve acontecimentos do Império e da República, constituindo-se em primoroso registro de nossa história industrial.

Neste ano em que estamos mergulhados numa eleição dos principais governantes do país, é sempre bom recomendar a sua leitura e eventual consulta, inclusive mostrando como a escolha de uma política de substituição de importações, orientadora na identificação das prioridades nacionais, gerou uma série de programas setoriais entre os quais o Siderúrgico Nacional, de Metais não Ferrosos, de Celulose e Papel, de Bens de Capital e o da Petroquímica.

Gosto sempre de lembrar, como fiz ao escrever meu livro sobre o Polo Petroquímico, que a história da indústria química é contada a partir da fusão de metais e da fabricação das primeiras ligas metálicas, usadas na produção de ferramentas agrícolas; a fiação e fabricação dos primeiros tecidos, com as cores dos pigmentos naturais, usados na fabricação de roupas; o preparo do couro, curtido com substâncias químicas extraídas da natureza; os alimentos produzidos a partir da fermentação e os primeiros medicamentos extraídos de plantas; os sabões obtidos a partir da lixívia para a limpeza de objetos pessoais e asseio corporal; a fabricação da pólvora, como primeiro explosivo bélico; enfim, a humanidade, em toda a sua história, encontrou na química e na transformação química um meio de satisfazer suas necessidades básicas e todas elas são precursoras da indústria química como é conhecida nos dias atuais.

A história da industrialização da Bahia, com o xisto de Maraú, a descoberta do petróleo, a instalação da primeira refinaria, a fábrica de fertilizantes nitrogenados e o Polo Petroquímico, está estreitamente relacionada com a indústria química e vale a pena fazer esses registros aqui nesta coluna.

Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.) – [email protected]

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