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ENTREVISTA COM O CEO DO GRUPO MATER DEI, HENRIQUE SALVADOR

Redação - 14/02/2022 06:00 - Atualizado 14/02/2022

Por: João Paulo Almeida

Bahia Econômica –  O Hospital Mater Dei informou a compra de um hospital da rede EMEC, localizado em Feira de Santana, o segundo município mais populoso da Bahia. Quais os projetos da rede para o hospital?

Dr. Henrique Salvador – O EMEC é o principal hospital de Feira de Santana, um hospital geral com um corpo clínico muito diferenciado e relevante para a cidade e região. Feira de Santana é uma cidade com quase 700 mil habitantes e que está em um entroncamento rodoviário. Portanto, pela facilidade de acesso à cidade, ela se encontra em uma área de influência muito maior do que ela própria. Assim, queremos que o EMEC seja cada vez mais uma referência para essa população de Feira de Santana e para o entorno. A nossa ideia é investir no hospital para que ele seja de alta complexidade, com multiespecialidades, com muita tecnologia embarcada e, na medida do possível, promover um crescimento de leitos.

Bahia Econômica –  A rede avalia a compra ou investimentos em novas unidades na Bahia?

Dr. Henrique Salvador – Acreditamos que a Bahia é muito importante, por isso trouxemos para o estado um projeto Greenfield, construído do zero: o Mater Dei Salvador. E este foi o primeiro movimento que a Rede Mater Dei fez fora de Minas Gerais, porque acreditamos muito no potencial e na localização estratégica que a Bahia tem, sendo a porta de entrada do Nordeste. Portanto, avaliamos que existem sim outras oportunidades no estado.

Bahia Econômica –  Por que a escolha pelo interior da Bahia. Quais foram os critérios adotados?

Dr. Henrique Salvador- Nós escolhemos um hospital na segunda cidade do estado, a 100km de Salvador, cidade em que iremos inaugurar uma nova unidade da Rede Mater Dei, em 1º de maio – um hospital completo, com várias especialidades, bem localizado e com um projeto moderno, e a ideia é que tenhamos uma grande sinergia entre Mater Dei Salvador e EMEC. Então, avaliamos Feira de Santana como uma cidade do interior, com características diferenciadas e estrategicamente bem localizada.

Bahia Econômica –  Grandes grupos do sul e sudeste estão comprando hospitais e clínica na Bahia. Num movimento de expansão jamais visto. A que o senhor atribui esse movimento?

Dr. Henrique Salvador – Durante alguns anos, deixou-se de investir em hospitais e equipamentos hospitalares em Salvador. Esses grupos perceberam a importância estratégica e a localização geográfica da Bahia. Acredito que o movimento esteja relacionado a este cenário. Além disso, existiam oportunidades de expansão, inclusive, optamos por fazer uma expansão orgânica, construindo um novo hospital em Salvador, porque identificamos algumas características importantes: primeiro que não existia na capital um hospital com as características que os hospitais da Rede Mater Dei de Belo Horizonte e de Betim-Contagem têm; segundo, porque identificamos uma localização muito estratégica para este empreendimento e, por último, porque muitas operadoras parceiras demandavam a ida da Rede Mater Dei para o estado da Bahia. Acredito que este conjunto de fatores fez com que a Bahia se tornasse um estado bastante atrativo neste momento.

Bahia Econômica –  Esse movimento pode desestruturar a economia de saúde do estado no sentido de criar monopólios, ou deixar a saúde sendo controlada por poucos grupos?

Dr. Henrique Salvador – Acredito que não. Vejo que a chegada destes grupos em Salvador irá gerar melhorias dos serviços de saúde para a população, porque essa competição entre grandes grupos nacionais acabam gerando esse movimento virtuoso e, então, é a população que irá se beneficiar. Acredito também que estas mudanças irão influenciar na maior profissionalização da gestão na área da saúde. Portanto, no final das contas, serão quatro ou cinco grupos que irão operar hospitais privados na Bahia e que podem contribuir na melhoria da saúde das pessoas, sem esquecermos que ainda existem os hospitais filantrópicos, porque a Bahia sempre contou com bons hospitais filantrópicos, que também atendem à população privada.

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