Em processo de reformulação para lidar com a realidade da Série C, o Vitória enfrenta outro duro golpe que poderá comprometer o clube ainda mais a longo prazo. Por conta de uma dívida, o Leão da Barra foi punido pela Fifa e não poderá registrar novos jogadores até 2023. A única possibilidade para reverter a pena, seria quitando o valor pendente com o Boca Júniors e o atacante argentino Walter Bou, que atuou no Rubro-Negro em 2018. Em coletiva realizada nesta quinta-feira, 16, o presidente em exercício, Fábio Mota, falou sobre como pretende resolver a situação.
“Tem um dinheiro para entrar de Diego Rosa. É com esse dinheiro que a gente está planejando pagar o Boca ou pagar Walter Bou […] Só que a gente não sabe quando é que entra esse recurso. Nosso departamento jurídico vem conversando, são valores que são altos, a gente depende de vender algum jogador para tentar solucionar isso”, explicou o gestor. A punição sofrida pelo clube baiano é referente ao acordo com o jogador, enquanto a relação entre as agremiações ainda tramita na Fifa. A pendência do Vitória com Bou gira em torno de R$ 1 milhão e a dívida com o time argentino seria cerca de R$ 1,7 milhões.
Por conta disso, o Rubro-Negro tem corrido contra o tempo para contratar novos atletas para a disputa da temporada 2022. Isso porque, a pena aplicada pela Fifa passará a valer a partir desta sexta-feira, 17, data limite para o Vitória registrar novos jogadores. Até o momento, já foram 10 contratações anunciadas, sendo que o presidente Fábio Mota revelou que mais dois atletas chegarão na Toca do Leão. Além disso, ainda tem a situação do meia Jadson, que rescindiu com o Avaí e deve pintar no Vitória.
Situação de Wallace
Enquanto não resolve o impasse jurídico, o Vitória tenta lidar com aquilo que ele possui em mãos no momento. Um desses casos é o do ídolo e capitão do time, Wallace. O experiente zagueiro tem contrato com o clube até 2023, mas o salário do jogador está acima da realidade do Leão para a Série C. Questionado sobre o caso, Fábio Mota afirmou que o Rubro-Negro tem interesse em contar com o jogador. No entanto, seria necessário alguma ajuda financeira ou de patrocínio para que o defensor permaneça no clube.
“É o seguinte: se a gente encontrar um patrocinador… Bora lá. Você vai perguntar: ‘Wallace interessa ao clube?’. Sim, interessa. Se a gente encontrar um patrocinador que ele use a marca no boné, a marca na camisa, que pague o salário dele, sim. Se não, a gente vai tentar ver que forma a gente vai fazer essa solução […] Hoje, nesse exato momento, o Vitória não tem como pagar o salário de Wallace”, revelou Mota.
Uniformes vazados
Outra polêmica que tomou conta da semana rubro-negra aconteceu justamente nesta quarta-feira. As camisa que seriam lançadas em janeiro para a temporada 2022 vazaram no site da loja Nêgo, marca que pertence ao Vitória. Por conta do ocorrido, o Leão antecipou a venda dos uniformes na internet e nas lojas físicas do clube. No entanto, Fábio Mota garantiu que o contrato do Vitória com a Bomache, empresa que fornece as camisas, será amigavelmente rescindido.
“Estamos até no máximo segunda-feira fazendo, de forma amigável, a rescisão de nosso contrato com a Bomache. A marca Nego é do Vitória. A Bomache tem direitos de produzir essa camisa. Essa camisa estava pronta e autorizada. Discordamos de uma série de coisa, mas não quero entrar em detalhes. Estamos rescindindo o contrato com a Bomache, vamos marcar uma coletiva para anunciar a nova empresa que vai fabricar a marca Nego para o Vitória”, explicou.
Patrocínio com a Unirb
Também nesta quinta-feira, 17, o Vitória anunciou patrocínio com a Unirb. O contrato entre o clube e a instituição de ensino tem duração de um ano, sendo que os primeiros seis meses seriam uma fase de “aceitação” do público rubro-negro. Sobre a relação e benefícios que o acordo trará para o Leão da Barra, Fábio Mota explicou que existe um projeto de formação acadêmica, destinado tanto para o clube, quanto para os torcedores, através de benefícios em mensalidades na instituição de ensino superior.
“Estamos em buscar de modernizar o conceito de relacionamento do futebol com o patrocinador. O projeto Unirb é um projeto de formação. Todo relacionamento que nos propomos a fazer tem como resultado a formação. Quando temos um clube como o Vitória que se associa ao projeto para buscar a formação para os seus torcedores, buscar a formação para os seus atletas e para sua equipe gerencial e administrativa, nos sentimos confortáveis. Nossa proposta está toda focada no relacionamento de formação, melhorar a qualidade. Um dos objetivos é abrir as portas para os torcedores do Vitória que busquem a formação. Dentro desse contexto, desejamos que aquele aluno que se matricule em qualquer das unidades do Unirb, que seja sócio-torcedor do Vitória, que ele seja também contribuinte na formação do patrimônio do clube. Um percentual dessa mensalidade também estará revertida para o clube como uma maneira de a gente interagir e ajudar a construir a realidade financeira do Vitória”, afirmou.
Desde 2018, a Unirb passou a contar também com um clube profissional de futebol. Na temporada passada, inclusive, a agremiação passou a figurar na elite do futebol baiano. A respeito da possibilidade de haver um acordo entre nesse sentido, Fábio Mota não descartou a possibilidade de um clube ajudar o outro. “Quando se estabelece um relacionamento como esse, é natural que existam interesse. Aí já estamos falando de agremiação, não de instituição de ensino, porque quem está patrocinando é a instituição de ensino, quando se fala de duas agremiações no futebol, é natural que aquilo que for do interesse momentâneo dos clubes a gente trabalhar. É natural que essa relação aconteça. Se revelarmos jogadores e tivermos uma série, que seja interessante, pode ser trabalhado. E vice-versa”, concluiu.
Foto: divulgação