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PESQUISADORA DA UFBA É PREMIADA AO MOSTRAR COMO POLUENTES

Redação - 06/10/2021 07:17 - Atualizado 01/11/2021

Os meses no frio polar passados pela professora Ana Cecília Albergaria-Barbosa, de Oceanografia na Ufba, foram reconhecidos: a pesquisadora estuda a presença de poluentes, oriundos de países tropicais, na Antártida – também conhecida como Antártica. Ana Cecília foi uma das sete vencedoras do programa “Para Mulheres na Ciência”, promovido por L’Oréal, Unesco e Academia Brasileira de Ciências. Com isso, ganha uma bolsa-auxílio de R$ 50 mil para dar prosseguimento aos seus estudos.

Como dito, a pesquisa avalia a presença de substâncias químicas tóxicas emitidas pela atividade humana na Antártida. Essas substâncias estão presentes em coisas de nosso dia-a-dia: o perfume que passamos para não fazer feio no buzu ou em um encontro; ou mesmo o protetor solar que utilizamos para nos proteger da ‘lua’ tropical num dia de praia. Antes da pandemia de covid-19, ela viajou por cerca de dois meses ao local do estudo, mais especificamente nas regiões conhecidas como Estreito de Bransfield e Baía do Almirantado – onde fica a estação de pesquisa brasileira no continente – para coletar amostras de sedimentos e materiais que ficam suspensos na água.

“Sabemos que há resistência à presença feminina em diversos setores. Nosso espaço é muito pequeno. Estou num departamento dominado por homens. (…) Projetos assim são importantes para incentivar mulheres a continuar”, disse a professora antes da premiação, que aconteceu no Rio de Janeiro. De volta ao seu laboratório em Salvador, e já com a bolsa, ela vai analisar as amostras em busca de três tipos de poluentes: hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, poluentes orgânicos persistentes e contaminantes emergentes.

Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos são compostos formados por hidrogênio e carbono, produzidos na queima de carvão ou florestas, além de derramamentos de petróleo no mar. Já os poluentes orgânicos persistentes são substâncias introduzidas pelo homem na natureza, como é o caso de pesticidas como o DDT. Todos esses compostos são tóxicos e de difícil degradação no meio ambiente. Eles podem ter impacto sobre a vida de animais marinhos, como os corais. De acordo com Ana Cecília, as substâncias encontradas durante sua pesquisa eram em pouca quantidade, mas seu trabalho é importante para mostrar como elas podem se deslocar no próprio meio ambiente e gerar problemas a longo prazo.

“Todas essas substâncias podem chegar até a Antártica por alguns caminhos diferentes. Uma possibilidade é chegar por via atmosférica. Compostos voláteis usados em regiões tropicais, de clima quente, atingem camadas bem altas da atmosfera, viajam pelo planeta e, depois, se depositam em lugares mais frios, como a Antártica”, explicou. A pesquisadora também conta que uma outra forma dos poluentes se espalharem é por animais como baleias e aves, que migram de regiões tropicais para os polos.

Segundo ela, a presença desses poluentes em um lugar tão remoto como o continente gelado serve de alerta sobre o amplo impacto que as atividades humanas têm sobre o planeta. “Fica claro que as atividades que ocorrem na Bahia, em São Paulo, no Rio de Janeiro têm impacto na Antártica. Precisamos repensar nossos hábitos e formas de reduzir essa contaminação”.

Foto: divulgação

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