JOSÉ MACIEL- SELOS VERDES E OUTRAS INICIATIVAS NO CACAU

JOSÉ MACIEL- SELOS VERDES E OUTRAS INICIATIVAS NO CACAU

Após o duro golpe desferido pela Vassoura-de-Bruxa no final dos anos 1980, o cacau começa a ser palco de iniciativas que podem se revelar importantes na trajetória de sua recuperação sustentada, calcada em em novo arranjo institucional para gerar novas tecnologias, novos patamares de produtividade da terra, selos verdes que atestem sua qualidade e sustentabilidade ambiental e social, pagamento por serviços ambientais e expansão em novas áreas não tradicionais, dentre outras possibilidades.

Sem preocupações de elencar as iniciativas por ordem cronológica, a primeira que vem à mente é a aprovação recente de projeto de lei no Senado que cria e concede selos verdes ao cacau produzido na região da mata atlântica sob o sistema “cabruca”, que conserva ´parte da mata nativa destinada a sombrear os cacaueiros, e ao cacau que conserva parte da mata natural no bioma Amazônia. O projeto, de autoria do deputado baiano Felix Mendonça Júnior, começou a tramitar na Câmara Federal em 2013 e foi aprovado recentemente no Senado, está voltando para a Câmara Federal para apreciação final, pois houve mudanças no Senado. Além de dar um upgrade comercial aos produtores , com melhores preços e acesso a novos mercados, a matéria pode ajudar a impulsionar o turismo nas regiões de sua incidência geográfica.

Outra notícia promissora diz respeito às experiências em escala comercial de sistemas de produção que permitem alcançar elevadas produtividades da terra no patamar de algo em torno de 200 arrobas por hectare, algo impensável na época pré-vassoura-de-bruxa, já havendo produtores pensando em ultrapassar este patamar para marcas de até 500 arrobas por hectare. Tais iniciativas de produtores vêm contando com assistência de técnicos da CEPLAC. Tudo isso tem de ser aplaudido e reconhecido, ainda mais no contexto já mencionado, de uma CEPLAC esvaziada.

Para apoiar e fortalecer esses e outros desenvolvimentos tecnológicos, a Ministra Tereza Cristina anunciou recentemente a criação de parceria entre EMBRAPA e CEPLAC, criando a Unidade Mista Pesquisa e inovação (UMIPI), sediada em Ilhéus-Itabuna, que pode dar novo fôlego às pesquisas com cacau , unindo e otimizando esforços e recursos desses dois órgãos, instalações , laboratórios e recursos humanos, inclusive os da Embrapa , que tem um universo expressivo de pesquisadores (em termos quantitativos e qualitativos) com níveis de mestrado e doutorado.

Ainda no plano de novas iniciativas no cacau, têm sido constatadas importantes e crescentes experiências com plantio comercial de cacau em áreas irrigadas da Bahia(Juazeiro-Petrolina, projeto Formoso , Barreiras Norte ) e municípios do Oeste baiano, como Riachão das Neves, com perspectivas alvissareiras , em novas bases tecnológicas (incluindo irrigação) e produtividades em torno de 200 arrobas por hectare. Tais iniciativas podem ser observadas também em outros Estados, como Pernambuco e Ceará.

No ensejo dessas experiências, cabe citar estudos do renomado Professor da USP Marcos Fava Neves e outros pesquisadores a ele associados, que atestam a plena viabilidade econômica da ´produção de cacau nessas novas áreas não tradicionais, constatando-se Taxas Internas De Retorno do investimento de até 16%.

Enfim, a conjunção desses fatores e constatações pode nos dar esperanças de melhores tempos na produção de cacau na Bahia e no Brasil, permitindo reconquistar o cenário de autossuficiência no abastecimento interno de amêndoas e da retomada da forte posição exportadora de nosso país.

 

(1) Consultor Legislativo e doutor em Economia pela USP . E-mail: jose.macielsantos@hotmail.com