Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acelerou para 1,14% na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Em maio, o índice havia sido de 0,37%, informou nesta sexta-feira (25) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o resultado mais alto para um mês de junho, na RMS, desde o início da série histórica regional para o indicador, no ano 2000. Foi também o segundo mais alto do país, abaixo apenas do registrado na Região Metropolitana de Porto Alegre/RS, de 1,18%
No acumulado no primeiro semestre deste ano, o IPCA-15 da RM Salvador está em 4,08%. É a maior prévia da inflação para um primeiro semestre na Região Metropolitana em cinco anos, desde junho de 2016, quando o índice havia ficado em 5,21%. Já nos 12 meses encerrados em junho, o índice acumula alta de 7,66% na RM Salvador. Segue acelerando frente aos 12 meses encerrados em maio (6,49%), mas ainda se mantém menor que o indicador nacional (8,13%) e é o 4o mais baixo entre as áreas pesquisadas separadamente.
Segundo o IBGE, o resultado do IPCA-15 de junho na RMS foi influenciado pelos aumentos nos preços médios de oito dos nove grupos de produtos e serviços que formam o índice. Com a maior alta, o grupo transporte (3,33%) exerceu a principal pressão inflacionária na prévia do mês. Foi puxado pela alta dos combustíveis (8,35%). A gasolina (8,29%) voltou a aumentar fortemente e foi o item que, sozinho, mais puxou o custo médio de vida para cima, na RM Salvador. Em 12 meses, a alta da gasolina chega a 53,09%. O etanol (12,1%) também teve peso importante na aceleração da prévia da inflação em junho, registrando o maior aumento médio entre todos os produtos e serviços investigados para formar o IPCA-15.
Os preços do grupo habitação (2,11%) tiveram o segundo maior aumento, na prévia de junho, na RMS, e exerceram a segunda principal pressão inflacionária na primeira quinzena do mês. Mais uma vez, foram puxados fortemente pelo aumento da energia elétrica (5,91%), que teve a segunda alta seguida e também a segunda maior contribuição individual para a aceleração do custo de vida na RM Salvador, segundo o IPCA-15. O aumento da energia elétrica se deu, sobretudo, devido à mudança na bandeira tarifária, de vermelha patamar 1 (R$ 4,169 a mais para cada 100 kWh consumidos) para vermelha patamar 2 (R$ 6,243 a mais). Isso ocorreu em razão da crise hídrica, que tem exigido o acionamento das termoelétricas, de energia mais cara.
Os alimentos (0,58%) tiveram uma leve desaceleração de preços no IPCA-15 de junho na RMS (haviam aumentado 0,61% em maio). Ainda assim ficaram com a terceira maior contribuição no índice do mês. Alguns produtos chegaram a ter importantes deflações, caso da cebola (-10,99%), que mais contribuiu para segurar a prévia da inflação de junho; da batata-inglesa (-9,77%); e do arroz (-2,74%). Por outro lado, as altas das carnes em geral (1,47%) e das aves e ovos (3,31%), entre outras, seguiram pressionando o custo de vida para cima.
Na primeira quinzena de junho, apenas o grupo saúde e cuidados pessoais (-0,13%) teve deflação, puxado por reduções em medicamentos como aqueles contra pressão e colesterol altos (-2,34%) e analgésicos e antitérmicos (-2,71%).
O IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial do mês, refletindo os preços coletados entre 14 de maio e 14 de junho. No Brasil como um todo, o índice de junho ficou em 0,83% (veja aqui).
Foto: Agência Brasil