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LUCRO DAS INCORPORADORAS DESPENCA NO TRIMESTRE

Redação - 15/06/2021 13:45 - Atualizado 15/06/2021

As incorporadoras brasileiras tiveram uma queda no lucro líquido de 49,7% entre o último trimestre do ano passado e o primeiro deste ano, segundo levantamento feito pela Economatica com 24 empresas. O tombo acontece após três trimestres de resultados positivos. A receita líquida operacional — o que as empresas receberam pela venda dos seus produtos —, por sua vez, caiu 12,6% entre o quarto trimestre de 2020 e o primeiro de 2021, o que aponta que a queda na comercialização de imóveis não foi o único motivo para a diminuição da lucratividade.

O levantamento desconsiderou a Cyrela, dado que eventos atípicos (aberturas de capital da Lavvi, Plano & Plano e Cury, joint ventures da companhia) levaram a empresa a registrar um lucro não-recorrente muito alto no terceiro trimestre, de R$ 1,47 bilhão, contra R$ 72 milhões no segundo e R$ 266,5 milhões no quarto, o que distorcia os dados do conjunto. Para o coordenador do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), João da Rocha Lima, uma explicação para a queda está nos custos de construção, que subiram acima da inflação.

Índice Nacional da Construção Civil (INCC) atingiu uma alta acumulada de 15,25% nos últimos 12 meses, até maio, enquanto o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação geral, alcançou 8,06% no mesmo período. O índice da construção começou a se descolar com mais força da inflação a partir do final de 2020, puxado pelo aumento dos custos de matérias-primas, como aço e cobre.

As incorporadoras venderam os lançamentos com uma determinada expectativa de inflação para o tempo de obra, mas se o índice é muito maior do que o esperado, a margem de lucro é comprimida. “É natural essa queda porque os custos subiram sensivelmente, e as empresas tinham muita coisa já vendida”, afirma Lima.

José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), também vê na alta de custos de produção a razão para a queda na lucratividade. “É muito claro que isso é estrutural, não é um aspecto isolado de cada empresa”, afirma. Além desse fator, ele acrescenta que a própria alta na lucratividade registrada nos trimestres anteriores ajuda a explicar a queda no primeiro trimestre deste ano.

Foto: Arquivo/Agência Brasil

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