JOSÉ MACIEL – UM PANORAMA SUCINTO DA FRUTICULTURA BRASILEIRA

JOSÉ MACIEL - UM PANORAMA SUCINTO DA FRUTICULTURA BRASILEIRA

Na última coluna, destacamos os esforços da EMBRAPA para adaptar fruteiras de clima subtropical e temperado em áreas tropicais de altitude e sobretudo em áreas dos perímetros irrigados do semiárido do Nordeste. Pontuamos que os primeiros resultados são amimadores, especialmente nos casos da pera e do caqui, que ostentam produtividades da terra acima das médias nacionais, e podem ser produzidos o ano inteiro, permitindo acessar as melhores “janelas” de mercado.  No artigo de hoje, a ideia é apresentar sucintamente  informações sobre o dinamismo e potencial  do setor frutícola nacional , em termos de mercados internos e externos.

O Brasil ocupa a terceira posição no universo da fruticultura mundial, atrás da China e da Índia, com uma produção anual de algo próximo de 44 milhões de toneladas de frutas , perfazendo uma parcela de de 5,3% da produção e 3,9 % da área colhida no mundo. Internamente, o setor ocupa uma área de aproximadamente 2,5 milhões de  hectares e emprega cerca de 5 milhões de trabalhadores, destinando a maior parte de sua produção para o mercado interno, exportando apenas algo em torno de 2,5% do que produz, com destaque para as culturas da manga, melão , uva, limão, melancia, maçã, banana , mamão , abacate e outros itens de menor relevância.

O contingente de pessoas empregadas é muito maior que o observado na produção de grãos(empregos por hectare).   O setor tem alcançado vendas externas na casa dos 875 milhões de dólares e sonha com a marca de 1 bilhão de dólares de exportações anuais. Temos potencial para chegar a esse patamar e até ultrapassá-lo, mas não temos como negar que o dinamismo de nosso mercado interno  tem de ser valorizado e tem sustentado a dinâmica do setor, coisa que não ocorre com a fruticultura de países sul-americanos e da América Central. Chile , Peru, Equador, Costa Rica  e outros países próximos exportam bem mais que nós, dentre outros fatores , pelo diminuto tamanho de seus mercados internos. O Chile exporta 6,5 bilhões de dólares e o Peru alcança marca superior a 3 bilhões de dólares anualmente. Mas, nosso desempenho exportador pode e deve melhorar, necessitando equacionamento de problemas sanitários e barreiras comerciais, logística de transporte , prioridade nas negociações de acordos internacionais, etc.  

A Bahia tem lugar de destaque nacional na pauta frutícola, notadamente nos segmentos de manga, uva ,   melão , banana (esses quatro se localizam mais em áreas irrigadas), mamão , coco, maracujá, laranja, dentre outros. No agregado setorial, somos o segundo colocado em nível nacional , só atrás de São Paulo. Estamos em posições de liderança na manga , mamão, coco , maracujá e segundo na produção de laranja. Não obstante, alguns trabalhos  da EMBRAPA têm mostrado que em alguns casos nossos parâmetros de produtividade da terra precisam melhorar, razão pela qual os produtores têm reclamado mais esforços de trabalhos de difusão de tecnologia.

A presença  da EMBRAPA em fruticultura tropical, com centro de pesquisa em Cruz das Almas , e da EMBRAPA SEMIÁRIDO  (em Petrolina) é um  grande trunfo e tem de ser melhor aproveitado.   Enfim, ainda que tenhamos uma baita vantagem de nosso mercado interno ( consumo percapita é ainda baixo, na casa de pouco mais de 50 quilos por habitante – ano, mas deveria  chegar a 140 quilos percapita ano, segundo recomendações da OMS), o país pode acelerar o seu ritmo de crescimento setorial para tirar partido também dos grandes mercados externos. Só há pouco tempo incluímos  o melão brasileiro em nossas negociações com a  China, nosso maior importador de  produtos do agronegócio. Isso pode abrir espaço para outras pautas, como manga, uva e outras frutas. Outros mercados promissores também precisam ser buscados e conquistados.      

(1) Consultor Legislativo e doutor em Economia pela USP.  E-mail: jose.macielsantos@hotmail.com