ENTREVISTA THIAGO ANDRADE – PRESIDENTE DA PETROBAHIA

ENTREVISTA THIAGO ANDRADE – PRESIDENTE DA PETROBAHIA

Por: João Paulo Almeida 

Bahia Econômica – A Petrobras assinou um contrato para a concessão de 12 campos terrestres na Bahia para a exploração de bacias e produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos. Como o senhor avalia essa questão?

Thiago Andrade: De maneira bastante positiva, pois quem adquiriu esses campos tem como objetivo operá-los, e pode atender a nichos específicos de mercado. O óleo destes campos possui característica bastante positiva, denominado de corrente “Baiano Mistura”, um petróleo leve com baixa acidez e baixo teor de enxofre.

A abertura do mercado de petróleo e gás tem incentivado a construção de pequenas refinarias como a da Brasil Refinarias, em construção, no município de Simões Filho. A extração de Gás Natural destes campos maduros também pode beneficiar a formação dos corredores azuis, e viabilizar o Gás Natural para indústrias fora do raio de atuação do gasoduto da Bahiagás. A Petrobahia, em parceria com a New Fortress Energy, iniciou em abril/2021 a comercialização de gás natural via modal GNL para postos longe dos gasodutos, que em breve será fornecido a partir de um poço localizado na ilha de Itaparica.

BE – Quais os investimentos que os campos maduros da Bahia podem ter nos próximos anos?

TA: A nota técnica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Governo Federal, “PERSPECTIVAS DA IMPLANTAÇÃO DE REFINARIAS DE PEQUENO PORTE NO BRASIL” apresenta a participação dos campos terrestres na produção nacional, que gira em torno de 5 %, e os investimentos necessários para o refino. A EPE, neste estudo, estimou que uma pequena refinaria de 5 mil barris/ dia com um processo de baixa complexidade e pouca variedade de produto necessite de um investimento da ordem de 80 milhões de dólares.

BE – A exploração dos campos maduros na Bahia é feita apenas por uma empresa na Bahia. O senhor acredita que se o processo fosse feito por várias empresas poderia crescer?

 TA: Além da Petrorecôncavo, a Brasil Refinarias, que é do Grupo Guindastes Brasil, contratou blocos e campos com acumulações marginais ofertados na 4ª rodada da ANP. A empresa contratou os campos de Araçás Leste e Jacumirim, ambos na Bacia do Recôncavo. Com o mercado aberto, outros players podem se interessar, o que vai aumentar a disponibilidade produto ofertado no micro mercado próximo às mini refinarias e poços produtores.

BE – Qual a real capacidade de renda dos campos maduros no Estado?

TA: Segundo o estudo abaixo realizado pelo BNDES “No Brasil, a produção de petróleo terrestre em campos maduros ocorre, normalmente, em municípios de baixa renda e baixo IDHM, no interior do Nordeste. A renda per capita dos municípios produtores varia entre R$ 3,37 mil e R$ 219,85 mil e o IDHM, entre 0,486 e 0,770. A participação dos royalties nas receitas desses municípios varia entre pouco acima de 0% e 71%, sendo que para mais de 18 deles tal participação é superior a 20% nas receitas municipais”.

https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/16962/3/PRArt214594_Producao%20de%20pretroleo%20terrestre%20no%20Brasil_P_BD.pdf

BE – Qual a capacidade de geração de empregos do setor?

TA: A Petrobras emprega diretamente ~49 mil pessoas, os campos terrestres representam 5 % da produção total, devido a falta de infraestrutura logística de larga escala acredito que os campos terrestres empreguem mais pessoas por m³ produzido. A Bahia não pode desperdiçar a oportunidade de gerar emprego e renda , principalmente em um segmento especializado com salários médios bem acima da média local.

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Foto: divulgação