A ESTRATÉGIA POLÍTICA DE BOLSONARO PARA A REELEIÇÃO, INCLUSIVE EM ESTADOS COMO A BAHIA

Foto: Lula Marques/Fotos Públicas

Ao que parece, o Presidente Bolsonaro vai disputar a reeleição adotando a mesma estratégia na qual foi eleito em 2018. Essa estratégia dispensa, ou pelo menos reduz, a importância do apoio dos partidos e foca a campanha na figura do líder carismático e populista que coloca a culpa de todos os problemas brasileiros nos políticos,  no Poder Legislativo e no Supremo Tribunal Federal e vive flertando com o golpe militar.

Essa receita precisa do antipetismo e do “horror” a Lula ainda existente em parcelas da população para que assim o “mito” apareça como salvador da pátria. Bolsonaro não trabalha bem com partidos políticos, basta ver que abandonou o partido pelo qual foi eleito, o PSL, e ainda não sabe em que partido vai se filiar, sendo provável que escolha uma legenda minúscula que aceite suas exigências sem discussão.

Na verdade, o partido de Bolsonaro é ele mesmo e sua estratégia está baseada na ideia de que entre ele e a volta de Lula, o eleitorado reagirá da mesma maneira que reagiu em 2018. E é, sem qualquer apoio partidário, mas querendo transformar em governadores políticos sem expressão mas extremamente ligados a ele, que começa a formar palanques nos estados brasileiros. Na Bahia, quem vai comandar sua campanha e ser candidato à governador é o Ministro da Cidadania, João Roma, e enganam-se os deputados que acreditam em uma composição com Bolsonaro, pois sua estratégia é exatamente a não composição, a polarização com o candidato do PT, pois estabelecida essa polarização todos os partidos avessos aos PT estarão com ele no segundo turno.

A mesma estratégia está montada no Rio de Janeiro, cujo governador bolsonarista Claudio Castro será candidato à reeleição, e em São Paulo, onde Tarcísio Gomes de Freitas, o mais competente ministro de sua equipe, está sendo preparado para se candidatar ao governo paulista. E assim será em todos os estados onde houver um bolsonarista “raiz”que tenha destaque e possa ser impulsionado pela retórica do “ou nós ou a volta do PT”.

A estratégia está posta, mas para que fosse efetiva seria necessário que Bolsonaro ainda tivesse a força eleitoral que mostrou ter em 2018 e que  houvesse no país a mesma polarização e a mesma ojeriza ao PT. Nada disso existe mais. Com a popularidade em queda, com muitos brasileiros culpando-o por não ter sido mais efetivo no combate à pandemia, com a inflação em alta e a cotação do dólar nas alturas e o país registrando mais de 14 milhões de desempregados, dificilmente Bolsonaro conseguirá eleger desconhecidos, como João Roma ou Tarcísio Freitas, sem apoio dos partidos e apenas baseado no seu prestígio pessoal, como fez em 2018.

Além disso, após a suspeição do juiz Sérgio Moro, o que se vê é a diminuição do sentimento antipetista em parcela expressiva da  população.  E, por outro lado, começa a se desenhar um cenário do tipo “nem Bolsonaro, nem Lula”, que se for bem explorado pode resultar em uma aliança em torno de um candidato de centro, como Ciro Gomes por exemplo, e aí não se descartaria sequer a possibilidade de um segundo turno sem Bolsonaro.

Tudo isso demonstra que se a estratégia do Presidente se basear apenas num tiro só, ou seja, na força populista do “mito” que enfrenta o PT, esse tiro pode sair pela culatra. (Editoria Política – 03/05/2021)