ENTREVISTA LUCIANO LOPES PRESIDENTE DA ABIH-BA

ENTREVISTA LUCIANO LOPES PRESIDENTE DA ABIH-BA

Bahia Econômica – Salvador está com o sistema de restrição de atividades econômicas ativo. Qual o peso dessas medidas para o setor do turismo?

Luciano Lopes: O impacto é direto. O turismo é um conjunto de atrativos que envolvem restaurantes, bares, museus, igrejas, shoppings, festas etc, e precisam estar abertos para atrair visitantes. O fluxo de turistas caiu quase 50% em março em relação a fevereiro e a tendência é queda acentuada nos próximos três meses.

BE- O segmento do comércio se mostrou contra o fechamento das atividades nesse momento de crise originado por cinco meses fechados em 2020. Nesse momento a ABIH defende o fechamento das atividades ou é contra?

LL: A ABIH-BA sempre defende a preservação da vida em primeiro plano. Sem pessoas não há negócios e, portanto, economia. Por outro lado também há um grande impacto nas atividades empresariais, provocando o desemprego. O ideal seria uma abertura parcial, visando um equilíbrio entre a preservação de vidas e a sobrevivência das empresas.

BE- O primeiro trimestre dos anos com o verão sempre é um momento de alta para o setor hoteleiro. Qual prejuízo de 2021 com o lockdown e os bares e restaurantes fechados?

LL: A pandemia mudou quase todas as previsões para 2020. A expectativa era de um ano de recuperação e boas apostas para a economia baiana. No entanto, os hotéis de Salvador tiveram uma redução de 56% do faturamento em relação a 2019, o equivalente a uma perda de cerca R$ 673 milhões. A previsão de ocupação para 2020 era de 66,4%, mas o ano fechou em 37,4%, representando uma queda de 44% no número de turistas esperados.

Em 2020, a gente saia de uma alta estação com bons resultados que permitia aos hotéis enfrentarem a situação. Este ano a pandemia segue cobrando um duro preço para a hotelaria. Em janeiro de 2021, tradicional período de alta estação, o aumento dos casos da Covid-19 influenciou diretamente o desempenho da hotelaria de Salvador. A Taxa de Ocupação de 54,25% foi a menor já observada na última década, ficando bem abaixo da verificada no mesmo período do ano passado (73,50%). Em fevereiro, período de alta ocupação em virtude do verão e das festas do Carnaval a ocupação média foi de 42,51%, bem inferior à apresentada no mesmo período em 2020 (70,59%). Se não houver melhoras na taxa de contaminação da covid 19, a tendência é um faturamento ainda mais reduzido. Para o mês de março espera-se uma ocupação de 20 a 25% no máximo.

BE- Qual alternativa a ABIH espera do poder publico para que o ano de 2021 não seja de grandes prejuízos para o turismo no estado?

LL: A ABIH-BA espera o apoio das esferas municipais, estadual e federal ao segmento do turismo com a isenção e redução dos impostos, a reedição da Medida Provisória 936 que permite a redução da jornada de trabalho e do salário para a preservação dos desempregos, novas linhas de créditos, dentre outras medidas para ajudar o setor.

BE- Qual a expectativa para o turismo em 2021?

LL: Este ano de 2021 está sendo tão difícil quanto ao ano anterior. Por enquanto não vemos perspectivas e a tendência é um resultado dramático para o setor do turismo em Salvador. Tudo depende do cronograma de vacinação e da queda na taxa do contágio da covid-19.

BE- Qual a expectativa para geração de empregos no turismo em 2021?

LL: Neste momento necessitamos da reedição da MP 936 para a preservação dos postos de trabalho. Caso isso não ocorra, infelizmente muitas demissões serão registradas. Para amenizar os efeitos da pandemia na economia, dependemos da atenção do Governo Federal.

Foto: divulgação