ENTREVISTA CARLOS MARDEN PRESIDENTE DO SINDUSCON BAHIA

ENTREVISTA CARLOS MARDEN PRESIDENTE DO SINDUSCON BAHIA

Por: João Paulo Almeida

Bahia Econômica – Com o decreto estadual que determina o fechamento das atividades não essenciais vários segmentos estão sem poder funcionar. A construção civil está atuando nesse cenário? 

Carlos Mardem – Sim, nós estamos autorizados a funcionar normalmente. O decreto no seus artigo quarto que determina o fechamento de atividades não essenciais. A construção civil é uma atividade industrial e as indústrias não pararam de funcionar, por isso nós estamos fora do decreto do governador e da prefeitura. Outro ponto a se destacar é que ano passado o presidente Jair Bolsonaro também colocou a construção civil no ramo de atividade essencial podendo operar como indústria. Reforçando nossa autorização.

BE- E como estão os protocolos nos canteiros de obras ?

CM- Nós tivemos que mudar radicalmente o nosso modo de trabalho. Nós criamos inúmeros protocolos específicos para que as pessoas que estejam trabalhando no canteiro seja bem protegida. Dentre eles destacamos a criação de refeitórios isolados com mais espaço e arejado, a mudança de horário dos turnos para evitar aglomerações na chegada e saída, além de álcool em gel em todos os cantos, medição de temperatura constantemente e pessoas com 60 anos estão em home-office. Nós também criamos um fórum de debate onde de tempos em tempos sentamos para debater esses protocolos e sua resposta na sociedade e para as empresas

BE- A construção civil não é só a parte do canteiro, como estão os protocolos da parte de fora dos canteiros como está esse controle ?

CM – Menor é claro. Mas nós também temos uma serie de cuidados. Existem atividades em carretas por exemplo que a pessoa só entre sozinho e faz tudo sozinho, existem carga e descarga com protocolos também então existem também uma serie de cuidados que estamos tomando para defender a vida do nosso trabalhador. Nós sabemos que os profissionais da construção civil necessitam de deslocamento em coletivos e alguns vivem em comunidades onde o cuidado é menor, então nós estamos sempre conscientizando ele sobre os riscos e buscando achar a melhor solução para a obra e para nossa trabalhador.

BE- Qual a expectativa do setor da construção civil para 2021?

CM – Começos o ano com expectativa de alta, mas o lockdown veio ai e então nesse momento nós não sabemos como vai está o poder de compra do nosso cliente no final do ano. Depende muito da situação do país. O que eu posso afirmar que já são 7 anos de recessão da economia, desde de 2014 que a construção civil não consegue deslanchar, então é preciso se entender que algumas coisas como o preço dos nossos insumos refletem no preço dos imóveis e faz a construção civil sofrer

BE- Parece que o preço dos insumos cresceu muito nos últimos tempos, como o senhor avalia ? 

CM – Absurdo. Fazendo uma analise calma temos o aço, o cobre, a resina e o cimento como os vilões do preço da construção civil. Todos esses cotados em dólar e fazendo com que a obra suba exponencialmente o preço da produção. O reflexo disso é que o preço dos imóveis também tem sofrido variações grandes. Outra questão a se levantar é que nós também estamos com dificuldade de achar material. Ou seja, estamos desabastecidos. Além de caro, estamos com poucas opções de os prazos para entrega estão tendo que ser readaptados. Isso gera um transtorno grande para nosso cliente e para nós.

BE- Em termos da geração de empregos qual a expectativa do setor ?

CM – Hoje o pensamento é de manutenção do quadro que temos. Acredito que será possível se a pandemia não tirar o poder de compra como em 2020. Estamos trabalhando para isso. Surgiram algumas linhas de credito importante e isso pode ajudar as empresas a manterem seus funcionários. Disse.

Foto: divulgação