O IPCA de dezembro na Região Metropolitana de Salvador (0,92%) foi resultado de aumentos nos preços médios de oito dos nove grupos de produtos e serviços que formam o índice. Os grupos habitação (3,32%) e transportes (1,79%) tiveram as maiores altas e foram os que mais puxaram para cima a prévia da inflação do mês na RMS. Entre os gastos com moradia, a principal influência veio da energia elétrica residencial (10,88%), puxada pela volta da bandeira vermelha patamar 2 (com acréscimo de R$ 6,243 a cada 100 quilowatts-hora consumidos) após dez meses consecutivos de bandeira verde (em que não há cobrança adicional na conta de luz).
Por sua vez, o aumento mensal dos transportes se deu especialmente pela alta no transporte público (4,89%), que por sua vez foi puxada pelo valor da passagem aérea (35,76%), que foi o item com o maior aumento entre as centenas de produtos e serviços que compõem o IPCA. Também contribuíram os aumentos nos valores do veículo próprio (0,88%), e dos combustíveis (1,18%), especialmente a gasolina (1,12%). O grupo alimentação e bebidas teve o sétimo maior aumento na inflação de dezembro (0,25%), apresentando a quarta maior contribuição. No mês, a maior influência para este aumento veio da alimentação fora do domicílio (0,55%), com a alimentação no domicílio também apresentando leve alta (0,13%).
O único grupo com queda em dezembro é a educação (-2,36%), puxada pela queda no valor dos cursos regulares (-3,31%), especialmente o ensino fundamental (-5,95%). No ano de 2020, os alimentos (14,04%) tiveram o maior aumento em 18 anos, desde 2002 (19,69%), e exerceram de longe a maior pressão inflacionária na Região Metropolitana de Salvador. A pressão dos alimentos consumidos em casa (17,58%) foi maior do que a da alimentação fora (5,29%), puxados pelas carnes (26,60%), sobretudo a costela (35,75%), e os cereais, leguminosas e oleaginosas (51,02%), sobretudo o arroz (74,24%), segundo item com o maior aumento percentual e também o segundo que mais contribuiu para o aumento da inflação de 2020 na RM Salvador.
O maior aumento percentual também está no grupo dos alimentos: o óleo de soja, que registrou aumento anual de 103,97%. Por outro lado, a manga (-28,09%) foi o item que apresentou a maior queda percentual em 2020. Os custos com habitação (7,50%) tiveram o segundo maior aumento e a segunda maior contribuição para o IPCA do ano, na RMS, com influência principalmente da energia elétrica residencial (16,58%), que foi o item de maior pressão inflacionária na RM Salvador em 2020.
Em 2020, dois dos nove grupos de produtos e serviços que formam o IPCA tiveram deflação: vestuário (-8,25%) e educação (-0,49%). No primeiro, houve quedas tanto nas roupas femininas (-17,76%) quanto nas masculinas (-8,20%) e infantis (-8,63%). Entre as despesas com educação, as principais influências vieram dos cursos regulares (-1,11%), sobretudo do ensino fundamental (-2,73%) e da pré-escola (-7,89%). Apesar do grupo transportes (0,25%) ter fechado o ano em alta, a gasolina (-3,22%) e o seguro voluntário de veículo (-20,47%) foram os itens que mais ajudaram a segurar a inflação na RM Salvador.