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PFIZER VENDE 54 MILHÕES DE DOSES DE VACINA A CHILE, PERU E MÉXICO

Redação - 04/12/2020 09:00 - Atualizado 04/12/2020

O Ministério da Saúde tem só “alguns dias” para decidir sobre a compra da vacina da covid da americana Pfizer. O prazo é dado pela própria empresa, que relata 95% de eficácia do produto em testes. O governo resiste diante do preço, da oferta de poucas doses, e da necessidade de armazenar a menos 70ºC. Grande parte dos especialistas diz que poderia ser a alternativa, ao menos em grandes cidades, com bons refrigeradores. Após acordo com Estados Unidos e União Europeia, a Pfizer já negociou 54,3 milhões de doses com Peru, México e Chile.

A Pfizer, que atua em parceria com a alemã BioNTech, diz que o prazo da proposta ao governo está protegido por acordo de confidencialidade. O Estadão apurou que é de sete dias e termina semana que vem. A farmacêutica diz, em nota, aguardar “posicionamento oficial do ministério em resposta à proposta” da companhia, “que expira em alguns dias”. A empresa já fechou venda para mais de 30 nações.

O Brasil adotou estratégia diferente da Europa e dos EUA. Enquanto no 1º semestre, países desenvolvidos investiram em diferentes laboratórios ainda sem saber sobre a eficácia dos imunizantes, por aqui foram feita apenas duas apostas – na Coronavac, parceria do governo paulista com o laboratôrio chinês Sinovac, e na vacina da Universidade de Oxford, que envolve acordo da farmacêutica AstraZeneca e a Fiocruz, ligada ao governo federal. Os EUA, por exemplo, garantiram 50 milhões de doses da Pfizer antes da divulgação dos dados de eficácia. Depois, a União Europeia comprou 300 milhões e o Reino Unido, 30 milhões.

Os países da América Latina com quem a Pfizer já fechou negócio preveem iniciar a vacinação este mês ou no início de 2021, conforme o aval dos órgãos regulatórios locais. O Reino Unido vacina a partir da próxima semana – cada pessoa deve tomar duas doses. O número de doses disponíveis para o Brasil também está sob sigilo. A empresa diz que seria “capaz de imunizar milhões de brasileiros já no 1º semestre” de 2021. Para este ano, ela produzirá 50 milhões de doses; no ano que vem, será 1,3 bilhão. As doses são reservadas a “países que fecharam acordos antecipados”.

No Brasil, a Pfizer iniciou o processo de registro semana passada. São previstos até 60 dias para análise, mas o prazo pode diminuir por causa de novas regras da Anvisa, que aceita pedidos para uso emergencial. O governo Jair Bolsonaro aposta na vacina de Oxford. A Fiocruz trabalha para incorporar a tecnologia e produzir as próprias doses desse imunizante. Mas os pesquisadores responsáveis pelo estudo de Oxford já reconheceram erros nos testes iniciais e a necessidade de ampliar ensaios clínicos para medir a eficácia, o que deve atrasar o registro.  Além disso, a pasta espera receber doses para 10% da população brasileira por meio da Covax Facility, consórcio internacional liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O secretário nacional de Vigilância Sanitária do ministério, Arnaldo Medeiros, disse nessa quinta-feira, 3, que há interesse em comprar diferentes vacinas, mas vinculou qualquer aquisição ao registro na Anvisa. Segundo apurou o Estadão, a postura reticente se agravou após Bolsonaro bloquear a compra da Coronavac, desenvolvida em parceria entre São Paulo e grupo chinês Sinovac. O ministro Eduardo Pazuello já disse a auxiliares que, para evitar novo “fato político’, só volta a tratar disso após registro da Anvisa. Além disso, Pazuello manifestou publicamente que propostas de outras fabricantes de vacinas não agradaram. No Congresso esta semana, chamou de “pífios” os números de doses oferecidas por alguns laboratórios, sem citar nomes. Segundo apurou o Estadão, ele disse a auxiliares, em tom irônico, que algumas propostas não serviriam para “vacinar Brasília”, com 3 milhões de habitantes.

O ministério também tem sinalizado que as temperaturas de armazenamento de vacinas da Pfizer e da Moderna, -70°C e -20°C, respectivamente, são barreiras. Medeiros disse que o ministério tem investido para modernizar os cerca de 40 mil postos de vacinação do SUS. A Pfizer diz ter plano para transporte e armazenamento das doses ao SUS – uma embalagem para 5 mil doses, com temperatura controlada, que usa gelo seco. A vacina duraria 15 dias.

Foto: divulgação

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