ENTREVISTA COM WILSON ABDON, FALANDO SOBRE O 2021 DAS ESCOLAS PARTICULARES NA BAHIA

ENTREVISTA COM WILSON ABDON, FALANDO SOBRE O 2021 DAS ESCOLAS PARTICULARES NA BAHIA

Por: João Paulo Almeida 

Bahia Econômica – As escolas particulares tiveram um ano muito complicado na Bahia e no Brasil por causa da pandemia do coronavirus. Problema esse que ainda está longe de uma solução e volta da normalidade para as instituições como o senhor avalia o cenário par as escolas particulares em 2021 na Bahia?

Wilson Abdon – Tivemos em 2020 um cenário desafiador e de crise absoluta para o setor educacional, decorrente da suspensão das atividades escolares a partir de março, cujo objetivo foi o de mitigar o contágio pelo COVID 19. Houve um expressivo impacto provocado por essa medida  e que vem ocasionando o fechamento de inúmeras Instituições de Ensino, em especial daquelas que atuam especificamente com o segmento de Educação Infantil. Esperamos contar com o apoio e a compreensão do Poder Público para que possamos retomar nossas atividades gerais ainda este ano e para que o calendário de 2021 comece em fevereiro. Para isso conseguir isso estamos mantendo contatos com o Ministério Público, tivemos um encontro muito produtivo com o Conselho Estadual da Educação nessa semana e esperamos nos reunir no próximo dia 1º de dezembro com representantes do governo estadual e da prefeitura de Salvador para discutirmos o cenário do próximo ano.

BE – Haverá reajustes na mensalidade visto que o ensino pode continuar remoto?

WA – A programação é que as aulas do próximo ano letivo nas escolas particulares de Salvador e Região Metropolitana que integram o Grupo de Valorização da Educação (GVE) comecem em fevereiro. O desejo da entidade é que as atividades sejam híbridas com, pelo menos, 50% dos estudantes nas salas logo no primeiro mês do retorno. O GVE não discute essa questão de reajuste nas matrículas, pois a decisão deve ser de cada escola individualmente, levando em consideração a situação financeira de cada estabelecimento de ensino, mas também a condição dos pais e da própria economia do país.

BE – Existe risco de algumas escolas particulares acabarem fechando as portas em 2021? 

WA – Infelizmente essa já é uma realidade e o exemplo do Instituto Social da Bahia foi o mais triste desta leva. O segmento da educação infantil tem sido o maior afetado pela crise, sobretudo nas escolas de bairro. Por isso o GVE vem tentando junto as autoridades do Estado e dos municípios uma interlocução para que esse assunto seja também discutido. Pois, se houver fechamento de muitas escolas particulares, dificilmente o ensino público vai conseguir absorver esse contingente de alunos. As demissões podem ser uma realidade a despender do número de matrículas para 2021. Porque os pais estão aguardando uma definição de como serão as aulas em 2021 para realizarem as matrículas.

BE- Existe risco de troca de funcionários e professores em 2021?

WA- Essa é outra questão que deve ser discutida e decidida em cada escola. Claro que a situação financeira de cada estabelecimento deve pesar nessa questão, que já está sendo discutida com os sindicatos que representam essas categorias.

BE – Como o senhor avalia os protocolos colocados pelo governador e pelo prefeito para retomada das atividades de faculdades e cursos livres? Eles podem ser aplicados em escolas particulares também?

WA – Essa possibilidade vai ser discutida com a prefeitura e o governo do Estado em 1º de dezembro, em reunião com o GVE. Participarão do encontro as secretarias de educação municipal e estadual, as pastas de saúde de Salvador e da Bahia, o Ministério Público e os conselhos municipal e estadual de educação.

A maioria das escolas já está pronta para retornarem e com seus protocolos aplicados e divulgados. Falta somente termos acesso ao protocolo oficial para verificarmos de algo mais precisa se feito, por isso pedimos que seja entregue com antecedência. Mas acreditamos que o protocolo geral que elaboramos com equipe médica especializada e personalizado, em algumas escolas, é mais do que suficiente.

A ideia é começar com os ensinos infantil, fundamental e médio com 50% dos alunos em fevereiro e aumentar o número de alunos nas escolas com o passar do tempo, com base nos dados do coronavírus e o desejo dos pais e alunos.

Esse retorno é uma possibilidade real; hoje, temos pesquisas e artigos do mundo todo mostram que esse retorno é viável. As escolas particulares estão com as aulas presenciais suspensas desde 18 de março.

BE- As escolas particulares podem criar protocolos específicos?

WA – As escolas do GVE vem discutindo internamente esses protocolos de volta às aulas, foram contratados especialistas em várias áreas para que nossos alunos, professores e funcionários tenham toda a segurança possível no momento da volta. E esses protocolos tem sido apresentados para os pais dos alunos para que as famílias também participem dessa decisão de volta.

BE- O governo federal manteve a decisão de realizar o enem mesmo com a pandemia ainda em atuação. Como o senhor avalia essa decisão?

WA – Não haveria como privar toda uma geração de alunos da possibilidade de realizar o ENEM. Claro que o desempenho geral pode ser afetado por causa da pandemia. Mas a maioria das escolas conseguiu manter uma programação de aulas remotas e creio que os alunos terão condições de realizar esse exame.

Foto: divulgação