JORNAL A TARDE – SALVADOR: QUE CIDADE É ESSA?: ARMANDO AVENA

JORNAL A TARDE - SALVADOR: QUE CIDADE É ESSA?: ARMANDO AVENA

No próximo domingo Salvador vai às urnas e os políticos precisam conhecer a cidade que pretendem governar. Que cidade é essa? É  a 9ª economia do país e a maior do Nordeste. E nos últimos anos tem mostrado dinamismo, pois em 2017 superou Fortaleza retomando a liderança regional e gerou um PIB de quase R$ 63 bilhões que é 15% maior que o PIB de Recife.

Mas  seu IDH – Índice de Desenvolvimento Humano ainda é baixo e a cidade registra uma baixa renda per capita e alta taxa de desemprego , que atinge 25% da PEA. E o cenário não é pior porque poucas cidades brasileiras têm um nível de investimento público tão alto e as inúmeras obras de infraestrutura, que estão sendo tocadas pelo governo do Estado e pela Prefeitura de Salvador, ampliaram a oferta de emprego e o auxilio emergência de R$ 600 evitou um colapso na renda da população na pandemia.

Há, no entanto,  dinamismo na cidade, especialmente no setor terciário que está se expandido e  já representa 86% da economia soteropolitana, quando em 2010 representava 78% do PIB.

A renda per capita é baixa porque  Salvador é a 4ª maior cidade em população do país, reduzindo o coeficiente PIB/população e também porque  boa parte do setor terciário é de serviços de baixa qualificação, abrigados na economia informal. Além disso o setor serviços em Salvador transita na informalidade, que representa 40% do mercado de trabalho, o que significa que nele estão 600 mil pessoas. Os dados são do IBGE e da SEI referem-se a 2017.

O setor terciário que comanda a cidade sofreu muito com a pandemia, mas apresenta resiliência e já há crescimento em vários segmentos e o número de empresas criadas supera o das que encerram as atividades. Por outro lado, Salvador tem um setor industrial forte, que  representa 13,4% do PIB, fazendo da cidade o 21º maior PIB industrial do país, sendo superada no estado apenas por Camaçari. A construção civil, o segmento de infraestrutura, a produção de alimentos, confecções e outros formam esse setor.

A verdade é que, para crescer e aumentar a renda, Salvador tem de ampliar os investimentos em indústrias não poluentes, aumentar a agregação de valor no setor serviços e  estimular a expansão de setores como a construção civil, os serviços de alta tecnologia, as atividades de logística, saúde e educação e outras, que são o futuro. Além disso, precisa investir maciçamente em educação e qualificação de mão-de-obra, que é o instrumento capaz de reduzir a pobreza e a informalidade. É esse investimento em educação e o estímulo aos investimentos privados que vai reduzir a taxa de desemprego e a informalidade e fazer desta cidade tão linda uma cidade mais aprazível, humana e produtiva.

                                              POLO DE SERVIÇOS DE SAÚDE

Salvador já tem um dos maiores um polos de serviços de saúde do país e governo e prefeitura devem estimular essa cadeia produtiva. Os investimentos na área são significativos e destacam-se recentemente os da Rede D’Or s, que já comprou o Hospital Aliança e o São Rafael, e está semana anunciou que vai elevar de 48% para 100% sua participação no Hospital Cárdio Pulmonar. Além desses, são destaque a construção do Hospital Mater Dei e dezenas de clínicas, laboratórios e startups que vem sendo criadas e ampliadas, especialmente na área de alta complexidade. A mobilização contra a Covid-19 teve efeito impulsionador nesse setor. O entrave é a baixa capacitação da mão-de-obra.

                                                  A PARALISAÇÃO DO GOVERNO

 Na administração pública, não adianta ter dinheiro se não existe orçamento. Pois bem, estamos em meados de novembro e Orçamento da União para 2021 ainda não foi votado. O Congresso aprova a Lei Orçamentária no ano anterior ao exercício, mas, ao que parece, o orçamento de 2021 só será votado no ano que vem, o que pode significar a semi paralisação do governo no 1o quadrimestre. E sequer a Comissão Mista de Orçamento foi instalada. Quando não há orçamento, a lei permite que o governo gaste mensalmente  1/12 do que estava previsto na  LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias, mas ela  também não foi votada. O governo deveria estar em pânico, assim como quem tem dinheiro público a receber em 2021.