ELEIÇÕES 2020 – ENTREVISTA HILTON COELHO – PSOL

ELEIÇÕES 2020 - ENTREVISTA HILTON COELHO - PSOL

Por: João Paulo Almeida 

Bahia Econômica – O senhor é o candidato de oposição ao governo e a prefeitura de Salvador. Como o senhor pretende construir alianças políticas para sua campanha? 

Hilton Coelho –  As nossas alianças vão ser feitas a partir de uma sensibilização das forças políticas da cidade em grandes fóruns que nós vamos construir com elas. Nós vamos chamá-las para dizer que é preciso ter Orçamento Participativo Deliberativo, o Congresso do Povo, conferências da Educação e Saúde, entre outros. A participação direta da nossa população já mostrou, em outras experiências de governo municipal, que são experiências viáveis. E nós vamos fazer isso na cidade de Salvador também. Eu acredito que qualquer força política que queira dialogar, de fato, com a nossa cidade vai deixar de participar deste processo de construção democrática. As forças políticas que não quiserem integrar esse processo terão a liberdade para isso também. Mas é a partir dessa síntese, criada em grandes espaços de discussão direta com o nosso povo, com uma metodologia já consolidada e com a demonstração concreta de sua viabilidade, é que nós vamos estabelecer essa sinergia entre as forças políticas.

BE- Seu nome ainda não emplacou nas pesquisas. Como o senhor pretende crescer na popularidade da população?

HC – Nós temos o nosso próprio instituto de pesquisa que é o carro de som da Resistência. Com ele, a gente está percebendo que a população está numa sinergia realmente fantástica com a nossa candidatura. E é um crescente. A última Campanha pelas Ruas, que é uma marca da nossa candidatura, nós tínhamos dificuldade, inclusive, de pronunciar uma frase inteira, porque a população gritava frases de apoio, acenando, correndo para as sacadas das casas, paras as janelas dos edifícios, para saudar a Resistência. De maneira que eu tô muito confiante que, nessa reta final, vamos conseguir apontar uma grande novidade no processo eleitoral. A história já demonstrou muitas discrepâncias entre os resultados eleitorais e o que os institutos de pesquisa prediziam.

BE-Quais serão os projetos sociais que serão colocados na sua gestão?

HC – O primeiro, que é muito importante, é a Renda Básica Permanente. Já estamos debruçados em relação à análise do orçamento para garantir esse direito. Nós queremos que seja algo em torno de um salário mínimo paras as famílias mais vulneráveis, para população de rua e parte da comunidade LGBTQIA+, ou seja, os segmentos da sociedade que realmente precisam de um amparo imediato do poder público. Já estamos pensando a vinculação dessa política, por exemplo,  com as famílias que têm os filhos na rede pública de Educação. Existe uma correspondência entre a situação dessas famílias com as condições de maior vulnerabilidade na cidade de Salvador. Dessa forma, vamos ter um duplo retorno. Se fortalecermos a dignidade das famílias, criaremos, por exemplo, uma melhor estabilidade psicológica intrafamiliar, também de afirmação dos estudantes, para que eles dialoguem com uma educação libertadora, a qual nós vamos inaugurar com a gestão Frente Capital da Resistência.

BE- O senhor vai manter os projetos dessa gestão como o morar melhor?

HIC  – Vamos manter esse programa e vamos fazê-lo de verdade! É preciso, de fato, que haja um projeto robusto, que alcance a população, mas sem demagogia, né? O que vamos fazer acontecer, além da construção de novas moradias populares, é o incremento, de fato, das moradias já consolidadas da nossa população. Nós temos um plano diretor de encostas que deve integrar essa iniciativa. Poque você não pode, por exemplo, ter um projeto que seja só para pintar as casas. A gente precisa garantir o direito à vida das pessoas. Então, esse plano diretor de tratamento das encostas, que integra nosso programa de governo, mas que também já foi apresentado no nosso mandato, como projeto, na Câmara de Vereadores, é fundamental para cidade de Salvador. Outra medida para tratar do déficit de moradias, é uma política de  aproveitando, por exemplo, dos imóveis que estão sendo largamente objetos da especulação imobiliária no centro da cidade. Outra coisa importante é que as ações voltadas à moradia não podem ser pensadas de forma isolada, sem que integrem uma política integrada de garantia de direitos. Essas ações devem ser pensadas junto com a discussão  sobre geração de trabalho, distribuição de renda, acesso a direitos básicos como educação, saúde, creches, assistencia social. Ou seja, precisamos de um projeto de moradia popular que realmente corresponda à integralidade de direitos. Por isso preferimos chamá-lo de Comunidades de Bem Viver, lavando em conta essa concepção rica sobre o comum e a vida.

BE- Como o senhor vai atuar na questão da educação, visto que esse foi um setor que ainda não conseguiu voltar a normalidade com a pandemia?

HC – Para nós, a palavra-chave em Educação na cidade de Salvador é respeito. Nós temos um quadro de educadoras e educadores que é maravilhoso! Um quadro de profissionais que, no chão da escola, já tem uma grande produção pedagógica. A maior parte dessas educadoras e educadores, por exemplo, já produziu pesquisa científica sobre as grandes demandas da cidade de Salvador nesse setor. A gente não apenas vai respeitar essa categoria. Vamos ter uma relação de deferência com essas educadoras e educadores. Vamos fazer uma grande conferência de Educação, onde será eleita, diretamente com o voto de toda a comunidade escolar, incluindo os técnicos, os estudantes e suas familias, e representações da sociedade civil, a nova secretária de Educação. Nessa dinâmica nós vamos enfrentar inclusive o desafio da pandemia. Precisamos garantir estrutura e metodologia, aprovadas pelas educadoras e educadores, que atendam um nível adequado de funcionamento remoto da Educação no nosso município até podermos ter condições seguras de retorno das aulas presenciais. Porque defendemos que, só com vacinação em massa da cidade de Salvador, poderemos ter uma segurança maior de convivência presencial no ambiente escolar.

BE- Os funcionários públicos da prefeitura reclamam que não houve reajuste salarial na gestão do prefeito. Como o senhor vai lidar com essa questão do servidor?

HC – A primeira coisa que precisa ser dita é que correção inflacionária não é aumento de salário. Isso é o mínimo que se pode fazer e, ainda assim, não vem sendo feito. Chegar e dizer que o salário não será diminuído chega a ser didículo. É isso que essa gestão tá fazendo. Então, temos que discutir sobre o piso, garantir providências concretas em relação às perdas salariais. E a partir daí, discutir uma valorização, de fato, dos planos de carreira. Nós precisamos incrementar os planos de carreira dos servidores públicos, com o pé no chão. A gente vai abrir o orçamento. Levá-lo à transparência. O orçamento do município vai deixar de ser um segredo para sociedade, principalmente paro o servidor público, que é esse elo de ligação entre a máquina pública e a sociedade. Fazendo essa discussão sincera, aberta, nós temos a convicção de que nós vamos incrementar as carreiras do serviço público. Isso vai possibilitar  um quadro motivado para fazer a afirmação dos direitos básicos da nossa população. Direitos que hoje são negados por essas administrações conservadoras.

BE – O senhor pretende fazer a linha dois da obra do BRT?

HC – Nós precisamos discutir com as Universidades, com os especialistas, com os técnicos. Precisamos abrir essa discussão para nossa população. O BRT hoje é um monstrengo, que na contramão de exemplos pelo mundo afora, é bastante questionável. O BRT, por exemplo, tamponou rios. O mundo todo está arrancando os tamponamentos dos rios. Então, que obra é essa, cuja projeção de gasto é de um bilhão? E, pior: só na etapa um, já há indício de superfaturamento de mais de R$ 54 milhões. Então precisamos de transparência e  cinquenta e discutir com as nossas Universidades e com o nosso povo sobre qual será o destino que a gente vai dar essa obra, que, infelizmente, é um monstrengo do ponto de vista ambiental, paisagístico e também da própria mobilidade urbana. Isso, porque ele segue em paralelo ao metrô, né? E também estimula a utilização de carro pequeno.

Foto: divulgação