JOSÉ MACIEL – PREOCUPAÇÕES RECENTES COM O AGRONEGÓCIO

JOSÉ MACIEL - PREOCUPAÇÕES RECENTES COM O AGRONEGÓCIO
As análises mais recentes apontam o agronegócio como o único a crescer este ano. Todos os demais sofrerão retração . fazendo o PIB despencar, com projeções acima de 5% negativos. Duas  notícias dessa semana ajudam na direção dessa expectativa: a  primeira é que o IPEA admite um crescimento de até 2,5% para o setor  agropecuário este ano, A outra, também do Valor Econômico, dá conta que a China vai elaborar planos de segurança alimentar, prevendo a ampliação de estoques de alimentos básico para consumo humano e animal, inclusive com “recompensas” para países exportadores, o que deve beneficiar o Brasil,
Não obstante essas notícias positivas,, alguns cenários possíveis podem preocupar, Vejamos sucintamente.
Na semana passada. um grupo de  empresas  multinacionais, enviou carta aos parlamentares brasileiros  ameaçando  não comprar produtos agropecuários caso  o projeto de lei 2633, de 2020, seja aprovado pelo Congresso.
Segundo a carta , o referido PL pode incentivar o desmatamento na AMAZÔNIA, o que pode repercutir nas suas demandas de nossos produtos, Importa ressaltar  ainda que o Parlamento Europeu se  inclina a encampar tal iniciativa, Subscrevem a carta pesos pesados  do abastecimento no Reino Unido, como Burger King, Tesco, Moy Park , do grupo JBS, e dezenas de outras empresas.
O PL em tela, com propósito  de titulação e regularizações de terras, propõe  dispensa de vistoria prévia,  dados declarados pelos atuais ocupantes e uso de sensoriamento remoto, alegando insuficiência de funcionários do INCRA ´para tocar o trabalho. As ferramentas de sensoriamento remoto constituem uma avanço, mas muitas  vezes dependem de visita presencial para checar e confirmar certas informações.
Outro fato a preocupar consiste nas declarações de alguns ministros na polêmica reunião de 22 de abril passado,, cuja divulgação foi autorizada pelo ministro Celso de Mello, do STF, Uma das mais inoportunas foi a opinião do Ministro Ricardo  Salles, do Meio Ambiente , que preconiza “passar a boiada” e afrouxar regras ambientais. Isso é um prato cheio para países protecionistas , como França e Irlanda, cogitarem boicotar produtos do agronegócio nacional.
Dois outros cenários podem preocupar se se concretizarem em maior escala, Trata-se de  imposição possível de restrições ao funcionamento de alguns frigoríficos por conta de casos de contaminação por COVID 19  e entraves ou paralisações em portos importantes para nossas exportações.. Enfim, temos de fazer um bom dever de casa para que esses cenários não ocorram.
(1) Consultor Legislativo e doutor em Economia pela USP, E-mail: jose.macielsantos@hotmail,com