Por Gabriela Marotta
O anúncio de pandemia feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira, 11, gerou um caos econômico mundial. No Brasil, a Bovespa caiu mais de 10% fazendo com que as atividades fossem suspensas. Foi seu segundo Circuit Braker da semana (Veja Aqui). E o dólar fechou acima de R$ 4,72.
Em conversa com o Bahia Econômica, o economista e ex-secretário de Assuntos Econômicos do antigo Ministério do Planejamento, Raul Velloso, disse que essa é uma reação que acontece todas as vezes que um país, que tem forte ligação com o mercado financeiro, sofre um choque. “É algo que vem de fora. Aí os mercados procuram se equilibrar. É quando ocorrem as movimentações de capital, como agora”, disse o economista.
Segundo Velloso, o desconhecimento do fato, a “ignorância”, gera instabilidade. E é nesse momento que os investidores “procuram retirar os recursos de países historicamente vulneráveis, países instáveis politicamente, que são facilmente atingidos por movimentos especulatórios”, explica.
Embora o cenário inspire preocupação, o Brasil está preparado para resistir por algum tempo. Isso por que, segundo o economista, “a gente tem um colchão de reserva de cerca de 380 bilhões de dólares. O que dá certo poder ao Banco Central sobre o movimento especulativo”, disse, acrescentando que antes seria diferente, já que o Brasil ficaria a mercê de empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI), se submetendo às políticas impostas por ele. “Vamos passar por um período difícil. Temos que apertar o cinto, mas podemos resistir mais tempo do que antes”, explica.
Quando questionado sobre a baixa na previsão do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, o economista foi enfático ao dizer que pode interferir, sim, no crescimento econômico do país. “Essa crise influencia, sim, no PIB, pois existe uma queda de demanda, um esfriamento da economia. Por exemplo, a suspensão de viagens, cruzeiros… Reduz demandas de serviço que influencia diretamente na economia”, conclui.
Foto: Ana Branco/ Ag O Globo