

O ex-secretário de Minas e Energia da Bahia, o empresário José Mascarenhas, detalhou, em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã de hoje (3), como foi o processo de implantação do Polo Petroquímico na cidade de Camaçari, na Bahia. Ele conta que o projeto foi desenvolvido durante o governo de Luís Viana Filho, mas foi alavancado devido ao estilo do sucessor, Antônio Carlos Magalhães.
“No governo de Luís Viana, você criou toda base de justificativa para instalação do polo. O governador era um diplomata e não brigava como Antônio Carlos brigava. Ficava aquela coisa de chove e não molha, aqueles projetos todos, mas não saia. Ele (Luís Viana) se dedicou muito ao projeto, mas de forma diferente. Antônio Carlos pegou isso avançado, mas não saía. Então o estilo de Antônio Carlos que fez isso se definir”, contou.
Mascarenhas relata que, em determinada etapa dos projetos, ACM pediu que o então secretário fizesse um documento para entregar para o ex-presidente Emílio Médici, o que acabou dando o pontapé para a execução. “No fim, quando não saía, ele disse: ‘Olha, faça um documento e vou levar para o Médici’. Então fiz um documento que ficou conhecido como pasta preta. Médici disse: ‘por mim está bem’”, afirmou. Ele acrescentou que foi preciso conversar com o ministro Marcus Vinícius Pratini de Moraes, o que acabou resultando na decisão de como instalar o empreendimento na Bahia.
O ex-secretário disse ainda que o maior investimento para o Polo foi feito no governo seguinte, de Roberto Santos, quando Mascarenhas continuou no comando da pasta de Minas e Energia. “Mas não foi Antônio Carlos que pagou maior preço por instalar o Polo. Porque fomos fazer os projetos, que demandam tempo. Enfim, quando os projetos amadureceram, já chegaram ao governo de Roberto Santos. Então quem pagou maior preço em termo orçamento foi Roberto Santos. Eu lembro que quase 50% em determinado ano, do orçamento do estado, que envolvia empréstimo, foi, na minha secretaria, alocado para Camaçari. Para você ver a dimensão que isso teve naquele época”, comentou.
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