SAMUELITA SANTANA: A PRECÁRIA EDUCAÇÃO QUE PISA E SAMBA NA CARA DO BRASILEIRO

SAMUELITA SANTANA: A PRECÁRIA EDUCAÇÃO QUE PISA E SAMBA NA CARA DO BRASILEIRO
A pesquisa sobre a educação mundial realizada a cada três anos pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes — PISA, não só “pisa” como samba na cara dos brasileiros. Os resultados da edição 2018 divulgados recentemente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, detonam a narrativa tão propalada de que os últimos governos priorizaram e avançaram na área educacional. Pura balela. Não apenas a Educação brasileira NÃO avançou, como regrediu. O exame aplicado em 600 mil alunos de 15 anos de 79 países diferentes – sendo 10.691 do Brasil -, apontou dados que vão além da preocupação com a baixíssima proficiência do s estuda ntes brasileiros. Indicou mais que isso: o descaso absoluto com um vetor tão decisivo para o desenvolvimento, a incompetência de gestão e a falta de escrúpulo em repetir mentiras para que pareçam verdades.
O Programa, cuja mostra do ano passado representou 32 milhões de alunos, mede as habilidades em relação à leitura, matemática e ciência. O Brasil que participa desde a primeira edição em 2000, caiu da 65ª posição para a 70ª em matemática. 68,1% dos alunos brasileiros estão no pior nível da proficiência nessa matéria e não possuem nível básico. Em ciência, 55% dos brasileiros não atingiram o nível básico e nenhum aluno conseguiu chegar ao topo da proficiência. No quesito leitura e compreensão de texto o resultado é bem traumático: 50% dos brasileiros não atingiram o mínimo de proficiênc ia que t odos os estudantes devem ter até o final do ensino médio, com o agravante de que os brasileiros estão dois anos e meio abaixo dos  países membros da OCDE em relação ao nível de escolarização.
Resumo trágico? Vamos lá: apenas 1% dos brasileiros tiveram um desempenho considerado alto em matemática, 1% em ciência e 2% em leitura. Isso significa que nada menos que 43% dos alunos brasileiros ficaram abaixo da média mínima da prova – que é 2 – nas três disciplinas. Trocando em miúdos: os estudantes brasileiros não conseguem identificar a ideia principal de um texto, resolver problemas numéricos inteiros e entender um experimento científico simples. Ao redor do mundo quantos estudantes estão nessa mesma situação dos brasileiros? Apenas 13%. E cá estamos nós na rabeira da educação, amargando uma década de estagnação e sempre pisando vergonho samente os últimos degraus do ranking e permanecendo entre os 20 piores avaliados.
Quem brilhou nos resultados do PISA? A China em primeiríssimo lugar com suas regiões específicas, Pequim, Xangai, Jiangsu e Guangdong, além de Macau e Hong Kong, seguida de outros países asiáticos como Singapura, Coreia do Sul e Japão. Antes da Coreia e Japão, figuram a Estônia, Canadá, Finlândia e Irlanda. A pergunta é o que esses países fazem pelo avanço na educação e ensino de qualidade que o Brasil não faz, apesar de investir no setor em percentuais até maiores que o de países desenvolvidos? Relatório divulgado ano passado pela Secretaria do Tesouro Nacional, informa que o Brasil gasta 6% do PIB em educação pública, índice supe rior &ag rave; média da OCDE que é 5,5%.
O que se constata é que esses investimentos não foram suficientes para tirar o país da rabeira das avaliações internacionais e  muito menos melhorar seus outros indicadores educacionais. Onde está o paradoxo? Provavelmente numa palavrinha chamada eficiência, sustentada pelo tripé que vem sendo sedimentado pelos países mais bem avaliados em educação como China, Coreia do Sul e Finlândia: valorização do professor, participação efetiva da comunidade e, sobretudo, competência de gestão, com aprimoramentos de políticas e procedimentos educacionais.
Livro ou papel higiênico?
Com absoluta certeza gestores desses países saberiam muito bem o que fazer com uma montanha de livros didáticos novinhos em folha ao invés de encaminhá-los para fábricas de papel higiênico ou para serem picotados em galpões de reciclagem. Fato ocorrido nos últimos dias no Rio Grande do Sul que estarreceu o país e tirou de milhares de crianças desfavorecidas o direito de aprendizado através da reutilização eficiente desses livros. E aqui não vamos nem nos aprofundar na perversa prática da corrupção praticada por inúmeros gestores brasileiros que desviam para seus bolsos os recursos que seriam destinados à merenda escolar de alunos que, às vezes, contam apenas com aqu ela única refeição no dia.
Bom refletir ainda que mais da metade dos investimentos do Brasil em Educação vão para o ensino superior, desequilibrando a balança justamente nas etapas educacionais de formação básica e de preparação do cidadão para as fases posteriores da vida, que são os ensinos fundamental e médio. Na China, Coreia e Finlândia os investimentos são priorizados exatamente para essas duas etapas. Apesar de investir em relação ao PIB mais que outros países, o valor que o Brasil gasta para cada estudante está muito abaixo da média dos países da OCDE que é 9,5 mil dólares por ano. O Brasil investe menos de 3 mil dólares/ano por cada aluno. Média de pa&iacu te;ses como Colômbia, México e Indonésia.
 Ora, como garantir, então, resultados de qualidade para esses jovens alunos? Faltam políticas de valorização e formação continuada dos docentes, falta vontade política para transformar em prioridade absoluta a modernização das estruturas físicas e equipamentos das escolas, falta menos burocracia, faltam programas eficientes e ativos da participação família/comunidade/escola, faltam foco e investimentos na educação infantil, faltam diretrizes modernas com programas de estudos que vocalizem talentos e habilidades e falta principalmente aquele espírito pol&ia cute;tic o que inspirou o ex-primeiro ministro inglês Tony Blair e o ex presidente do Uruguai José Mujica: ” Vamos investir primeiro em educação. Segundo em educação e terceiro, em educação.”
*Fontes: OCDE|Pisa 2018