ARMANDO AVENA: POLO 41 ANOS: PERSPECTIVAS E DESAFIOS

ARMANDO AVENA: POLO 41 ANOS: PERSPECTIVAS E DESAFIOS

O Polo Industrial de Camaçari completa 41 anos e é um orgulho de toda Bahia. É um dos maiores e mais diversificados distritos industriais do mundo, tem um faturamento anual de US$ 15 bilhões, gera 15 mil diretos e contribui com R$ 1 bilhão por ano na arrecadação do governo do Estado. É, portanto, de fundamental importância para a Bahia e coloca Camaçari como o 15o  maior PIB industrial do país. Ao fazer 41 anos desenham-se no horizonte perspectivas e desafios para o principal polo industrial do Nordeste. O desafio maior é manter a competitividade e para isso é urgente enfrentar as questões relacionadas com a redução de custos, especialmente no que se refere aos insumos e a infraestrutura.  Com relação a este último aspecto, é recorrente o problema da deficiência portuária e o Porto de Aratu, principal porto de escoamento do polo industrial, ainda demanda modernização urgente. Há anúncios de investimentos por parte do setor privado, como os da  mineradora anglo-australiana Colomi Iron Mineração que anuncia um aporte de aporte de R$ 2 bilhões para a construção de um terminal, e da Braskem, uma das concessionárias do porto, que está investindo R$ 300 milhões num novo cais para ampliar a área de armazenamento. No âmbito do setor público a Codeba anuncia investimentos, mas na atual crise fiscal da União pouco se vislumbra nessa área. A questão ferroviária, por outro lado, é gravíssima, com a Ferrovia Centro-Atlântica deteriorando-se a cada dia, com investimento zero da Vale, o que confirma a tese de que a empresa tornou-se concessionária para deixar a ferrovia se deteriorar, sem enfrentar um possível concorrente. Até quando o poder público vai aceitar que a concessão fique em mãos de uma empresa que não pretende investir no bem concessionado é o que precisamos saber.

Mas se a infraestrutura deixa a desejar, há bons sinais no que se refere a redução de custos. O preço elevado do gás natural no Brasil, que hoje é um dos maiores impeditivos ao aumento da competitividade do distrito, pode ser reduzido com a quebra do monopólio da produção e distribuição do produto que está andamento. No caso da Bahia, a quebra do monopólio estadual de distribuição de gás, hoje controlado pela Bahiagás, daria um choque de competitividade no setor estimulando novos investimentos. No âmbito das empresas,  os investimentos em práticas sustentáveis com relação ao reuso de água e exploração de águas subterrâneas e outros procuram otimizar a matriz energética e ajudam sobremaneira na redução dos custos.

Outro desafio recorrente é a necessidade de verticalizar o distrito, adensando as cadeias produtivas do Polo. A verdade é que, 41 anos após sua implantação, o polo continua sendo palco do chamado turismo molecular, ou seja, insumos produzidos aqui que viajam para a região Sudeste Sudeste, e voltam como produto final, gerando valor agregado  e emprego em outros estados.

Nessa área, o governo do estado precisa se articular com as associações empresariais para montar uma política de adensamento de cadeias, enfocando a cadeia acrílica, para verticalizar a produção do Complexo Acrílico da Basf, a cadeia eólica e mesmo o adensamento da cadeia automobilística, que continua investindo no Brasil, mas em outros estados. A Fiat Chrysler, que investiu R$ 7 bilhões para montar sua fábrica, já anunciou investimentos de mais de R$ 7,5 bilhões para duplicar sua planta e com isso vai tornar-se a maior empresa automobilística do Nordeste. Nesse aspecto, a Bahia fez uma aposta errada jogando suas fichas em empresas inviáveis como a  JAC Motors e a Foton, que consumiram milhões em incentivos sem que uma pedra fosse levantada. Mas ainda há espaço, especialmente se houver a retomada da economia, para atração de fábricas de automóveis de países asiáticos interessados no mercado brasileiro.

O avanço tecnológico é outro desafio a ser vencido, pois as empresas precisam estar alinhadas à indústria 4.0 que representa o futuro, mas aí o Polo Industrial de Camaçari conta com um grande aliado, o Cimatec Industrial, que será inaugurado nos próximos dias e acende uma luz gigante no campeonato da modernização, abrindo espaço para um salto em direção a indústria 4.0 e as startups. Outros desafios se impõem ao futuro e entre eles está a questão da privatização da  RLAM – Refinaria Landulpho Alves que tem fortes relações com o Polo e, na verdade, pode dar novo alento as empresas lá sediadas já que a privatização pode garantir novos investimentos e a modernização da refinaria, abrindo a possibilidade de melhor preços nos insumos fornecidos e a abertura de novos negócios. Isso sem contar que a refinaria tem o 2º maior terminal portuário do país, o Terminal de Madre de Deus, que também deve ser privatizado e com isso abrir novas perspectivas para a logística na região. A questão Fafen – Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados, a questão da Braskem, cujo processo de venda para a para a holandesa LyondellBasell foi abortado, mas que deve voltar ao tabuleiro de negócios em breve, são questões que também merecem atenção. Entre oportunidades e desafios, o fato é que o Polo Industrial de Camaçari permanece como um dos esteios da economia baiana, responsável por grande parte do PIB gerado em nosso Estado, e, se a economia brasileira voltar a crescer, os novos investimentos vão se ampliar, aumentando o produto industrial e geração de emprego e renda na Bahia.

Publicado no jornal Correio em 29/06/2019