ENTREVISTAS

CLAUDIO CUNHA – PRESIDENTE DA ADEMI/BA
CLAUDIO CUNHA - PRESIDENTE DA ADEMI/BA

BE- Qual a expectativa de movimentação financeira do salão imobiliário esse ano?

CC- Estamos otimistas e felizes com a realização da 11ª edição do Salão Imobiliário, que em  2018 tem como tema ‘Casa Ademi’. Com três mil unidades disponíveis para venda, o objetivo da Ademi-BA é alcançar a meta de crescimento de 7% até o final do ano e contribuir para fecharmos 2018 com um balanço positivo.

BE-  Quais os principais atrativos que o salão está oferecendo esse ano para os consumidores?

CC- Neste ano, trouxemos o conceito da Casa Ademi. Um espaço mais aconchegante , compacto e prático para os visitantes, que podem ter acesso a todas as oportunidades em um mesmo lugar. As 11 incorporadoras participantes trouxeram oportunidades exclusivas para o consumidor. Além disso, tivemos a recente decisão do governo de antecipar o aumento do teto de R$800 mil para R$ 1,5 milhão de financiamento dos imóveis com recursos do FGTS, por meio do sistema financeiro de habitação. Estamos vivendo um momento propício, em que encontramos os juros mais baixos, a inflação está sob controle, além da redução da taxa Selic.

BE- Qual o segmento de imóveis que mais atraem os consumidores na Bahia?

CC- De acordo com a Pesquisa Imobiliária ADEMI-BA divulgada em outubro, imóveis de dois quartos lideram o índice de unidades vendidas como também de unidades lançadas e disponíveis no estado. O montante das vendas dos últimos dez anos representa 69%, seguido por três quartos: 20%. Em Salvador, os bairros Imbuí, Piatã, Patamares, Pituba, Jardim Armação e Caminho das Árvores são os que mais venderam imóveis residenciais.

BE- Qual a expectativa para o segmento da construção civil para o ano de 2019 com a gestão de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes como ministro da fazenda?

CC- O resultado das eleições e a possibilidade da estabilidade política com a legitimidade do processo eleitoral, são fatores que apontam para um cenário otimista. De perfil liberal e defensor da menor participação possível do Estado nas dinâmicas econômicas, o ministro anunciado pretende levantar pautas como reforma do modelo previdenciário, redução de impostos e simplificação da estrutura fiscal. Paralelamente, o novo governo terá o desafio de garantir a retomada da economia brasileira depois de quatro anos de recessão e de baixo crescimento no país.

 

ESPECIAL DIA DA MULHER: A ASCENSÃO DAS MULHERES EM CARGOS DE LIDERANÇA
ESPECIAL DIA DA MULHER: A ASCENSÃO DAS MULHERES EM CARGOS DE LIDERANÇA

A importância da mulher no mercado de trabalho é um tema que tem conquistado espaço nos últimos anos. No entanto, o assunto continua extremamente atual com a proximidade da data que mais ilustra a força feminina no mundo – o Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje, dia 8 de março. “O dia da mulher vai muito além da data, é uma jornada para conquistar seus objetivos pessoais e coletivos e o merecido espaço de relevância no mercado de trabalho. Temos a honra de ser um exemplo em ações que reconheçam a força e a presença da mulher”, afirma Marcelo Nóbrega, Diretor de Recursos Humanos do McDonald’s.

Na empresa, essa jornada feminina para alcançar posições de destaque se mostra cada vez mais efetiva e cerca 60% dos cargos de liderança nos restaurantes são ocupados por elas. Dentro da rede McDonald’s o plano de carreira é apresentado desde o início – que, para muitos, significa o primeiro emprego. Prova disso é o número elevado de Gerentes que começaram na função de Atendentes de Restaurante e foram se desenvolvendo ao longo do tempo, crescendo diversas posições, o que significa que todos têm a mesma importância e chances de crescimento.

Exemplo dessa realidade, Lívia Fernandes, Diretora de Operações do McDonald’s Brasil, é responsável por 450 restaurantes e 15.000 colaboradores. Lívia começou na companhia com apenas 15 anos, como Atendente. Atualmente, há 27 anos na empresa, ela acumula passagem por diversas funções, uma graduação em Marketing e muita história para contar – principalmente dos tempos em que trabalhava todos os dias no restaurante. Desde o segundo semestre de 2018 ocupa o cargo de Diretora, posição que conquistou por meio de muita dedicação e estudo.

Confira abaixo os principais conselhos de Lívia para o sucesso na carreira:

Hoje nós temos algumas mulheres que são referência no mundo dos negócios. O que você pensa sobre isso? Você já passou por um grande desafio por ser mulher?

Eu fui promovida à Gerente de Operações sete meses depois que minha segunda filha nasceu e um mês depois que voltei de licença. Era a oportunidade que eu mais queria na vida e precisei me organizar para dar conta destes dois momentos tão importantes ao mesmo tempo. E eu consegui. Ser mulher é poder tudo: trabalhar, ser mãe, viajar, liderar uma equipe. Somos extremamente competentes, fazemos bem feito e conseguimos resultados duradouros quando nos dedicamos. Hoje, das 15 mil pessoas que estão abaixo do meu “guarda-chuva”, na gerência das unidades, 60% são mulheres. E são mulheres guerreiras, que estão à frente de negócios grandiosos. O restaurante da rede que mais vende no Brasil, por exemplo, é comandado por uma mulher.

O que te inspirou a se tornar quem você é hoje na empresa?

As pessoas sempre me inspiraram. Aqui nós lidamos com pessoas de diferentes perfis e realidades: que moraram na rua, que não têm uma geladeira em casa, que fazem sua principal refeição no McDonald’s. É tão bom poder ajudar a desenvolve-las, vê-las crescendo, mudando de vida. E tudo o que me inspira aqui eu levo para a casa, como a disciplina e esse espírito de equipe que faz qualquer resultado acontecer.

Alguma dica para outras mulheres que estão começando ou mesmo no meio do caminho?

Nunca desista de seus sonhos e sempre seja você mesma, em total transparência com a sua essência. Não existe idade para começar, por isso sempre aprenda coisas novas e se voluntarie nos projetos mais difíceis, porque o processo de desenvolvimento é uma espiral que não tem fim. A competência é algo valioso e pessoal, então é muito importante sempre se dedicar ao máximo para entregar o melhor que pode. E nunca esqueça de conciliar a vida profissional com a vida pessoal, porque se cuidar, fazer academia, meditar, ler e estar com a família nos faz mais felizes e bem-humorados.

Como equilibrar as rotinas em casa e no trabalho?

Tenho usado muito a tecnologia ao meu favor. O objetivo é estar sempre perto: do time, dos clientes e da família. Sou mãe, sou esposa e sou mulher. Faço questão de participar do dia a dia dos meus filhos, Luan, de 16 anos, e da Mel, de 10 anos, e nem por isso deixo nada a desejar no meu trabalho. Mas isso requer um planejamento rígido de horários, agendas pré-estabelecidas e, inclusive, o dom de saber falar “não” quando necessário.

ISAAC EDINGTON – SALTUR – EMPRESA DE TURISMO S/A
ISAAC EDINGTON - SALTUR - EMPRESA DE TURISMO S/A

BE – Nos últimos anos os blocos de rua no carnaval de Salvador tem perdido espaço para os grandes camarotes instalados no circuito e fora dele. Em 2019 existe alguma novidade de atração para o folião voltar às ruas durante o carnaval?

IE- Nesse aspecto é preciso analisar alguns pontos importantes. Temos um produto grande que é o carnaval e ele passa por momentos e movimentos de sazonalidade. Nós últimos anos os blocos de carnaval tem perdido especo para os camarotes, mas em 2019 as coisas já vão ser diferentes. Esse é um movimento sazonal onde uma hora o folião opta pelo camarote, outra ele opta pelo circuito. A prefeitura tem tido muitas reuniões com os organizadores do carnaval e o que eu tenho ouvido é que em 2019 já não vai existir uma diferença tão grande entre camarotes e blocos. Essa é uma movimentação complexa que cabe aos organizadores trabalharem. Os blocos viram a necessidade de ficarem mais atrativos em termos de preços e condições para o folião. Nós acreditamos que o produto carnaval não perde com essa questão. É só um movimento momentâneo do folião.

BE-  A ordem dos desfiles dos blocos de carnaval também gera muito debate interno entre os artistas e na imprensa. Qual o critério a saltur utiliza para liberação dos blocos no carnaval?

IE- Essa questão é delimitada por um acordo que existe entre a prefeitura, os blocos de carnaval e as instituições de que organizam o carnaval formada pelos empresários. O Ministério Público também atua. O Critério principal é a antiguidade. Essa não é uma questão problemática no carnaval. Tudo é resolvido em reuniões onde se segue o que está no acordo. A prefeitura também auxilia colocando atrações naqueles dias onde o circuito não apresenta uma grande quantidade de trios. Assim, o folião que vem para cá não fica nenhum dia sem uma grande atração. Os próprios blocos de carnaval também se organiza para que não haja conflitos ou concentrações de foliões em dispersão em outras áreas. É uma questão tranquila.

BE- Qual a expectativa de movimentação financeira no carnaval de salvador?

IE- O carnaval em si faz parte de um grande contexto do verão na capital. Ele é um dos produtos que ajuda a movimentação financeira na estação do ano. Ano passado nós conseguimos movimentar em média R$ 1,87 Bilhões. Esse ano a expectativa é superar os 2 Bilhões de reais em movimentação financeira no verão. São mais de 50 pontos da economia que se beneficiam com a estação do ano. Bares, restaurantes, hotelaria, serviços tudo acaba ampliando sua movimentação durante a estação e isso é importante para economia da capital

BE – O trade turístico tem reclamado muito que o preço das diárias de Salvador para hospedagem não sofrem reajuste a cinco anos. Nesse período de carnaval os hotéis, principalmente no circuito lotam e muitas vezes não cobrem as despesas.  Como o senhor analisa essa situação?

IE-  A prefeitura tem feito um trabalho extenso de divulgação da cidade e o turista tem vindo para capital. A questão da diária é uma coisa de mercado. Quando se aumenta o valor acaba que o turista acaba não ficando, então é uma questão de mercado que os hotéis precisam sentar para resolver. A prefeitura tem feito seu papel indo a reuniões e apresentando salvador pelo Brasil todo inclusive fora do país, então o turista vem procurando aquilo que for melhor para ele e a diária é um dos pontos que eles levam em conta na hora de se hospedar.

BE – Existem rumores da criação de um novo circuito na região onde acontece o réveillon de salvador. Existe a possibilidade desse novo circuito para o carnaval?

IE – existe uma proposta da iniciativa privada de se fazer um carnaval ali na área do antigo aeroclube no mês de outubro na semana do feriadão do dia 12. O objetivo é atrair o turista para capital naqueles cinco seis dias que tem dois feriados juntos com uma grande festa ali. Essa proposta é exclusivamente da iniciativa privada, porém a prefeitura sabendo da iniciativa já abraçou a causa e se disponibilizou a ajudar em todos os aspectos.  Inclusive com a montagem da infraestrutura completa no local. Mas como eu disse precisa a iniciativa privada tirar a ideia do papel para que as coisas aconteçam. Em relação ao carnaval não existe nenhuma movimentação para criação de um novo circuito ali no aeroclube. O carnaval vai continuar no centro e na barra.

ROBERTO DURAN – PRESIDENTE DA SALVADOR DESTINATION
ROBERTO DURAN - PRESIDENTE DA SALVADOR DESTINATION

BE- O Centro de convenções da Bahia teve sua ordem de serviço assinada na ultima semana. O projeto deve ficar pronto em 2019. Qual a expectativa do setor turístico para o novo equipamento? 

RD – Ele será um divisor de aguas para o setor do turismo, tendo um impacto maior,  claro, no turismo de negocio, o qual vinha há  5 anos sem infra estrutura para alavancar o segmento, visto que um Centro de Convenções de grande porte é o principal indutor do destino neste seguimento, inclusive para os demais pequenos centros instalados nos hotéis.

BE – O governo do estado continua tramitando internamente o processo de licitação para o Centro de Convenções da paralela, que terá um grande complexo com hospitais e áreas de lazer. A previsão é de uma licitação até dezembro. O senhor acredita que esse projeto possa sair do papel?

RD – Gostaríamos muito de acreditar, porém já passamos da fase de promessas, embora continuamos na esperança de um dia termos um outro grande Centro de Convenções, visto que nossa Cidade tem potencial para termos mais de dois equipamentos e de porte muito maior.

BE- A Área do antigo Centro de Convenções ainda continua sendo alvo de um processo na justiça. O Trade já chegou a dizer que o melhor lugar para o Centro seria onde ele estava. A escolha da prefeitura para região do aeroclube agrada o trade?

RD – Sem sombra de duvida aquela região, além de ser geograficamente equidistante de todo parque hoteleiro de Salvador, ao longo dos 37 anos de funcionamento do antigo centro de convenções se estruturou com um conjunto de serviço para esta atividade, tornando esta localização a mais apropriada para a construção do novo Centro de Convenções.

BE- O Trade já começou as negociações para atração de eventos para o novo equipamento? Como está esse processo? 

RD – Sim, claro, desde o ano passado a Salvador Destination vem encabeçando este processo, buscando atrair congressos, feiras e convenções de medio e grande porte. Iniciamos o processo de captação com entidades e formadores de opinião regionais, avançamos este ano para os nacionais e já estamos implementando as ações para as grandes entidades internacionais e mundiais. Temos  apalavrado 12 congressos nacionais e internacionais para o novo equipamento, com possibilidade de outros 18 serem concretizados a partir de 2020.

BE- A Bahia tem um potencial grande de atração de negócios turísticos. Uma das regiões que mais tem a capacidade é a região sul e toda sua história e ligação com o cacau e o chocolate. Recentemente a região recebeu um mega evento do chocolate. Quais ações deveriam ser tomadas para o turismo de negócio se dissipar por toda Bahia?

RD – O primeiro passo a ser dado é o governo ter vontade politica em desenvolver esta atividade econômica. Se este passo for ultrapassado e o governador realmente demonstrar tal interesse é só trabalhar, visto que  qualificação e beleza naturais ja temos, faltando apenas a infra estrutura crucial para implementação desta atividade em condições de concorrer como o resto do mundo.

RODOLFO ALVES – HEAD OF CONSULTANCY DA COREBIZ
RODOLFO ALVES - HEAD OF CONSULTANCY DA COREBIZ

BE- O comércio Eletrônico deve se aproximar dos R$ 80 bilhões em volume de vendas em 2019. A que se deve essa expansão?

RA- Apesar de vivermos em um período de economia não favorável, o E-commerce realmente tem crescido de forma significativa quando comparado com o setor off-line. Acredito que existem dois fatores que contribuem muito para esse crescimento. O primeiro está ligado ao empreendedorismo, pois as pessoas encontraram na crise a oportunidade de trabalhar um nicho no Comércio Eletrônico, isso já contribui para esse aumento. Segundo é a mudança na cultura das empresas de entender que o consumidor está mudando, ou seja, precisamos atender o cliente onde quer que ele esteja, adaptar a ele e não forçar o cliente a se adaptar a nossa realidade. Isso tem feito com que as empresas sejam mais flexíveis e ajude seu cliente a encontrar seu produto onde quer que ele esteja, tornando a experiência única.

BE-  O comércio de lojas ou aquele feito pessoalmente são pautados durante o ano por vários eventos e feiras que estimulam o setor. Porém, o comércio eletrônico só tem a Black Friday no final do ano. Se houvessem mais momentos de compra online o segmento poderia crescer mais?

RA- Na verdade, o Black Friday tem se tornado a data mais importante do Comércio Eletrônico desde o início, tanto por conta dos lojistas que entendem a importância dessa data, quanto pelo usuário que já entende que nesse dia em especial ele poderá encontrar promoções fora da curva. No entanto, o comércio eletrônico possuí várias oportunidades durante o ano que são pouco ou mal exploradas pelos lojistas. E possível trabalhar em várias sazonalidades ou até mesmo adaptar suas promoções de acordo com a busca dos usuários. Com o comportamento dos mesmo, se as empresas souberem aproveitar essas oportunidades, não há a necessidade de haver mais datas como essa e também não banaliza a Black Friday.

BE- O Brasil é um país com cargas tributárias exorbitantes. O comércio eletrônico não foge desse aspecto negativo do país. O governo ainda analisa a reforma tributária. Na sua opinião qual a importância dessa reforma para o comércio eletrônico?

RA- O principal desafio dos heads de um e-commerce hoje é fazer a conta fechar, ou seja, trabalhar para que a operação não dê prejuízo. Com isso, trabalhamos otimizando custo da operação em todas as frentes e, em muitas vezes, essa conta não bate, o que acaba fechando algumas operações que não têm tanto poder de barganha sobre o seu negócio. A reforma tributária contribuiria muito para que essas operações não baixassem as portas e ajudaria o restante do mercado a trabalhar com ofertas mais significativas para os clientes e melhorar a qualidade de todos os serviços prestados.

BE- Quais os pontos que o governo deve abraçar nessa reforma para ajudar o segmento?

RA- Na prática somos tão prejudicados quando o mercado físico. Se melhorarmos a reforma de acordo com o proposto, todos seremos beneficiados.

BE-  Qual a expectativa de geração de empregos através do comércio eletrônico em 2019?

RA- Mesmo perante a crise, continuamos crescendo e esse ano não será diferente, pelo contrário, esperamos crescer pelo menos 15% em relação ao último ano. Com isso, requer a necessidade de mais pessoas qualificadas para fazer isso acontecer. Consequentemente, o número de empregos aumentará muito.

PROFESSOR RICARDO BALISTIERO FALA SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA
PROFESSOR RICARDO BALISTIERO FALA SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

BE- A previdência no Brasil ocupa um dos maiores gastos do poder público atual. Especialistas apontam que caso a reforma não seja feita o Brasil pode quebrar economicamente. Como o senhor avalia a necessidade da reforma da previdência?

RB- Há necessidade se impõem primeiramente em função do Brasil ser um dos últimos países do mundo no qual as pessoas se aposentam por tempo de contribuição e não por idade. Com o avanço da medicina e a elevação da expectativa de vida, as pessoas muitas vezes passam mais tempo inativas do que ativas, o que torna o sistema insustentável financeiramente. Além disso, os regimes próprios (que possibilitam, por exemplo, alguém se aposentar cedo e com salário integral) tornam o sistema ainda mais deficitário e profundamente injusto.

BE – Quais os pontos mais importantes que devem ser abordados pelo governo na reforma da previdência?

RB – Regra Básica: o regime previdenciário deve ser igual para todos os brasileiros, sem exceções de qualquer natureza. Esse seria um bom começo. Qualquer exceção feita colocará a reforma em risco.

BE- A proposta da reforma da previdência que inclui os planos militares, dos servidores públicos, e do trabalhador comum é viável como uma alternativa para a previdência?

RB- Não só é viável, como imprescindível. Sem essa premissa, a reforma não terá o efeito de corrigir distorções e gerará ônus aos mais pobres, aprofundando as desigualdades.

BE- A capitalização da previdência seria uma alternativa viável a curto e médio prazo no Brasil hoje?

RB- Não. É impossível a adoção de um regime de capitalização sem antes combater os privilégios. Além disso, em um regime de capitalização, as contas serão individuais, ou seja, eu pago para obter o meu benefício no futuro. A questão central é: quem pagará a conta daqueles que não aderirem ao regime de capitalização? Portanto, essa pode ser uma boa ideia, mas a implantação somente deverá ocorrer anos após que a reforma da previdência estiver concluída.

BE – A participação dos estados, com aumento da contribuição dos servidores públicos, é uma alternativa debatida em alguns núcleos políticos no país. Aumentar a alicota de contribuição de servidores e dos militares é uma alternativa para previdência hoje ?

RB- Seria um paliativo de curto prazo, mas a adoção de um regime geral para todos os brasileiros é a solução definitiva.

BE- Qual a sua expectativa para previdência em 2019 caso a reforma não seja aprovada?

RB- A expectativa é de aprovação de alguma reforma, mas ainda há várias dúvidas, uma vez que o candidato Bolsonaro não apresentou seu plano para a reforma da previdência e o presidente Bolsonaro, até o momento, idem. Os sinais emitidos pelo governo ainda são muito confusos e não é possível projetar qual a reforma que será enviada para o Congresso e qual proposta final será aprovada (se é que será aprovada).

JOSÉ CARLOS ARAÚJO – PRESIDENTE DO PR NA BAHIA
JOSÉ CARLOS ARAÚJO - PRESIDENTE DO PR NA BAHIA

BE- Deputado, existem rumores de que o PR estaria brigando pela secretaria de infraestrutura no governo Rui e que o senhor seria cotado para assumir a pasta. O PR vai entrar na briga por uma pasta no secretariado de Rui?

JCA – Esses “rumores” eu desconheço. Não. Nunca fui cogitado e tampouco cogitamos entrar nessa “briga.”

BE- O senhor é um dos nomes colocados à disposição pela legenda para assumir uma pasta no governo Rui?

JCA – Novamente, nunca fui cogitado e nem cogitei isto.

BE- O PR pretende lançar um candidato à prefeitura de Salvador em 2020? Se sim quem seria?

JCA – Hoje a discussão não é bem a respeito de se teremos ou não candidato à Prefeitura de Salvador em 2020. Até porque, 2020 ainda está distante. Penso que, se houver um cenário favorável e sejamos provocados, podemos sim, entrar na disputa. Nomes? Também é cedo. É uma discussão para o futuro e como dizem os mais sábios, o futuro a Deus pertence.

BE- O senhor chegou a cogitar a hipótese de migrar para base do prefeito ACM Neto antes das eleições começarem. Essa chance ainda existe?

JCA – Mais uma vez, entramos no campo dos rumores. Não cogitei nem fui cogitado e no momento, não, não vejo a menor chance disto acontecer.

BE- O PR já teve um líder político que governou a Bahia e ainda é lembrado pelos baianos que é o César Borges. O partido pensa em buscar César para voltar a política e ser uma liderança forte no estado?

JCA – Há um equívoco nessa questão. O PR nunca teve um dos seus líderes governando a Bahia. A passagem de César Borges pelo PR foi marcante, sim. Sob seu comando, o partido encolheu drasticamente em todo o estado e hoje, sinceramente, o PR já caminha naturalmente para se tornar (ou já é) uma liderança na Bahia sem a necessidade de recorrer a pessoas de fora dos seus quadros e a nível nacional, já se tornou a terceira maior bancada na Câmara Federal.

BE- O senhor participou de comissões importantes na câmara dos deputados que culminaram em condenações de Eduardo cunha e outros políticos. Porém a visibilidade não garantiu sua reeleição. Como o senhor avalia seu último mandato na câmara?

JCA – Olha, realmente, participei de várias comissões importantes: a de Defesa do Consumidor foi uma delas; no entanto, o que me deu maior projeção ou visibilidade, como preferir, foi a minha atuação na presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da qual fui presidente por três vezes ou seis anos consecutivos. Principalmente durante o processo que culminou com a cassação do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha.  Quanto à questão de não ter sido reeleito, creio que, apesar de ser um fato lembrado em todo o Brasil o que faz com que eu seja reconhecido em restaurantes, aeroportos, em táxis e até mesmo em cidades do exterior, talvez tenha sido um fato pouco explorado durante a campanha e isso tenha tido impacto no resultado negativo. Mas posso garantir – e me orgulho disso: apesar de toda a perseguição que sofri no período – o meu trabalho no Conselho de Ética durante a cassação de Cunha foi, seguramente, o ponto de partida, um dos pilares para a consolidação desta guerra de combate à corrupção que tanto envergonhava o país. Quanto a não ter sido reeleito, é bom lembrar que a memória do brasileiro é curta. Mas eu fiz a minha parte, cumpri o meu papel e continuo combatendo o bom combate; não me retirei do campo e continuarei como sempre: lutando pelo povo da Bahia.

JOÃO LEÃO – VICE GOVERNADOR DA BAHIA
JOÃO LEÃO - VICE GOVERNADOR DA BAHIA

BE-  O PP tem negociado com alguns deputados e caso as negociações sejam concretizadas ele se tornará o partido com maior número de representantes na Alba. Superando o PT. Como o senhor avalia a força do PP na Bahia?

JL-  A força do Progressistas na Bahia está na credibilidade dos nossos deputados que representam os interesses do povo baiano. Nossos deputados são competentes e comprometidos apenas com o desenvolvimento do Estado da Bahia. O povo reconhece quem trabalha.

BE- O PP pretende brigar pela presidência das comissões de justiça e de finanças na Alba em 2019?

JL-  O Progressistas é um partido que dialoga com todos os outros partidos. Nós estamos à disposição para ajudar a Assembleia Legislativa da Bahia a realizar um maravilhoso trabalho em prol da Bahia. Não vamos brigar por nada. Vamos brigar por uma Bahia melhor para os baianos.

BE-  O governador Rui Costa está planejando seu novo secretariado e a pasta de planejamento deve continuar com o senhor ou existe algum projeto especifico para o senhor cuidar exclusivamente da ponte salvador Itaparica?

JL-  Quem fala por esse assunto é o governador Rui Costa

BE-  O senhor vai indicar o novo secretario da Seplan?

JL-  Quem fala por esse assunto é o governador Rui Costa

BE-  Como está o projeto da ponte salvador Itaparica? O governo do estado já tem os recursos disponíveis para o projeto? Se não como o projeto vai continuar?

JL – O projeto da ponte está pronto. Já no próximo mês lançaremos o edital de licitação da obra e já temos empresas interessadas na realização desta grandiosa obra. Este projeto é uma PPP e a parte que cabe ao governo da Bahia já está garantido.

BE-  Como o senhor avalia a participação do PP no âmbito nacional em relação ao governo Jair Bolsonaro? A relação de apoio no âmbito nacional pode atrapalhar o governo do estado?

JL-  O Partido Progressista apoia o Brasil. Vamos trabalhar para construir um país digno para os brasileiros. Se a pauta do presidente é boa para o Brasil e para todos os brasileiros o Progressistas apoiará. Nosso compromisso é com o povo brasileiro. Aqui na Bahia estamos ajudando o governador Rui Costa a fazer uma gestão que vem sendo reconhecida em todo Brasil. Esse é o objetivo do Progressistas. Gestão competente!

SERGIO FARIA – VICE PRESIDENTE DA TPC
SERGIO FARIA - VICE PRESIDENTE DA TPC

BE-  Qual a expectativa das exportações da Bahia em 2019, visto que a tendência colocada pelo mercado é que a economia retome uma linha de crescimento maior que em 2018 ?

SF – A expectativa para as exportações baianas em 2019 é positiva. 2018 foi um ano muito bom para o agronegócio e a perspectiva é que isso se repita em 2019. Além disso, a indústria automotiva, que enfrentou graves dificuldades em 2018, começar a dar sinais de recuperação com o reaquecimento das vendas do setor. Para além das particularidades da economia baiana, o clima no setor produtivo em geral é de otimismo, com os investidores retomando a confiança e apostando em um novo momento para o País.

BE – Uma das reformas que o governo Bolsonaro e sua equipe econômica colocou em discussão para o seu governo foi a reforma fiscal. Quais os pontos em termos de ajustes fiscal que você acredita são mais importantes para se abordar na reforma fiscal ?

SF – Ainda não se sabe o quê exatamente será feito pelo novo governo em termos de reforma fiscal, mas o discurso de corrigir distorções, evitar o aumento da carga tributária para o setor produtivo, criar condições para estabilidade jurídica visando novos investimentos a médio e longo prazo, eliminar privilégios setoriais, fomentar exportações, austeridade no controle dos gastos públicos, privatizações e combate à corrupção é tudo o que o País precisa para retomar o crescimento econômico.

BE – O governador está com duas empresas grandes da China interessadas em investir no complexo viário do Oeste. Esse projeto tem mais de 10 anos na mão do governo, porém não avançou muito. Caso saia do Papel quais as vantagens que ele traria para as exportações do estado?

SF – Se o projeto sair do papel, será algo direcionado para o setor de mineração. O Porto Sul voltado para escoamento de grãos e movimentação de contêineres, como originalmente pensado, é um equívoco e não se viabiliza.

BE – O governo Bolsonaro prometeu reduzir o número de ministérios e reduziu. O senhor sentiu que poderia existir mais espaço para o setor de exportações na nova modelagem do governo federal? Como o senhor avalia a montagem dos ministros de bolsonaro para a questão dos portos no Brasil?

SF- Houve uma redução numérica de ministérios e creio que isso seja importante. Entretanto, o que me parece mais significativo é a redução da influência do critério político partidário na escolha dos ministros, com maior valorização de elementos como capacidade técnica e idoneidade moral para o exercício das funções de Ministro de Estado. Especificamente com relação ao setor portuário, acho que a incorporação de várias pastas em um ministério único de infraestrutura, por si só, não significa menor atenção ao setor. Na realidade, o que até aqui se fazia era ampliar o número de ministérios com o fim específico de criar uma oferta maior de cargos que eram distribuídos para atender à demanda dos políticos e seus partidos. A perspectiva de encerramento dessa política do “toma-lá-dá-cá” é uma sinalização muito positiva, condição necessária (ainda que não suficiente) para a melhoria da eficiência e da moralização do Estado Brasileiro.

BE – O senhor é contra ou a favor da política de privatização de portos e aeroportos que o governo pretende estender em 2019?

SF- Sou plenamente favorável. Não tenho dúvidas de que a iniciativa privada está pronta para ocupar esse espaço e promover as transformações necessárias. O que o investidor precisa é de segurança jurídica para planejar seus negócios no longo prazo.

BE-  O BNDES é um órgão que ajuda muito na exportação pelo fornecimento de credito ao produtor entre outras questões. Qual sua expectativa com a gestão de Joaquim Levy ?

SF – O Joaquim Levy é um técnico altamente qualificado, com uma visão completa dos principais gargalos da nossa economia e sabe a necessidade de investimentos estratégicos em infraestrutura, de modo que a minha expectativa é inteiramente favorável.

PREFEITO DE SALVADOR ACM NETO
PREFEITO DE SALVADOR ACM NETO

CORREIO – A decisão de não concorrer ao governo do estado provocou muitas reações entre líderes da oposição, a maioria de insatisfação. Como o senhor avalia hoje a opção por continuar à frente da prefeitura?

ACM NETO  – Esse é um episódio inteiramente superado. Foi uma decisão tomada em abril e, de lá para cá, já houve tempo suficiente para que a decisão fosse assimilada, tanto por aqueles que concordaram quanto por aqueles que discordaram. Hoje, mais do que nunca, vejo que foi uma decisão acertada. Claro que contrariou a lógica da política, que sempre é a busca por poder, por mais e mais espaços. Optei por trilhar outro caminho, que foi o de respeitar o compromisso que eu havia firmado em 2016 com a população de Salvador. Na política, existem momentos que são cruciais. Aquele foi um para minha vida. Sempre tive consciência de que as consequências, para o bem ou para o mal, recairiam sobre mim. Muitos reagiram com sentimento de contrariedade, agora compreendem que eu só tinha aquele caminho a adotar. Não há nenhum arrependimento, pelo contrário.

CORREIO – Mesmo assim, teria feito algo diferente no processo?

ACM NETO – Muita gente questionou se não seria melhor ter anunciado com antecedência minha decisão. Digo que não, por dois motivos. Primeiro, porque mesmo dando todos os sinais para meu grupo – e eram sinais muito evidentes -, havia resistência muito grande de todos, que não queriam que eu decidisse por não me candidatar nem admitiam que eu antecipasse decisão negativa. E eles fizeram um trabalho legítimo de pressão até o último instante. Segundo, porque havia elementos do campo da articulação política que só ficaram claros, realmente, no final do processo. Acho que fica uma lição para o meu grupo político de que é importante ter quadros, e não apenas um só, preparados para desempenhar papéis relevantes. Apesar de que Zé Ronaldo (ex-prefeito de Feira e candidato do DEM ao governo), com toda dificuldade que enfrentou, cumpriu bem seu papel. Não fizemos feio, embora tenhamos sofrido uma derrota importante.

CORREIO – Acha que perdeu capital eleitoral por não se candidatar, como pensa uma parte de seus aliados e adversários políticos?

ACM NETO – Quem vive a política sabe muito bem que ela é uma roda-gigante. Do mesmo jeito que você está embaixo em um momento, pode estar em cima logo em seguida. Tomei uma decisão a médio e longo prazos, olhando para um projeto de futuro, e não apenas a circunstância imediata ou o incômodo momentâneo. Eu sigo adiante, com tempo para continuar trabalhando, com foco em concluir minha gestão nos próximos dois anos, deixando um legado verdadeiro de recuperação e transformação para a cidade. Depois, é olhar para o futuro, com calma, equilíbrio e atenção necessários para tomar as decisões corretas. Veja que o governador Rui Costa acabou de se reeleger com votação estrondosa e já está enfrentando uma série de problemas para seu segundo mandato, cobranças inevitáveis de alguém que omitiu a situação fiscal grave que vivia o estado, com o objetivo de se reeleger.

CORREIO -Pensando no futuro próximo, quais são seus planos para as  disputas de 2020 e 2022?

ACM NETO – Sobre 2020, é óbvio que vou trabalhar para fazer meu sucessor e vou ter a liberdade que não tive em 2016 para participar de eleições pelo interior. Na medida em que não serei candidato, isso me deixará mais livre para me movimentar. Em relação a 2022, está muito longe para fazer planos. Ainda tem muita água para rolar.

CORREIO – Sobre 2020, existe um desenho prévio sobre o palanque da tropa aliada?

ACM NETO – Temos uma base que foi montada inicialmente em 2012 e que foi sendo reforçada ao longo do tempo. É natural que entrem alguns e saiam outros. Não dá para dizer com quantos partidos iremos contar ou quais serão eles. Há uma novidade para 2020 que vai mudar muito a política do Brasil, que é o fim das coligações proporcionais. Isso vai gerar um processo inevitável de seleção natural de partidos. Cada vez serão menos legendas, o que pode gerar uma configuração diferente no jogo das eleições municipais. Felizmente, temos muitos quadros capazes de liderar uma chapa na disputa. Na hora certa, vamos trabalhar isso. Não vou antecipar calendário.

CORREIO – Como o senhor vê até agora as primeiras sinalizações da equipe que assumirá o comando do país?

ACM NETO – São mais positivas do que negativas. O saldo das primeiras medidas anunciadas é positivo. Em geral, o presidente Jair Bolsonaro montou uma boa equipe. Ele tem mantido coerência com o que prometeu na campanha. Isso é uma coisa muito importante. Agora, é aguardar o jogo começar para valer. A primeira partida começa em janeiro. Já passei por isso. Você ativa um cronômetro com contagem regressiva. Existe um período de lua de mel da sociedade, de tolerância, mas que não demora. Depois, vem o período de cobranças. Eles terão que estar preparados para dar respostas.

CORREIO – Onde o futuro presidente tem que acertar de imediato?

ACM NETO – O grande lance é a economia. Está provado que toda avaliação de governo depende da economia. Para ela ir bem, será preciso articulação política. Para mim, o principal desafio será construir uma maioria que garanta, nas duas Casas (Câmara dos Deputados e Senado), aprovação da agenda de reformas que o país precisa.

CORREIO – Quais são os pontos em que o DEM e o presidente eleito convergem e divergem?

ACM NETO – No campo econômico, há muita convergência. Não diria que 100%, mas a maioria da agenda adotada até agora vai ao encontro do que pensamos.

CORREIO – Reformas estão dentro desse pacote de convergências?

ACM NETO – Sim. A da Previdência, por exemplo. Concordamos também que é preciso simplificar o sistema tributário, diminuir o peso do estado, privatizando empresas que não têm sentido continuarem sendo públicas, reformar o setor público, eliminando privilégios inaceitáveis. Existe, contudo, outra agenda, que é menos de posição partidária e mais de posicionamento de cada parlamentar, que é a agenda de costumes. É muito provável que, nesse campo, o DEM não feche questão e libere os seus parlamentares. Um exemplo é o projeto Escola Sem Partido. Não há consenso no DEM. Há quem apoie e quem não apoie, como eu. Acho particularmente ruim. Existem outros problemas na educação para resolver. O mesmo ocorre com a redução da maioridade penal, com a flexibilização do porte de armas.

CORREIO – Acha que o governo Bolsonaro tende a perseguir o PT na Bahia?

ACM NETO – Nunca vou torcer por isso, nem trabalhar por qualquer tipo de perseguição. O governador se dizia perseguido pelo presidente Michel Temer. No entanto, a Bahia foi um dos estados que mais receberam transferência de recursos do atual governo federal. Teve empréstimo do Banco do Brasil, verbas para  o metrô. Chorou de barriga cheia. Se há exemplo de vítima de perseguição, esse sou eu, no período de Dilma Rousseff na Presidência. Caberá também ao governador construir seus caminhos. Não dá é para se manter no palanque, esculhambar o governo, o presidente, e cobrar como se fosse aliado.

CORREIO – Por que o senhor decidiu não ir à posse presidencial?

ACM NETO – Não decidi nada ainda. O que falam é apenas mera especulação.

CORREIO – Achou correto o pacote de medidas do governador aprovado pela Assembleia, sobretudo quanto ao aumento da alíquota previdenciária dos servidores?

ACM NETO – Eu sequer entrarei no mérito. Vou abordar a forma. Tínhamos um governador que, na campanha, apontava o dedo para os deputados que defenderam a reforma da Previdência ou votaram a favor da reforma trabalhista. Ele se elegeu com essa plataforma. Dizia que a Bahia vivia uma das melhores situações fiscais entre os estados do Brasil. Se gabava disso. Menos de dois meses depois de eleito, esse mesmo governador aumenta a alíquota previdenciária dos servidores e é obrigado a reconhecer que o estado enfrenta uma grave crise. Considero isso um verdadeiro estelionato eleitoral.

CORREIO – O senhor tem mais dois anos de mandato. Como evitar o desgaste que tradicionalmente atinge quem permanece no poder durante oito anos?

ACM NETO – Sempre procurando se reinventar, fazendo ajustes na gestão e mudando peças. Nós vamos agora, com calma, mudar algumas posições na administração. Não apenas nos altos escalões, mas nos níveis inferiores, justamente para dar novo oxigênio à equipe. Posso dizer que os anos de 2019 e 2020 serão marcados pelas grandes entregas à população. As principais entregas da minha gestão serão nesses dois anos.

CORREIO – Quais são elas?

ACM NETO – Posso fazer uma lista enorme. O Novo Mané Dendê, que será o maior conjunto de obras em saneamento básico da última década em Salvador, vai alcançar cinco grandes bairros do Subúrbio, com investimentos de R$ 500 milhões. Na educação, estamos construindo uma escola por semana. Temos o programa Pé na Escola, no qual vamos, ano que vem, matricular 11 mil crianças de 0 a 5 anos que estavam fora da pré-escola. Na saúde, estou inaugurando um posto por semana. Vamos ampliar o atendimento de urgência e emergência, inclusive com a decisão já tomada de construir a UPA da Cidade Baixa, que foi fechada pelo governo do estado. Em 2020, vamos fazer uma maratona, um grande mutirão, para zerar, de uma vez só, as filas de consultas e exames de diversas especialidades em Salvador. No turismo, vamos entregar o novo Centro de Convenções até o final do ano, obras na orla, entrega da primeira etapa da requalificação do Bonfim no início de janeiro, com a segunda ainda no primeiro semestre. No Centro Histórico, recuperação da Avenida Sete, Castro Alves, Terreiro de Jesus, Praça Cayru, implantação do Museu da Música, do Museu da História da Cidade. Na área de mobilidade, o BRT e as requalificações completas na Estrada Velha do Aeroporto e em São Cristóvão. Posso garantir que, em volume e de impacto de obras e programas, os próximos dois anos vão superar os seis anos anteriores somados.

CORREIO – Em que grau se dará a reformulação na prefeitura a partir de 2019?

ACM NETO – A espinha dorsal da prefeitura já existe e funciona muito bem. Não há por que mexer. Devo mudar cinco ou seis secretários, órgãos de segundo escalão, superintendências e diretorias. Fazer rodízio em áreas operacionais que estão na ponta também. Haverá ajustes políticos a fazer, mas esse processo poder ser a conta-gotas.

CORREIO – Setores estratégicos, como saúde, educação, mobilidade e desenvolvimento urbano podem sofrer troca de comando?

ACM NETO – Não posso aqui fulanizar. Quem me conhece sabe que não demito colaborador pela imprensa.

 

  • A entrevista foi concedida ao jornal Correio da Bahia