ENTREVISTAS

JOSÉ CARLOS ARAÚJO – PRESIDENTE DO PR NA BAHIA
JOSÉ CARLOS ARAÚJO - PRESIDENTE DO PR NA BAHIA

BE- Deputado, existem rumores de que o PR estaria brigando pela secretaria de infraestrutura no governo Rui e que o senhor seria cotado para assumir a pasta. O PR vai entrar na briga por uma pasta no secretariado de Rui?

JCA – Esses “rumores” eu desconheço. Não. Nunca fui cogitado e tampouco cogitamos entrar nessa “briga.”

BE- O senhor é um dos nomes colocados à disposição pela legenda para assumir uma pasta no governo Rui?

JCA – Novamente, nunca fui cogitado e nem cogitei isto.

BE- O PR pretende lançar um candidato à prefeitura de Salvador em 2020? Se sim quem seria?

JCA – Hoje a discussão não é bem a respeito de se teremos ou não candidato à Prefeitura de Salvador em 2020. Até porque, 2020 ainda está distante. Penso que, se houver um cenário favorável e sejamos provocados, podemos sim, entrar na disputa. Nomes? Também é cedo. É uma discussão para o futuro e como dizem os mais sábios, o futuro a Deus pertence.

BE- O senhor chegou a cogitar a hipótese de migrar para base do prefeito ACM Neto antes das eleições começarem. Essa chance ainda existe?

JCA – Mais uma vez, entramos no campo dos rumores. Não cogitei nem fui cogitado e no momento, não, não vejo a menor chance disto acontecer.

BE- O PR já teve um líder político que governou a Bahia e ainda é lembrado pelos baianos que é o César Borges. O partido pensa em buscar César para voltar a política e ser uma liderança forte no estado?

JCA – Há um equívoco nessa questão. O PR nunca teve um dos seus líderes governando a Bahia. A passagem de César Borges pelo PR foi marcante, sim. Sob seu comando, o partido encolheu drasticamente em todo o estado e hoje, sinceramente, o PR já caminha naturalmente para se tornar (ou já é) uma liderança na Bahia sem a necessidade de recorrer a pessoas de fora dos seus quadros e a nível nacional, já se tornou a terceira maior bancada na Câmara Federal.

BE- O senhor participou de comissões importantes na câmara dos deputados que culminaram em condenações de Eduardo cunha e outros políticos. Porém a visibilidade não garantiu sua reeleição. Como o senhor avalia seu último mandato na câmara?

JCA – Olha, realmente, participei de várias comissões importantes: a de Defesa do Consumidor foi uma delas; no entanto, o que me deu maior projeção ou visibilidade, como preferir, foi a minha atuação na presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da qual fui presidente por três vezes ou seis anos consecutivos. Principalmente durante o processo que culminou com a cassação do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha.  Quanto à questão de não ter sido reeleito, creio que, apesar de ser um fato lembrado em todo o Brasil o que faz com que eu seja reconhecido em restaurantes, aeroportos, em táxis e até mesmo em cidades do exterior, talvez tenha sido um fato pouco explorado durante a campanha e isso tenha tido impacto no resultado negativo. Mas posso garantir – e me orgulho disso: apesar de toda a perseguição que sofri no período – o meu trabalho no Conselho de Ética durante a cassação de Cunha foi, seguramente, o ponto de partida, um dos pilares para a consolidação desta guerra de combate à corrupção que tanto envergonhava o país. Quanto a não ter sido reeleito, é bom lembrar que a memória do brasileiro é curta. Mas eu fiz a minha parte, cumpri o meu papel e continuo combatendo o bom combate; não me retirei do campo e continuarei como sempre: lutando pelo povo da Bahia.

JOÃO LEÃO – VICE GOVERNADOR DA BAHIA
JOÃO LEÃO - VICE GOVERNADOR DA BAHIA

BE-  O PP tem negociado com alguns deputados e caso as negociações sejam concretizadas ele se tornará o partido com maior número de representantes na Alba. Superando o PT. Como o senhor avalia a força do PP na Bahia?

JL-  A força do Progressistas na Bahia está na credibilidade dos nossos deputados que representam os interesses do povo baiano. Nossos deputados são competentes e comprometidos apenas com o desenvolvimento do Estado da Bahia. O povo reconhece quem trabalha.

BE- O PP pretende brigar pela presidência das comissões de justiça e de finanças na Alba em 2019?

JL-  O Progressistas é um partido que dialoga com todos os outros partidos. Nós estamos à disposição para ajudar a Assembleia Legislativa da Bahia a realizar um maravilhoso trabalho em prol da Bahia. Não vamos brigar por nada. Vamos brigar por uma Bahia melhor para os baianos.

BE-  O governador Rui Costa está planejando seu novo secretariado e a pasta de planejamento deve continuar com o senhor ou existe algum projeto especifico para o senhor cuidar exclusivamente da ponte salvador Itaparica?

JL-  Quem fala por esse assunto é o governador Rui Costa

BE-  O senhor vai indicar o novo secretario da Seplan?

JL-  Quem fala por esse assunto é o governador Rui Costa

BE-  Como está o projeto da ponte salvador Itaparica? O governo do estado já tem os recursos disponíveis para o projeto? Se não como o projeto vai continuar?

JL – O projeto da ponte está pronto. Já no próximo mês lançaremos o edital de licitação da obra e já temos empresas interessadas na realização desta grandiosa obra. Este projeto é uma PPP e a parte que cabe ao governo da Bahia já está garantido.

BE-  Como o senhor avalia a participação do PP no âmbito nacional em relação ao governo Jair Bolsonaro? A relação de apoio no âmbito nacional pode atrapalhar o governo do estado?

JL-  O Partido Progressista apoia o Brasil. Vamos trabalhar para construir um país digno para os brasileiros. Se a pauta do presidente é boa para o Brasil e para todos os brasileiros o Progressistas apoiará. Nosso compromisso é com o povo brasileiro. Aqui na Bahia estamos ajudando o governador Rui Costa a fazer uma gestão que vem sendo reconhecida em todo Brasil. Esse é o objetivo do Progressistas. Gestão competente!

SERGIO FARIA – VICE PRESIDENTE DA TPC
SERGIO FARIA - VICE PRESIDENTE DA TPC

BE-  Qual a expectativa das exportações da Bahia em 2019, visto que a tendência colocada pelo mercado é que a economia retome uma linha de crescimento maior que em 2018 ?

SF – A expectativa para as exportações baianas em 2019 é positiva. 2018 foi um ano muito bom para o agronegócio e a perspectiva é que isso se repita em 2019. Além disso, a indústria automotiva, que enfrentou graves dificuldades em 2018, começar a dar sinais de recuperação com o reaquecimento das vendas do setor. Para além das particularidades da economia baiana, o clima no setor produtivo em geral é de otimismo, com os investidores retomando a confiança e apostando em um novo momento para o País.

BE – Uma das reformas que o governo Bolsonaro e sua equipe econômica colocou em discussão para o seu governo foi a reforma fiscal. Quais os pontos em termos de ajustes fiscal que você acredita são mais importantes para se abordar na reforma fiscal ?

SF – Ainda não se sabe o quê exatamente será feito pelo novo governo em termos de reforma fiscal, mas o discurso de corrigir distorções, evitar o aumento da carga tributária para o setor produtivo, criar condições para estabilidade jurídica visando novos investimentos a médio e longo prazo, eliminar privilégios setoriais, fomentar exportações, austeridade no controle dos gastos públicos, privatizações e combate à corrupção é tudo o que o País precisa para retomar o crescimento econômico.

BE – O governador está com duas empresas grandes da China interessadas em investir no complexo viário do Oeste. Esse projeto tem mais de 10 anos na mão do governo, porém não avançou muito. Caso saia do Papel quais as vantagens que ele traria para as exportações do estado?

SF – Se o projeto sair do papel, será algo direcionado para o setor de mineração. O Porto Sul voltado para escoamento de grãos e movimentação de contêineres, como originalmente pensado, é um equívoco e não se viabiliza.

BE – O governo Bolsonaro prometeu reduzir o número de ministérios e reduziu. O senhor sentiu que poderia existir mais espaço para o setor de exportações na nova modelagem do governo federal? Como o senhor avalia a montagem dos ministros de bolsonaro para a questão dos portos no Brasil?

SF- Houve uma redução numérica de ministérios e creio que isso seja importante. Entretanto, o que me parece mais significativo é a redução da influência do critério político partidário na escolha dos ministros, com maior valorização de elementos como capacidade técnica e idoneidade moral para o exercício das funções de Ministro de Estado. Especificamente com relação ao setor portuário, acho que a incorporação de várias pastas em um ministério único de infraestrutura, por si só, não significa menor atenção ao setor. Na realidade, o que até aqui se fazia era ampliar o número de ministérios com o fim específico de criar uma oferta maior de cargos que eram distribuídos para atender à demanda dos políticos e seus partidos. A perspectiva de encerramento dessa política do “toma-lá-dá-cá” é uma sinalização muito positiva, condição necessária (ainda que não suficiente) para a melhoria da eficiência e da moralização do Estado Brasileiro.

BE – O senhor é contra ou a favor da política de privatização de portos e aeroportos que o governo pretende estender em 2019?

SF- Sou plenamente favorável. Não tenho dúvidas de que a iniciativa privada está pronta para ocupar esse espaço e promover as transformações necessárias. O que o investidor precisa é de segurança jurídica para planejar seus negócios no longo prazo.

BE-  O BNDES é um órgão que ajuda muito na exportação pelo fornecimento de credito ao produtor entre outras questões. Qual sua expectativa com a gestão de Joaquim Levy ?

SF – O Joaquim Levy é um técnico altamente qualificado, com uma visão completa dos principais gargalos da nossa economia e sabe a necessidade de investimentos estratégicos em infraestrutura, de modo que a minha expectativa é inteiramente favorável.

PREFEITO DE SALVADOR ACM NETO
PREFEITO DE SALVADOR ACM NETO

CORREIO – A decisão de não concorrer ao governo do estado provocou muitas reações entre líderes da oposição, a maioria de insatisfação. Como o senhor avalia hoje a opção por continuar à frente da prefeitura?

ACM NETO  – Esse é um episódio inteiramente superado. Foi uma decisão tomada em abril e, de lá para cá, já houve tempo suficiente para que a decisão fosse assimilada, tanto por aqueles que concordaram quanto por aqueles que discordaram. Hoje, mais do que nunca, vejo que foi uma decisão acertada. Claro que contrariou a lógica da política, que sempre é a busca por poder, por mais e mais espaços. Optei por trilhar outro caminho, que foi o de respeitar o compromisso que eu havia firmado em 2016 com a população de Salvador. Na política, existem momentos que são cruciais. Aquele foi um para minha vida. Sempre tive consciência de que as consequências, para o bem ou para o mal, recairiam sobre mim. Muitos reagiram com sentimento de contrariedade, agora compreendem que eu só tinha aquele caminho a adotar. Não há nenhum arrependimento, pelo contrário.

CORREIO – Mesmo assim, teria feito algo diferente no processo?

ACM NETO – Muita gente questionou se não seria melhor ter anunciado com antecedência minha decisão. Digo que não, por dois motivos. Primeiro, porque mesmo dando todos os sinais para meu grupo – e eram sinais muito evidentes -, havia resistência muito grande de todos, que não queriam que eu decidisse por não me candidatar nem admitiam que eu antecipasse decisão negativa. E eles fizeram um trabalho legítimo de pressão até o último instante. Segundo, porque havia elementos do campo da articulação política que só ficaram claros, realmente, no final do processo. Acho que fica uma lição para o meu grupo político de que é importante ter quadros, e não apenas um só, preparados para desempenhar papéis relevantes. Apesar de que Zé Ronaldo (ex-prefeito de Feira e candidato do DEM ao governo), com toda dificuldade que enfrentou, cumpriu bem seu papel. Não fizemos feio, embora tenhamos sofrido uma derrota importante.

CORREIO – Acha que perdeu capital eleitoral por não se candidatar, como pensa uma parte de seus aliados e adversários políticos?

ACM NETO – Quem vive a política sabe muito bem que ela é uma roda-gigante. Do mesmo jeito que você está embaixo em um momento, pode estar em cima logo em seguida. Tomei uma decisão a médio e longo prazos, olhando para um projeto de futuro, e não apenas a circunstância imediata ou o incômodo momentâneo. Eu sigo adiante, com tempo para continuar trabalhando, com foco em concluir minha gestão nos próximos dois anos, deixando um legado verdadeiro de recuperação e transformação para a cidade. Depois, é olhar para o futuro, com calma, equilíbrio e atenção necessários para tomar as decisões corretas. Veja que o governador Rui Costa acabou de se reeleger com votação estrondosa e já está enfrentando uma série de problemas para seu segundo mandato, cobranças inevitáveis de alguém que omitiu a situação fiscal grave que vivia o estado, com o objetivo de se reeleger.

CORREIO -Pensando no futuro próximo, quais são seus planos para as  disputas de 2020 e 2022?

ACM NETO – Sobre 2020, é óbvio que vou trabalhar para fazer meu sucessor e vou ter a liberdade que não tive em 2016 para participar de eleições pelo interior. Na medida em que não serei candidato, isso me deixará mais livre para me movimentar. Em relação a 2022, está muito longe para fazer planos. Ainda tem muita água para rolar.

CORREIO – Sobre 2020, existe um desenho prévio sobre o palanque da tropa aliada?

ACM NETO – Temos uma base que foi montada inicialmente em 2012 e que foi sendo reforçada ao longo do tempo. É natural que entrem alguns e saiam outros. Não dá para dizer com quantos partidos iremos contar ou quais serão eles. Há uma novidade para 2020 que vai mudar muito a política do Brasil, que é o fim das coligações proporcionais. Isso vai gerar um processo inevitável de seleção natural de partidos. Cada vez serão menos legendas, o que pode gerar uma configuração diferente no jogo das eleições municipais. Felizmente, temos muitos quadros capazes de liderar uma chapa na disputa. Na hora certa, vamos trabalhar isso. Não vou antecipar calendário.

CORREIO – Como o senhor vê até agora as primeiras sinalizações da equipe que assumirá o comando do país?

ACM NETO – São mais positivas do que negativas. O saldo das primeiras medidas anunciadas é positivo. Em geral, o presidente Jair Bolsonaro montou uma boa equipe. Ele tem mantido coerência com o que prometeu na campanha. Isso é uma coisa muito importante. Agora, é aguardar o jogo começar para valer. A primeira partida começa em janeiro. Já passei por isso. Você ativa um cronômetro com contagem regressiva. Existe um período de lua de mel da sociedade, de tolerância, mas que não demora. Depois, vem o período de cobranças. Eles terão que estar preparados para dar respostas.

CORREIO – Onde o futuro presidente tem que acertar de imediato?

ACM NETO – O grande lance é a economia. Está provado que toda avaliação de governo depende da economia. Para ela ir bem, será preciso articulação política. Para mim, o principal desafio será construir uma maioria que garanta, nas duas Casas (Câmara dos Deputados e Senado), aprovação da agenda de reformas que o país precisa.

CORREIO – Quais são os pontos em que o DEM e o presidente eleito convergem e divergem?

ACM NETO – No campo econômico, há muita convergência. Não diria que 100%, mas a maioria da agenda adotada até agora vai ao encontro do que pensamos.

CORREIO – Reformas estão dentro desse pacote de convergências?

ACM NETO – Sim. A da Previdência, por exemplo. Concordamos também que é preciso simplificar o sistema tributário, diminuir o peso do estado, privatizando empresas que não têm sentido continuarem sendo públicas, reformar o setor público, eliminando privilégios inaceitáveis. Existe, contudo, outra agenda, que é menos de posição partidária e mais de posicionamento de cada parlamentar, que é a agenda de costumes. É muito provável que, nesse campo, o DEM não feche questão e libere os seus parlamentares. Um exemplo é o projeto Escola Sem Partido. Não há consenso no DEM. Há quem apoie e quem não apoie, como eu. Acho particularmente ruim. Existem outros problemas na educação para resolver. O mesmo ocorre com a redução da maioridade penal, com a flexibilização do porte de armas.

CORREIO – Acha que o governo Bolsonaro tende a perseguir o PT na Bahia?

ACM NETO – Nunca vou torcer por isso, nem trabalhar por qualquer tipo de perseguição. O governador se dizia perseguido pelo presidente Michel Temer. No entanto, a Bahia foi um dos estados que mais receberam transferência de recursos do atual governo federal. Teve empréstimo do Banco do Brasil, verbas para  o metrô. Chorou de barriga cheia. Se há exemplo de vítima de perseguição, esse sou eu, no período de Dilma Rousseff na Presidência. Caberá também ao governador construir seus caminhos. Não dá é para se manter no palanque, esculhambar o governo, o presidente, e cobrar como se fosse aliado.

CORREIO – Por que o senhor decidiu não ir à posse presidencial?

ACM NETO – Não decidi nada ainda. O que falam é apenas mera especulação.

CORREIO – Achou correto o pacote de medidas do governador aprovado pela Assembleia, sobretudo quanto ao aumento da alíquota previdenciária dos servidores?

ACM NETO – Eu sequer entrarei no mérito. Vou abordar a forma. Tínhamos um governador que, na campanha, apontava o dedo para os deputados que defenderam a reforma da Previdência ou votaram a favor da reforma trabalhista. Ele se elegeu com essa plataforma. Dizia que a Bahia vivia uma das melhores situações fiscais entre os estados do Brasil. Se gabava disso. Menos de dois meses depois de eleito, esse mesmo governador aumenta a alíquota previdenciária dos servidores e é obrigado a reconhecer que o estado enfrenta uma grave crise. Considero isso um verdadeiro estelionato eleitoral.

CORREIO – O senhor tem mais dois anos de mandato. Como evitar o desgaste que tradicionalmente atinge quem permanece no poder durante oito anos?

ACM NETO – Sempre procurando se reinventar, fazendo ajustes na gestão e mudando peças. Nós vamos agora, com calma, mudar algumas posições na administração. Não apenas nos altos escalões, mas nos níveis inferiores, justamente para dar novo oxigênio à equipe. Posso dizer que os anos de 2019 e 2020 serão marcados pelas grandes entregas à população. As principais entregas da minha gestão serão nesses dois anos.

CORREIO – Quais são elas?

ACM NETO – Posso fazer uma lista enorme. O Novo Mané Dendê, que será o maior conjunto de obras em saneamento básico da última década em Salvador, vai alcançar cinco grandes bairros do Subúrbio, com investimentos de R$ 500 milhões. Na educação, estamos construindo uma escola por semana. Temos o programa Pé na Escola, no qual vamos, ano que vem, matricular 11 mil crianças de 0 a 5 anos que estavam fora da pré-escola. Na saúde, estou inaugurando um posto por semana. Vamos ampliar o atendimento de urgência e emergência, inclusive com a decisão já tomada de construir a UPA da Cidade Baixa, que foi fechada pelo governo do estado. Em 2020, vamos fazer uma maratona, um grande mutirão, para zerar, de uma vez só, as filas de consultas e exames de diversas especialidades em Salvador. No turismo, vamos entregar o novo Centro de Convenções até o final do ano, obras na orla, entrega da primeira etapa da requalificação do Bonfim no início de janeiro, com a segunda ainda no primeiro semestre. No Centro Histórico, recuperação da Avenida Sete, Castro Alves, Terreiro de Jesus, Praça Cayru, implantação do Museu da Música, do Museu da História da Cidade. Na área de mobilidade, o BRT e as requalificações completas na Estrada Velha do Aeroporto e em São Cristóvão. Posso garantir que, em volume e de impacto de obras e programas, os próximos dois anos vão superar os seis anos anteriores somados.

CORREIO – Em que grau se dará a reformulação na prefeitura a partir de 2019?

ACM NETO – A espinha dorsal da prefeitura já existe e funciona muito bem. Não há por que mexer. Devo mudar cinco ou seis secretários, órgãos de segundo escalão, superintendências e diretorias. Fazer rodízio em áreas operacionais que estão na ponta também. Haverá ajustes políticos a fazer, mas esse processo poder ser a conta-gotas.

CORREIO – Setores estratégicos, como saúde, educação, mobilidade e desenvolvimento urbano podem sofrer troca de comando?

ACM NETO – Não posso aqui fulanizar. Quem me conhece sabe que não demito colaborador pela imprensa.

 

  • A entrevista foi concedida ao jornal Correio da Bahia
DÊNIO CIDREIRA – ARENA FONTE NOVA
DÊNIO CIDREIRA - ARENA FONTE NOVA

BE – Qual o balanço que o senhor faz do desempenho da Arena Fonte Nova em 2018

DC – 2018 foi um ano bem desafiador, mas nós conseguimos seguir nosso planejamento à risca. Registramos um aumento de 10% no número de pessoas que forma Arena. Elevamos a quantidade de eventos e chegando perto da nossa capacidade máxima, nós tivemos em 2018 um evento a cada 2,8 dias. Geramos cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos e tivemos uma quantidade bem elevada de eventos não esportivos, cerca de 40%,  e não tivemos mais por que o Bahia teve um volume de jogos maior que no ano passado, então eu posso afirmar que em 2018 nós alcançamos as metas traçadas.

BE- Quais as perspectivas para 2019 ?  

DC- Nós iniciamos 2019 com nosso projeto de verão, que iniciamos em 2018 e vamos repetir em 2019. Teremos Saulo e Durval , que  já foi um sucesso no ano passado,  e em 2019 eu acredito que será ainda melhor. Teremos alguns ensaios como o do Parangolé e convidados, teremos o Mortalha, antes do carnaval, e também haverá  durante o carnaval um carnavalito, por dois dias, onde reproduziremos uma Salvador cenográfica dentro da Arena Fonte Nova. O carnavalito será seguramente um esquenta para quem quiser curtir o carnaval a tarde e depois seguir para a rua ou para os camarotes, pois o evento começa à tarde. Mas em 2019 o grande destaque da Arena seguramente será a Copa América, quando sediaremos 4 jogos, um deles da Seleção Brasileira. Tivemos uma grande vitória por sermos a única capital do Nordeste a receber a Copa América. Vale destacar que Salvador será a única cidade do Norte de Nordeste que sediará jogos da Copa América.  Agente estima um volume bem elevado de turistas que virão para o evento. Estamos nos preparando juntamente com a Prefeitura e com o governo do Estado e também estamos negociando alguns shows internacionais para nos consolidar a Arena Fonte Nova como a maior arena multiuso do Norte Nordeste do Brasil.

BE- O que diferencia a Arena Fonte Nova de outros equipamentos de entretenimento e que tipo de parcerias vocês estão buscando para consolidá-la como um HUB de entretenimento?

DC- O primeiro ponto que diferencia a Arena dos demais equipamentos é que nós trabalhamos com muito planejamento. Nós procuramos identificar as necessidades dos usuários, o que as pessoas buscam, para nós oferecermos como diferencial.  Agente concorre com as grandes arenas espalhadas pelo país, principalmente nos shows internacionais, então agente busca que as pessoas que frequentam esse espaço o enxerguem como uma opção de entretenimento. Além disso é importante também que os produtores nos enxerguem como importante destino para seus shows. Então nós fazemos todo o trabalho operacional interno,  e uma parte operacional externa, que eu chamo de operação ampliada, ou seja queremos trazer o usuário desde de sua casa até a  Arena. Fizemos então  uma excelente parceria com o metrô e agora em 2019 vamos firmar uma parceria com o Aeroporto de Salvador, então o usuário tanto local quanto de fora tem toda facilidade para acessar a Arena, tanto chegando quanto saaindo, e isso tem sido um diferencial reconhecido.

BE- Você acredita que a Arena contribui para o turismo na Bahia e como essa interação ocorre?  

DC- Eu acredito que a Arena contribui muito para o turismo na Bahia. Nós estamos cada vez mais estreitando a relação com órgãos de turismo no estado e com os dirigentes desses órgãos ,  também com hotéis e com hotelaria em geral, inclusive colocando pessoas para visitar o equipamento. Estamos destacamos a qualidade do som que a Arena Fonte Nova oferece hoje, e nossa acústica é considerada das melhores do país. É um ponto de diferenciação em relação as demais arenas do país, então existe fazemos um trabalho para que as pessoas possam conhecer  nosso espaço.  Hoje em parceria com o trade turístico e os hotéis acompanhamos o turista desde ponto da chegada dele em Salvador até a sua volta para casa, através das nossas parcerias. É importante ressaltar todo nosso esforço de planejamento para que o turista saiba que ele vindo para Salvador ele vai ser assistido desde sua chegada, vai assistir um show com uma bela qualidade de áudio e depois voltar para casa com toda infraestrutura e segurança possível.

RUI COSTA – GOVERNADOR DA BAHIA
RUI COSTA - GOVERNADOR DA BAHIA

Valor: No fim da campanha, o então candidato Jair Bolsonaro disse que iria banir “esses marginais vermelhos” da nossa pátria. A Bahia deu 60% dos votos para o candidato do PT, Fernando Haddad. Vai ser difícil a relação do Estado com o governo federal?

Rui Costa: Eu espero que isso tenha sido apenas a retórica da campanha. Na posse, no dia 1º, ele vai jurar respeito à Constituição brasileira, que é clara ao dizer que vivemos em uma federação, e que Estados e municípios devem ser tratados de forma equânime e respeitosa. É isso que eu espero: um tratamento respeitoso, até porque os 15 milhões de baianos também são 15 milhões de brasileiros. Quando as pessoas chegam ao cargo de presidente ou governador, são chamadas pela sua consciência a ter grandeza, e não ficar governando com mesquinharia.

Valor: O senhor já tem audiência marcada com ele?

Rui: Nós formalizamos um documento [carta dos governadores do Nordeste] com um pleito de audiência, sem nenhum tom de cobrança, para ele marcar na melhor oportunidade de data, até porque ele está fazendo a transição, num período de intensas reuniões. Quando tomar posse, ele deve oficialmente chamar a gente. Tanto Dilma [Rousseff, ex-presidente] quanto o [presidente Michel] Temer reuniram os governadores do Nordeste, porque temos pautas específicas da região. Queremos discutir juntos porque isso poupa a agenda dele, ao invés de, seguidamente, nove governadores falarem do mesmo assunto.

Valor: O senhor conduz uma obra de grande porte na Bahia que é a ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), para o transporte de grãos e minério-de-ferro, e tem a China como potencial parceiro. Acha que as declarações de Bolsonaro contra a China podem impactar as negociações?

Rui: A obra até agora vem sendo feita com o orçamento da União [pela estatal Valec], sendo tocada em pequenos trechos, mas em um deles, cerca de 70% já foi executado [de Ilhéus a Caetité]. A ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] e o TCU [Tribunal de Contas da União] estão trabalhando juntos [no edital do leilão, previsto para dezembro]. Tem vários concorrentes, inclusive os chineses. Uma vez sentando na cadeira de presidente, ou de governador, você deve deixar as ideologias de lado e cuidar de gerar emprego e desenvolvimento. O Brasil não pode se dar ao luxo de descartar investidores internacionais porque não gosta desse país ou daquele. Temos que cativar investidores.

Valor: Atribui-se a vitória de Jair Bolsonaro, em grande parte, ao antipetismo que teria contaminado os brasileiros, ante as denúncias de corrupção nos governos petistas. O governo errou em não fazer uma aliança para apoiar Ciro Gomes, do PDT?

Rui: Não foi o antipetismo que venceu a eleição, foi a antipolítica, a rejeição ao establishment. O povo votou contra os políticos que representavam a política tradicional, contra esse modelo de alianças do toma-lá-dá-cá. Foi esse o recado. Quem por interesse político-partidário quiser fazer a leitura de que foi antipetismo, que faça. O Ciro [Gomes] bateu no PT, o [Geraldo] Alckmin bateu forte no PT a campanha inteira. Se alguém queria votar contra o PT, votaria no Alckmin, governador de São Paulo, com experiência de gestão.

Valor: Então o senhor acha que o PT não saiu derrotado da eleição?

Rui: O Alckmin foi governador quatro vezes, e perdeu feio no Estado dele. Quem foi o grande derrotado em São Paulo: o PT ou o Alckmin? Quem tinha força eleitoral? Se eu perdesse na Bahia, o derrotado seria o PT, porque eu era o governador. Ao perder de forma tão fragorosa, o grande derrotado em São Paulo foi o PSDB.

Valor: Mas Bolsonaro é deputado há 27 anos, como o senhor acha que ele conseguiu se apresentar aos eleitores como “o novo”?

Rui: Aí só procurando um cientista político, um sociólogo, um psicólogo para explicar como ele conseguiu passar essa imagem. Mas conseguiu, mérito dele. Apesar de ser deputado há 27 anos, de ter participado de todas as votações, de todas as negociações na Câmara, ele conseguiu por alguma fórmula passar a imagem de que ele era o novo, e que não fazia parte dessa política tradicional. Ele encontrou uma fórmula de encantar e convencer os eleitores que ele era diferente de tudo isso que está aí.

Valor: E que lição o PT tira dessas eleições?

Rui: Não só o PT, mas os políticos precisam tirar uma lição. Primeiro de tudo, precisam estar mais próximos do povo, ser menos distantes da população.

Valor: O senhor acha que o PT se distanciou da população?

Rui: Não tenho dúvida disso. Mas, veja: assim como toda instituição, o PT é composto de gente. E as pessoas têm comportamentos diferentes. Então em muitos lugares, ou nacionalmente, a gente se distanciou. Tanto se distanciou que perdeu a eleição. A segunda lição é de que não podemos ficar reproduzindo acordos políticos que o povo não enxergue como benéficos à sociedade. Acho que é preciso cuidar de temas muito valorosos, como saúde, educação e segurança.

Valor: Como o PT pode reverter esse quadro para se reconectar com a população?

Rui: Os partidos todos têm que repensar sua forma de atuação, talvez seja o momento até de se formar novos partidos, com novas práticas políticas, defendendo novas questões, mais próximas ao interesse da população. De forma mais sincera, mais verdadeira, olho no olho das pessoas. É o que o povo quer.

Valor: O senhor afirma que não foi o antipetismo que derrotou o PT nas urnas, mas esse sentimento não motivou uma parcela dos eleitores?

Rui: Esse processo todo mostrou que no PT tinha gente também que estava fazendo coisa errada, mas como ocorre em todos os partidos, sem exceção. Não é filiação partidária que define o comportamento das pessoas. Eu acho é que precisamos juntar os homens e as mulheres de bem, que têm bons propósitos na política, para construir uma nova agenda para o Brasil, para que ele se pareça com os principais países do mundo.

Valor: Para esse modelo se viabilizar, se for o caso em 2022, o PT pode apoiar um candidato a presidente de outra sigla?

Rui: Já defendi essa possibilidade nesta eleição. Eu e Wagner [o senador eleito pela Bahia, Jaques Wagner], além de outras pessoas do PT, defendemos essa possibilidade já neste ano. Na política, se você quer o apoio de alguém, tem que admitir a possibilidade de apoiar outra pessoa. Se você acha que só pode receber apoio, nunca apoiar, isso não é uma boa prática política. Se acha que só você presta, e ninguém mais, por que vai querer o apoio de quem não presta?

Valor: Mas como essas alianças se processariam?

Rui: Nossa missão é juntar todos aqueles, independentemente se estão no PT, no PCdoB, no PSB, no PSDB, no PP: onde tenha gente que queira construir uma nova prática política, feita com seriedade, verdade, e honestidade, acho que essas pessoas são nossas aliadas para construir o Brasil. A gente não pode fazer cerco ideológico a partido, o critério não é esse, e o povo já disse na eleição que não aceita mais esse comportamento.

Valor: Como é o ajuste fiscal que o senhor está promovendo no Estado?

Rui: Vamos extinguir 1.500 cargos comissionados, e deixar mais clara a Constituição Estadual para fixar o teto salarial do Executivo. A redação era dúbia, e agora será igual à da Constituição Federal: ninguém vai poder ganhar acima do salário do governador [R$ 22 mil]. Eu fiz um ajuste antes de assumir o primeiro mandato: fechei três empresas, extingui dois mil cargos, e criei a previdência complementar dos novos servidores. A Bahia foi o primeiro Estado do Nordeste a criar a previdência complementar. Agora estamos dando continuidade: a cada período temos que ter um novo olhar sobre a máquina pública, reduzir, reorganizar para atravessarmos eventual crise pelos próximos quatro anos.

Valor: Já é a segunda parte da reforma da Previdência?

Rui: Na verdade, a previdência complementar criada em 2014 só vale para os novos servidores. Com ela, eles se aposentam com até R$ 5,6 mil, que é o teto do INSS. Mas a Bahia tem o mesmo problema dos outros Estados, de desequilíbrio estrutural. Quando entrei no governo, o déficit da previdência era de R$ 2 bilhões, agora em dezembro fechamos em R$ 4 bilhões. Uma forma de financiar isso é elevar a alíquota de contribuição de 12% para 14%, dez Estados já fizeram isso. Mas isso financia uma parte, vai propiciar cerca de R$ 260 milhões. Para cobrir o grande déficit não tem medida mágica, são várias ações juntas que vão ajudar a diminuir a dívida.

Valor: E no plano nacional?

Rui: Tem dois tipos de previdências: a pública, que precisa de reformas porque traz condições que trabalhadores em geral não têm. A outra é a aposentadoria rural, que não tem conceito previdenciário, tem caráter social. Uma coisa é quem se aposenta com 50 anos, que não trabalho debaixo de sol quente, que tem expectativa de vida de 80 anos, outra coisa é uma velhinha trabalhadora rural, que tem uma expectativa de vida menor, as mãos calejadas, o rosto rachado, se vai abandonar as pessoas a própria sorte. Isso não é cálculo matemático. Tem que separar as duas.

Valor: Mas uma reforma pelo menos no setor público tem que ser feita?

Rui: Eu acho que sim, para igualar condições de aposentadoria no país. Sou a favor de que caminhem para ser iguais quem é servidor público e trabalhador geral. Até porque quem paga o meu salário de governador é a população. Quem é servidor não pode ter condições muito privilegiadas em relação à maioria da população.

Valor: O PT deve apoiar uma reforma nesses moldes?

Rui: Eu não falo em nome do PT, falo em meu nome, até porque eu fiz uma reforma assim, quando criei a previdência complementar.

Valor: Não tem receio de que essa reforma contamine sua popularidade?

Rui: Não, até porque a reforma que eu fiz em 2014 [com Jaques Wagner, após a eleição] foi maior e mais forte. Eu não teria sido reeleito com 75% dos votos se isso tivesse afetado [a popularidade]. As pessoas querem saber da verdade, estão cansadas da política feita com demagogia. Eu ando nas ruas com tranquilidade, encontro pessoas aposentadas, e às vezes me dizem que estão sem reajuste. Eu digo que estou fazendo de tudo para não atrasar um dia sequer o seu salário e para garantir que receba a aposentadoria. Acho que quando você demonstra sinceridade, é verdade, as pessoas podem não gostar; todo mundo só gosta de notícia boa. Mas elas compreendem.

Valor: A Bahia vai sofrer com o efeito cascata do reajuste da remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal?

Rui: No Executivo, eu tenho como evitar, com a aprovação dessa emenda constitucional que fixa o teto do funcionalismo. Nos outros poderes, não tem como. Se o Brasil é uma federação, por que a Justiça estadual tem de estar atrelada – salários, inclusive, – à Justiça Federal? O funcionalismo federal não deveria ter influência no estadual. Todo ano precisa de suplementação orçamentária para pagar a folha do Judiciário.

Valor: O senhor voltou de um périplo internacional, passando por Portugal e Israel. Trouxe novos investimentos?

Rui: Fomos buscar parcerias em Israel na área de segurança pública, eles têm tecnologia na área de monitoramento. Queremos fazer parcerias com o setor privado. Vamos começar agora um projeto piloto de monitoramento de câmera, faremos reconhecimento facial, inclusive nas estações de metrô, no aeroporto, nos estádios de futebol, e também reconhecimento de placas de carro. Depois de Salvador, vamos fazer licitação ou PPPs pra ampliar para todo o Estado.

Valor: Israel se tornou referência no combate à seca, tem algum projeto para o semiárido?

Rui: A escassez de água deles é semelhante à do semiárido, tem regiões deles que chove menos. No Nordeste chove 700 mm por ao, lá tem lugares que chove 400 mm. Eles têm tecnologia de reuso de água para o consumo, para irrigação, e de dessalinização. Boa parte da água que eles usam é do mar. Temos barragens aqui em que hoje a água está salinizada.

Valor: A segurança pública era uma das bandeiras de Bolsonaro, ao lado do combate à corrupção. Acha que os partidos não deram atenção necessária à segurança pública na campanha?

Rui: Eu acho que nem os partidos nem os governos federais trataram com a devida atenção esse tema, e tenho receio de que o próximo governo também não trate. O Brasil virou o segundo ou o terceiro maior consumidor de drogas do mundo: isso não é qualquer dado, é uma epidemia.

Publicada no jornal Valor Econômico em 10/12/2018

PATRIC PITON – PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE JOVENS EMPREENDEDORES DA BAHIA (AJE)
PATRIC PITON - PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE JOVENS EMPREENDEDORES DA BAHIA (AJE)

BE- O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. O empreendedor jovem que deseja montar seu primeiro negócio fica limitado pela alta carga de impostos que o governo federal e estadual impõe. O que o senhor poderia comentar a respeito?

PP- De fato, a alta carga tributária é um dos principais fatores de entraves para o jovem empreendedor. A pesquisa do perfil do jovem empreendedor brasileiro, realizada pela CONAJE neste ano, identificou a burocracia e impostos como o principal fator de desafio externo para o sucesso de um negócio de um jovem empreendedor, totalizando 75%. Faz-se necessário que o governo crie projetos de desburocratização e simplificação tributária além de incentivos para as micro e pequenas empresas durante os primeiros anos.

BE- A reforma trabalhista completou recentemente um ano. Porém, o clima de insegurança jurídica ainda é grande. existem processos que ainda não tem uma conclusão clara. Qual a importância da reforma para o empreendedor jovem?

PP- A reforma trabalhista veio para contribuir com a flexibilização das relações trabalhistas, possibilitando que mais empregos sejam gerados além de relações trabalhistas menos burocráticas. Países mais desenvolvidos possuem relações trabalhistas mais flexíveis, possibilitando que os empreendedores e seus colaboradores definam as suas relações. Muitas vezes o colaborador queria tirar férias segmentadas em 10 dias e não podia porque a legislação só permitia repartir em 2 vezes, por exemplo. Sendo assim, a reforma vem para trazer ganhos ao desenvolvimento dos negócios.

BE – quais os principais pontos que serão abordados no congresso?

PP- O Congresso Nacional de Jovens Empreenderes irá abordar diversos assuntos vitais para os negócios: marketing de conteúdo, gestão de finanças empresariais, PNL para vendas, implantação de um programa de compliance, megatendências de agronegócios e governança corporativa, empreendedorismo feminino, startups, propósito e muitos outros. Serão realizadas oficinas, casos de sucesso e insucesso de empreendedores, palestras e painéis.

LÚCIO FLÁVIO ROCHA – DIRETOR DO MOVIMENTO BRASIL 200
LÚCIO FLÁVIO ROCHA - DIRETOR DO MOVIMENTO BRASIL 200

BE- A reforma trabalhista da completando um ano, quanto ela pode ter influenciado a mente de empresários na geração de novos empregos

LFR – Com a nova reforma trabalhista começamos a desconstruir a idéia de que patrões são inimigos de empregados e vice versa. Começamos a criar novas visões e demandas que antes não se existia. E no imaginar das contas apresentamos que a balança de empregos ela se tornou positiva, ainda muito pouco diante do rombo que nós tivemos, porém já é um avanço. Nós já temos hoje mais contratações do que demissões. Mais observamos que essa transformação com menos litígio e menos conflitos e principalmente mais flexibilização na sua relação contratual fica melhor para se contratar.

BE- Abri empresa no Brasil hoje é uma dificuldade. Principalmente no segmento de shoppings, onde você atua. O senhor acredita que isso inibe o empresário de investir?

LFR – Pra você ter uma idéia eu já passei seis meses pagando aluguel em shopping na Bahia sem conseguir a minha inscrição na junta comercial do estado, sem conseguir inscrever minha empresa na justa comercial. E eu estou falando de um quiosque de cinco metros quadrados e não de uma super loja. Então durante seis meses foram empregados sem empregos, fornecedores parados, a economia sem ter a geração de impostos. Então chegamos à conclusão de que a burocracia não tem nenhum beneficio, nem para o estado nem para comunidade. Muito pelo contrario ela atrapalha muito o progresso.

BE- Em relação às convenções coletivas existe hoje na Bahia um problema que o sindicato do comércio e o sindicatos dos lojistas não chegaram a um acordo para o estado. Como isso pode atrapalhar o comércio no estado?

LFR- Eu lamento que as convenções coletivas tenham se tornado um momento de queda de braço. O objetivo da convenção coletiva deveria conciliar interesses entre os limites que o empresário consegue ceder e as necessidades que os funcionários precisam ter hoje as coisas não funcionam assim. Hoje é uma medição de força. Hoje nós passamos por um momento de muita dificuldade por que os shoppings fecharam aos domingos. Os próprios vendedores afirmavam que precisavam ganhar suas comissões e o sindicato que devia defender os interesses dos trabalhadores acabaram inviabilizando os trabalhos aos domingos.

BE- Na questão política a chegada de Paulo Guedes é vista com bons olhos pelo empresário baiano?

LFR – Paulo Guedes é um dos grandes estímulos que o empresário tem para voltar a investir, vou voltar a contratar, justamente por ele ter consciência de que o maior gerador de prosperidade de uma nação não é o estado é o trabalho, ele é o que gera maior beneficio social que existe. Ele traz dignidade. Então a chegada de Paulo Guedes deixa o empresário confortável

BE- Estão afirmamos que o ambiente para 2019 é muito melhor do esse de 2018?

LFR – Incomparável. Se você tem uma boa expectativa eu diria que 90% do caminho já foi traçado. E com Guedes nós temos muita expectativa.

JULIO RIBAS É DIRETOR-PRESIDENTE DO AEROPORTO DE SALVADOR
JULIO RIBAS É DIRETOR-PRESIDENTE DO AEROPORTO DE SALVADOR

BE- A Fonte Nova Negócios e Participações e a Concessionária do Aeroporto de Salvador assinaram um termo de parceria e cooperação. Como vai funcionar essa parceria e qual o objetivo dela?

JR- O objetivo é promover ações conjuntas com foco no turismo, cultura, entretenimento e negócios em Salvador. Através dessa parceria, inédita no Brasil entre uma arena multiuso e um terminal aeroportuário, pretende-se ativar e integrar a cadeia produtiva desses setores com a finalidade de incrementar a economia na cidade e no estado.

BE- A concessionária negou na semana retrasada que tenha interesse em construir uma terceira pista no aeroporto de Salvador. A medida foi anunciada após o Inema acatar a recomendação do Ministério Público Federal na Bahia (MPF-BA), que alega danos ambientais numa possível obra. Como a concessionária analisa essa questão?

JR- A recomendação do Ministério Público Federal foi apenas preventiva, já que nenhum projeto de construção de uma terceira pista foi apresentado pela Concessionária do Aeroporto de Salvador. Não há intenção ou necessidade de construir uma terceira pista no Aeroporto de Salvador no curto e médio prazo. Nós temos duas pistas – uma auxiliar que acabou de ser reformada e a principal – que atendem bem à demanda atual do Aeroporto de Salvador. Além disso, outras soluções podem ser usadas para aumentar a capacidade de pousos e decolagens sem a necessidade de construção de outra pista. Destaco que a A VINCI Airports tem uma política ambiental bastante rigorosa e todos os aeroportos que integram a sua rede atuam em conformidade com as legislações e regulamentações aplicáveis.

BE- Quais ações devem ser tomadas pelo governo do estado para que o aeroporto tenha uma movimentação de passageiros que justifique a construção de uma segunda pista?

JR- Já existe uma segunda pista no Aeroporto de Salvador, a pista 17/35, também chamada de pista auxiliar. Com comprimento superior a 1.500m ela está em operação e com condições de receber voos comerciais. A construção de uma terceira pista está condicionada a um aumento significativo no tráfego de passageiros. O aumento de tráfego aéreo é uma equação complexa, que depende de múltiplos fatores e atores. É preciso ter desde uma situação econômica favorável no País e no mundo, como atratividade do destino, share of mind, a disponibilidade de voos, entre tantos outros.

Uma das expertises da VINCI Airports é justamente a de aumento de tráfego aéreo nos aeroportos que administra. Através de pacotes de incentivos e do relacionamento com mais de 250 companhias aéreas através da sua rede de aeroportos, nosso time comercial está trabalhando intensamente para atrair novos voos. Somente este ano, inauguramos sete novas rotas, sendo cinco delas internacionais. Agora, Salvador tem voo direto para Miami, mais uma opção para Buenos Aires, para Ilha do Sal, Cidade do Panamá e para Santiago. A conexão dentro do Brasil foi ampliada através de novos voos para Goiânia e João Pessoa.

Também vemos com bons olhos os esforços por parte tanto do Governo do Estado quanto por parte da Prefeitura de Salvador para promover o destino Salvador. A exposição do destino em eventos nacionais e internacionais de turismo, a construção de dois novos centros de convenções e construção de uma intensa agenda de eventos, entre tantas outras ações, nos deixa bastante otimistas em relação ao futuro.

BE- Qual a expectativa de movimentação de passageiros nesse final de ano no aeroporto da capital? 

JR- Acreditamos que haverá um aumento de fluxo de passageiros no Aeroporto de Salvador durante a alta temporada como um todo. A partir de dezembro, contaremos com três novos destinos de temporada – Teixeira de Freitas (Bahia), Cuiabá (Mato Grosso) e Rosário (Argentina), aumento de frequência de voos regulares e rotas sazonais, como voos diretos para Porto Alegre, Curitiba, Foz do Iguaçu e Rio de Janeiro (Santos Dumont). No total, 1.626 voos extras irão operar no Aeroporto de Salvador entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, o que representa um incremento de 3% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

BE- Como estão as obras de melhoria anunciadas no primeiro semestre? Qual a previsão de entrega?

JR- As obras para modernização e ampliação do Aeroporto de Salvador estão dentro do prazo estabelecido. A primeira etapa começou em abril de 2018 e estará concluída até 31 de outubro de 2019. Ela contempla 90% das intervenções que serão feitas no Aeroporto, como ampliação do Terminal de Passageiros em 20.000 m², construção de 6 novas pontes de embarque, ampliação do pátio de embarque e desembarque das aeronaves, intervenções nas duas pistas, entre outros.

Algumas das obras entregues são a reforma na pista auxiliar, construção de uma nova Estação de Tratamento de Efluentes e alteração de layout de parte dos check-ins. Atualmente, há 25 frentes de obra em atividade. Estão em curso a reforma da pista principal, a construção de um segundo píer de embarque e desembarque e a implantação de novos elevadores, por exemplo.

Já a segunda etapa será iniciada em novembro de 2019 e será concluída em outubro de 2021.

BE- Salvador tem perdido espaço no nordeste para outros aeroportos que conseguiram alguns Hubs importantes, como o da Azul. O aeroporto e o governo do estado estão trabalhando juntos para conseguir esses Hubs novamente? Como o senhor analisa esse processo?

JR- A promoção do destino é uma equação complexa, que envolve os poderes municipal e estadual, além dos operadores do trade turístico. Entendemos que somos parte desse processo e nossa diretoria comercial já desenvolveu um plano de incentivos para a taxação das operações. Além disso, o setor está trabalhando em parceria com entidades governamentais para estimular as companhias aéreas a trazer novas rotas para Salvador. O desenvolvimento do tráfego aéreo em parceria com as linhas aéreas são uma das nossas principais forças em muitos dos aeroportos que operamos mundo afora.

CLAUDIO CUNHA – PRESIDENTE DA ADEMI/BA
CLAUDIO CUNHA - PRESIDENTE DA ADEMI/BA

BE- Qual a expectativa de movimentação financeira do salão imobiliário esse ano?

CC- Estamos otimistas e felizes com a realização da 11ª edição do Salão Imobiliário, que em  2018 tem como tema ‘Casa Ademi’. Com três mil unidades disponíveis para venda, o objetivo da Ademi-BA é alcançar a meta de crescimento de 7% até o final do ano e contribuir para fecharmos 2018 com um balanço positivo.

BE-  Quais os principais atrativos que o salão está oferecendo esse ano para os consumidores?

CC- Neste ano, trouxemos o conceito da Casa Ademi. Um espaço mais aconchegante , compacto e prático para os visitantes, que podem ter acesso a todas as oportunidades em um mesmo lugar. As 11 incorporadoras participantes trouxeram oportunidades exclusivas para o consumidor. Além disso, tivemos a recente decisão do governo de antecipar o aumento do teto de R$800 mil para R$ 1,5 milhão de financiamento dos imóveis com recursos do FGTS, por meio do sistema financeiro de habitação. Estamos vivendo um momento propício, em que encontramos os juros mais baixos, a inflação está sob controle, além da redução da taxa Selic.

BE- Qual o segmento de imóveis que mais atraem os consumidores na Bahia?

CC- De acordo com a Pesquisa Imobiliária ADEMI-BA divulgada em outubro, imóveis de dois quartos lideram o índice de unidades vendidas como também de unidades lançadas e disponíveis no estado. O montante das vendas dos últimos dez anos representa 69%, seguido por três quartos: 20%. Em Salvador, os bairros Imbuí, Piatã, Patamares, Pituba, Jardim Armação e Caminho das Árvores são os que mais venderam imóveis residenciais.

BE- Qual a expectativa para o segmento da construção civil para o ano de 2019 com a gestão de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes como ministro da fazenda?

CC- O resultado das eleições e a possibilidade da estabilidade política com a legitimidade do processo eleitoral, são fatores que apontam para um cenário otimista. De perfil liberal e defensor da menor participação possível do Estado nas dinâmicas econômicas, o ministro anunciado pretende levantar pautas como reforma do modelo previdenciário, redução de impostos e simplificação da estrutura fiscal. Paralelamente, o novo governo terá o desafio de garantir a retomada da economia brasileira depois de quatro anos de recessão e de baixo crescimento no país.