ENTREVISTAS

JOSÉ RONALDO – PRÉ-CANDIDATO AO GOVERNO DO ESTADO
JOSÉ RONALDO - PRÉ-CANDIDATO AO GOVERNO DO ESTADO

BE- A candidatura do Senhor é umas das candidaturas que faz oposição ao governador Rui Costa, que tem a máquina pública na mão. Em que sua proposta de governo se diferencia da proposta do governador atual?

Nossa diferença para a atual gestão será que nós vamos priorizar investimentos em três áreas saúde, educação e segurança pública. O setor de educação do estado não construiu uma escola se quer, congelou salários dos funcionários públicos, nossa segurança publica é a pior do Brasil segundo dados divulgados recentemente, e segundo matérias divulgadas recentemente não teve competência para aplicar os recursos que vieram de Brasília na segurança, devolvendo R$ 82 milhões que deveriam ser aplicados aos cofres da união. Na saúde pública, essa central de regulação as pessoas não conseguem vagas nos hospitais. O governador anuncia que vai inaugurar hospital mas não diz que fechou outro. Exemplo. Na hora que você inaugura uma policlínica em Valença você diminui a quantidade de recursos para o Hospital Santa Casa de Valença. A mesma coisa com Santo Antônio de Jesus e a Santa Casa do interior. E a prova disso é que constitucionalmente ele é obrigado a gastar 12% na saúde e atualmente o governo do estado gasta 12,4% em média. Então como é que você inaugura um hospital num lugar e a quantidade de recursos continua a mesma? Um exemplo mais contundente disso é que em Ilhéus foi construído o Hospital Costa do Dendê e fechado o hospital que Ilhéus tinha já, há décadas. Então isso não é investir na saúde é só uma jogada de marketing para a politica. Na minha gestão essas coisas não vão acontecer. A central de regulação não vai continuar como está. As pessoas não vão continuar morrendo nas filas. Assim que eleito vou contratar serviços de hospitais particulares para extinguir de vez essa fila e atender as pessoas. Também vamos fazer um novo gerenciamento dos hospitais públicos, priorizando o atendimento de qualidade. Na educação eu como prefeito construir 30 escolas equipadas em 5 anos. Sempre gastei com educação mais de 25%, nunca deixei apenas o que a lei manda na educação. Na segurança vamos evitar que as pessoas sejam assaltadas nas ruas. Então minha forma de governar é completamente diferente.

BE- A presença do PSC na sua chapa tem sido debatida constantemente em reuniões que envolvem a composição da sua chapa. A presença do Irmão Lazaro na vaga de senador já é uma realidade? Como está essa negociação?

JR- Nós ainda não temos uma definição clara. Temos conversas que estão evoluindo muito. Nesse momento nós estamos priorizando essa questão. Nós próximos dias teremos uma conclusão definitiva e total em relação a essa questão. O Lázaro é um nome ventilado. É um nome que eu desejo que seja escolhido. Mas essas definições não devem ocorrer apenas com a definição do candidato. É preciso ouvir a base, ouvir quem está trabalhando junto. Grupos e partidos políticos e etc. Eu acredito que nós próximos dias estaremos formando essa chapa definitivamente.

BE- Existe a possibilidade de uma mulher negra compor a chapa? Como o senhor avalia a presença de Bruno Reis como seu vice?

JR- Existem muitas colocações nesse campo. Muitos grupos. Cada um coloca posição e nós estamos articulando essa questão. O nome do Bruno também foi ventilado dentro da base e nós estamos trabalhando para montar a chapa o mais rápido possível. É claro que o nome do Bruno é ventilado e cogitado, porém, ainda não existe uma definição. Estamos trabalhando em conjunto com as opiniões dos grupos políticos que estão trabalhando na campanha para fazer o melhor possível.  Em breve vamos anunciar a chapa completa. E um jogo de xadrez muito complicado esse negócio de formar chapa. Mas estamos tendo cuidado e cautela para não existir desavenças. Posso garantir também, que no momento não existiu essa colocação de ser ou não mulher na composição da chapa. Esse é um processo que se circulam alguns nomes mas ainda não tem nada concreto.

BE- O deputado Jutahy Magalhães tem se colocado contra alguma posição da chapa e por isso ela ainda não foi fechada?

JR- Temos alguns pontos de vista que são defendidos. E por serem defendidos nós temos que sempre questionar, debater discutir, e nós estamos fazendo isso com uma amplitude muito grande. Nós estamos priorizando isso. Durante essa semana nós tivemos alguns avanços nas negociações e muito em breve nós vamos decidir o que for melhor e chegar num ponto em comum para respeitar as opiniões e formar a chapa.

BE- Um dos maiores problemas da Bahia está na parte econômica onde o estado perdeu posição caindo de sexto para sétimo colocado em participação do PIB Nacional. O que o senhor pretende fazer para dinamizar a economia baiana?

JR- O estado tem a pior segurança, pior saúde e também o PIB caindo. O número de desempregados é muito grande, e tudo isso é muito negativo. Eu não consigo entender é por que algumas pessoas ainda dizem que é uma correria que dá resultado. Eu entendo que essa correria não tem dado resultado positivo. Tem deixado muito a desejar. Embora nós saibamos que existe um problema na economia nacional, mas os números da Bahia são assustadores, e mostra que na área da economia tem havido muitos equívocos na condução do governo. Nós vamos tentar dinamizar a economia trabalhando com responsabilidade, reconhecendo a importância dos segmentos econômicos da sociedade, investindo no setor industrial, comercial, e serviços, analisando quanto esses setores contribuem para a sociedade, com os pagamentos de impostos, e as ofertas de serviços, e isso tudo nós vamos trabalhar para que a Bahia volte a gerar empregos, os investimentos chegarem e a economia possa voltar a crescer.

BE- Analistas políticos afirmam que se o Democratas apoiar o candidato, Geraldo Alckmin, sua campanha será pouco alavancada, pois, o ex-governador de São Paulo tem pouca popularidade na Bahia.  Existe também uma possibilidade do DEM apoiar Ciro Gomes. Como o senhor avalia esse cenário nacional?

JR- Essa eleição tem uma particularidade grande. Eu na minha vida política nunca vi tantos candidatos indecisos e uma eleição presidencial com tamanha dificuldade, com um quadro tão indefinido. O que eu posso falar. Como todos sabem o ex-presidente Lula não é candidato. Ele tem problemas judiciais, que impedem a sua candidatura. Então estamos aguardando essa definição. O PT vai ter candidato? O PT vai apoiar outro partido? Como isso pode acontecer? Existe essa indefinição a nível nacional. Por outro lado a candidatura do PSDB é uma candidatura que também tem encontrado dificuldade, especialmente no Nordeste brasileiro e na Bahia. Temos também a candidatura de Ciro Gomes que nós já conhecemos e está buscando apoio nas legendas. Por fora temos a candidatura de Álvaro Dias como um candidato novo e temos o candidato que tem liderado as pesquisas que é o Jair Bolsonaro. No caso, como eu sou candidato eu vou esperar uma definição melhor do quadro nacional para poder dizer quem eu vou fazer palanque na Bahia.

BE- Em relação à segurança pública, a Bahia é o estado com o maior número de cidades violentas do país, segundo dados do IBGE. Como o senhor analisa a questão e quais as suas propostas para área na Bahia?

JR- Em relação à segurança Pública o que eu posso garantir é que na Bahia vários Outdoor informavam que a Bahia havia ganhado mais de 4 mil policiais. Porém essa é uma colocação incompleta feita de forma proposital para que cidadão acredite que o governo está trabalhando para combater a violência. Na verdade essas pessoas que estão chegando elas estão apenas substituindo aquelas que estão indo para reserva, se aposentando. Então não há um aumento no número da frota da Policia no estado. O mesmo acontece com os veículos. O que acontece é uma substituição. Os veículos que estão muito deteriorados, que não podem mais rodar são substituídos. Então não existe um melhoramento no equipamento de trabalho. Recentemente o Tribunal de Contas do Estado (TCE) anunciou através de um relatório que o governo do estado devolveu R$ 82 milhões isso é um absurdo, dos absurdos, dos absurdos. Enquanto nós temos todas essas dificuldades na área da segurança, o governo devolve essa quantidade de dinheiro por não ter capacidade de aplicar esses recursos. Na nossa gestão vamos tratar essa demanda da segurança como prioridade. No ano de 2017 o governo gastou  R$ 209 milhões de reais com publicidade e na segurança pública apenas R$ 56 milhões praticamente um terço da capacidade do que foi investido. Esse é um ponto que precisa ser mudado, precisa ser alterado. E nós vamos trabalhar essa questão como prioridade.

BE- Em relação às pesquisas divulgadas até o momento o governador Rui Costa aparece com uma ampla vantagem. Porém, o número de eleitores que estão indecisos ainda é grande. O que o senhor poderia comentar a respeito?

JR- Como o governador é candidato à reeleição desde dia que ele assumiu o posto de governador na governadoria o cidadão que ainda está indeciso nessa altura da caminhada é por que não deve votar nele. Por que se votasse já teria declarado. Então esse cidadão indeciso só pode escolher alguém da oposição para votar. E nesse cenário eu sou a oposição ao governador. Então eu não tenho a menor dúvida que nosso trabalho é mostrar para Bahia que existe um candidato de oposição e as experiências desse candidato para que o povo faça a sua melhor escolha. Pesquisa é uma coisa de momento então essa pesquisa que deu vantagem para o governador foi feita quando eu tinha 30 dias de lançado como candidato e o governador há quatro anos no poder. Por isso essa vantagem. Mas nós estamos trabalhando e vamos fazer o melhor para vencer.

LEVY FIDELIX PRTB- PRÉ-CANDIDATO A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
LEVY FIDELIX PRTB- PRÉ-CANDIDATO A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Por João paulo Almeida

BE – O Brasil passou por uma crise econômica e política muito grande nos anos de 2016 e 2017. Com isso os investimentos diminuíram muito. A troca de governo iniciou o processo de recuperação da economia, porém, num ritmo mais lento do que o esperado. Qual a sua proposta para retomar o investimento no país?

LF- O investimento está muito ligado a questão do mercado consumidor no país. O Brasil é um país com uma excelente mão de obra, porém é preciso se qualificar mais. A política implantada pelo ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles não é a adequada para um país que tem tanto potencial econômico de produção como o Brasil. O governo só pensava em privatizar as empresas. A meu ver esse não é o melhor caminho. Os investimentos no Brasil precisam vim para serem acrescidos aos brasileiros. Não como o governo quer de simplesmente privatizar e entregar nossas riquezas. Na minha gestão vou fortalecer as empresas produtoras, como a Petrobras e a Vale, para que o capital internacional tenha que consumir o produto já acabado e não a nossa matéria prima. Além disso vou criar novas regras de taxas de importação e exportação para fazer o segmento crescer.

BE- A China hoje é um dos maiores do país. O país asiático investe hoje em grandes obras no país, dentre elas a Ponte Salvador Itaparica. Como o senhor vai tratar a questão do investimento chinês no Brasil?

LF- Veja bem, temos que ter muito cuidado com o investimento chinês no Brasil. A China hoje compra em grande quantidade a soja e o minério do Brasil. Esses investimentos em matéria prima não são de tudo bons para economia do país. O governo Chinês anda comprando concessões pelo Brasil e as tarifas e taxas pagas para utilização dos equipamentos que a China constrói no Brasil são motivo de muitas criticas. No meu governo vou acabar isso. O Brasil não pode se uma colônia da China. Eles vêm aqui, compram nossas matérias primas, e não entregam o retorno esperado. Constroem sem pagar impostos e lucram por 30 anos. Vamos criar políticas regulatórias de investimentos estrangeiros de forma que o país não fique dependendo exclusivamente do capital Chinês para trabalhar.

BE – A indústria do Minério e da Soja são aquelas que o governo Chinês mais investe no Brasil. Como o senhor vai fazer para que elas não tenham perdas com essa na política de investimos que o senhor pretende aplicar?

LF- Vamos ajudar a indústria a crescer através de investimentos em novas tecnologias e produção. Vamos modernizar a indústria do país. Hoje os investimentos compram nossas riquezas naturais, a matéria prima. Eu vou querer vender o produto acabado. Isso vai gerar muito mais emprego no país e fazer com que a população tenha uma melhor qualidade de vida. Outro detalhe importante que podemos destacar na indústria no país é a questão da invasão dos produtos chineses no país. Imagine você que hoje o Brasil está importante uma grande quantidade de produtos acabados da China. Então o emprego está sendo gerado lá na China e não no Brasil. São brinquedos, eletrônicos, vestuário. Tudo entrando no país muitas vezes sem imposto e substituindo a qualidade do produto brasileiro. Não podemos aceitar isso. Volto a falar a indústria precisa ser modernizada para competir no mercado internacional

BE- A Brasil hoje tem mais de 13 milhões de desempregados. O numero de pessoas que trabalham de maneira autônoma também cresceu muito. Qual a sua proposta para combater o desemprego no país?

LF- O desemprego trouxe como reflexo a brusca diminuição do investimento no país. Nós precisamos retomar os investimentos para que o desemprego volte a diminuir. Nossa proposta é investir em qualificação, investir em setores que hoje o Brasil tem um potencial grande como o de produção de derivados do minério e da soja e principalmente trabalhar com uma melhor distribuição de renda no país. Hoje 2% da população detêm quase 70% do patrimônio do país. Precisamos cobrar mais impostos dos mais ricos e menos dos mais pobres. O Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil é muito aquém da capacidade que o país tem para oferecer uma vida melhor para seu povo. O Brasil precisa de uma nova política de geração de empregos e é isso que novo projeto coloca na mesa. Mais investimento interno, menos capital internacional e mais controle.

BE- A política de preços da Petrobrás fez com que o Brasil sofresse uma das suas maiores greves da história. A chamada crise do desabastecimento foi oriunda do alto valor que a Petrobras cobra no preço do disel. Como o senhor avalia essa questão?

LF- A política de trabalho do Pedro Parente no comando da Petrobrás é a grande responsável pelo problema que tivemos no país, com o caminhoneiro. Eu acredito que aquela greve foi legitima e tem algumas razões que fizeram acontecer. A primeira é que a política de preços da Petrobrás só beneficia os investidores internacionais que compram ações da empresa. Esses investidores que querem controlar a Petrobrás lucram milhões com essas ações e o preço do combustível fica variando e prejudicando o povo brasileiro que consome. Nós vamos trabalhar o preço da Petrobrás da seguinte forma. Vamos investir na indústria de refino para que o país não precise vender a matéria prima e possa vender o produto já refinado, assim o preço ficará controlado e muito mais baixo. Outro detalhe da greve é atrelado à política de desvalorização do modal ferroviário no país, que se iniciou com Fernando Henrique Cardoso. Hoje o Brasil não tem grandes malhas ferroviárias nem alternativas ao modal rodoviário. Esse é um problema que nós estamos com propostas para resolver.

BE- O seu candidato na Bahia é o João Henrique Carneiro, que já foi duas vezes prefeito de Salvador, porém tem uma popularidade muito baixa. Como ocorreu a escolha de João Henrique?

LF – Nós optamos pelo João Henrique por ele ser um dos poucos políticos do Brasil, Ficha Limpa. Ele foi duas vezes prefeito de Salvador tem uma história na gestão municipal. Acreditamos no trabalho dele e vamos caminhar com ele até o final.

LÍDICE DA MATA- LÍDER DO PSB NA BAHIA
LÍDICE DA MATA- LÍDER DO PSB NA BAHIA

BE – O governador Rui Costa reintegrou o desejo de colocar a senadora como suplente de Wagner. Qual compensação o governo daria ao PSB pela ausência na chapa majoritária?

LD- Não há a mínima possibilidade de ser suplente, sem desmerecer o cargo. O partido entende que devemos continuar no cenário político e vamos debater o futuro e decidir após o 2 de julho.

BE – Como a senadora avalia a questão de não existir nenhuma mulher nas chapas que vão concorrer ao governo do estado?

LD- Isso vai na contramão da política mundial. Vejamos que o novo governo espanhol tem 70% de mulheres na gestão.

BE- A aliança entre PSB e Ciro Gomes a nível nacional está muito perto de ser formada. Existe a possibilidade do PSB fazer palanque para Ciro na Bahia formando uma terceira chapa?

LD – Nós vamos apoiar a reeleição do governador Rui Costa, mas acreditamos que Ciro é um candidato importante, pois está no campo da esquerda.

BE- O presidente nacional do PSB afirmou que a ausência de Lidice na chapa pode ter conseqüências. É possível a legenda sair da base de Rui?

LD- Quando ele fala em consequências, não se refere apenas à Bahia, mas a outras eleições pelo País.

BE- Existe a possibilidade do ex-ministro do judiciário Joaquim Barbosa, mesmo não sendo candidato, entrar na campanha para atrair votos para os candidatos do PSB nas eleições?

LD- Só saberíamos se ele fosse testado nas urnas, mas claro que ele tem simpatizantes.

BE- As pesquisas recentes para o governo do estado apontaram que aproximadamente 40% das pessoas ainda não sabem em quem votar. Essa grande quantidade de eleitores indecisos pode mudar os rumos das eleições. Na sua opinião por que os eleitores baianos ainda não sabem em quem votar?

LD – Não acredito. Eu acho que o governador Rui Costa tem uma grande vantagem em relação a seus adversários, mas como um homem cauteloso, ele vai continuar com os pés no chão e sem clima de “já ganhou”.

JOÃO SANTANA – PRÉ-CANDIDATO DO MDB AO GOVERNO DO ESTADO
JOÃO SANTANA - PRÉ-CANDIDATO DO MDB AO GOVERNO DO ESTADO

BE – O MDB vai fazer palanque para o candidato de Michel Temer, Henrique Meirelles, mesmo com a baixa popularidade dele na Bahia?

JS – De maneira resumida vou fazer palanque para o candidato do MDB, seja ele quem for. Não posso falar mais a respeito

BE – Existe a possibilidade do MDB apoiar o candidato de DEM Zé Ronaldo, formando uma chapa de oposição maior ?

JS- Veja bem, as eleições de 2018 na Bahia foram polarizadas em duas frentes. Uma do Prefeito e outra do Governador. Como o prefeito desistiu de concorrer os partidos que faziam parte da gestão, acabaram se dissipando. Teve o Gualberto pelo PSDB, teve o Zé Ronaldo pelo Democratas, e tem eu pelo MDB. É preciso se analisar que essa questão política de articulações ela é muito complexa. O eleitor terá que analisar em sete de outubro, quem tem o melhor projeto para o estado. O que eu posso dizer é vamos manter nossa candidatura até o fim. Então não existe essa hipótese de aliança com DEM.

BE – Como estão ás negociações para seu vice e seus candidatos ao senado. Quais nomes estão mais próximos de serem candidatos?

JS- Temos quatro legendas muito próximas a nossa proposta então, vamos anunciar em breve nossa composição final. Esse processo de aliança partidária precisa ser tratado com muito cuidado. Se eu anuncio um nome agora que está em processo de negociação você acaba vinculando esse nome a nossa legenda e então se essa aliança não se concretiza, como fica o nome da pessoa que estava negociando com a gente. Então vamos manter os nomes em sigilo absoluto e no tempo certo vamos anunciar. Caso não haja um consenso, o projeto segue sem nomes mesmo. Avulsa.

BE – O projeto do Centro de convenções do governo do estado está com a previsão da licitação sair até o final do ano. As obras devem começar ano que vem. Caso o senhor seja eleito o senhor vai manter dois projetos de Centro de Convenções. Prefeitura e Estado?

JS- Vamos primeiro fazer uma analise no projeto apresentado pelo estado. Depois fazer uma auditoria no projeto na questão financeira e de maneira rápida tocar o projeto para frente. Eu sou nessa campanha uma pessoa que defende muito o turismo, como uma das forças que mais movimentam o PIB do estado. Posso garantir que vou tocar o projeto do Centro de Convenções. O setor não pode ficar sem um equipamento tão importante desses. O único que ainda não entendeu isso foi o governador Rui Costa. O setor tem perdido muito sem equipamento. Se no final do ano a licitação não estiver na rua nós vamos colocar e fazer o Centro de Convenções. E sobre o Centro de Convenções da Prefeitura em sou a favor que Salvador tenha dois equipamentos. Nós temos demanda para isso então quanto eu sou favorável dois equipamentos.

BE – A Violência é um dos temas mais criticados na gestão de Rui Costa. A Bahia tem 4 das cidades mais violentas do Brasil. Como o Senhor Avalia essa questão?

JS- O combate a violência passa pelo fortalecimento da Polícia no estado. Eu pretendo contratar mais 10 a 15 mil soldados e colocar nas ruas. Existem localidades muito pouco assistidas pela Polícia Militar e Civil no estado da Bahia. Eu pretendo também criar um serviço de inteligência que possibilite o policial a trabalhar e agir com mais informações sobre o seu objetivo. Hoje o policial vai para as ruas atuar no sentido de o que acontecer eu resolvo. Eu pretendo trabalhar com o sistema do policial já sair já sabendo o que vai fazer.

BE – O Trade do turismo da Bahia sempre questiona a falta de divulgação do estado com o setor. Um dos pontos que eles sempre questionam é o Prodetur. Um projeto que daria uma outra vida a Baía de Todos os Santos. Hoje o governo alega que as obras começam no segundo semestre, caso eleito como o senhor vai tratar a questão do prodetur?

JS – O turismo num modo geral foi muito esquecido pelo governo do estado. Se você imaginar que no primeiro ano de Rui o orçamento do turismo foi de 0,09%. No segundo ano o orçamento foi de 0,11%. E no terceiro foi de 0,25%. É muito pouco para um dos segmentos que mais empregam na Bahia. Vamos investir mais no setur. Vamos ter bons projetos para Bahia de Todos os Santos. A Bahia tem um potencial cultural muito grande. São belezas naturais, culturais e muitas outras, que ainda não são exploradas. Nosso objetivo é fazer uma nova gestão para o turismo, com bons projetos, mais investimentos e melhores gestões.

BE – A Bahia é um estado que segundo a secretaria da fazenda está dentro do limite prudencial para a folha de pagamento. Porém existem servidores que estão a mais de dois anos sem reajuste e o funcionalismo público reclama muito disso. O que o senhor poderia comentar a respeito.

JS – eu me sinto muito bem em falar do servidor público, pois fui servidor por muitos anos. E posso garantir. O governo Rui Costa foi muito ruim para o servidor. Se existir uma pesquisa interna no governo vamos descobrir que a grande maioria dos servidores não aprova a gestão de Rui. Não houve reajuste nos últimos anos e esse limite prudencial que ele fala que chegou no limite é uma vergonha, pois ele chegou no limite sem ajudar o servidor. Outra coisa. Em países como a França e os Estados Unidos a força de trabalho do servidor público é muito maior que no Brasil. Então precisamos fortalecer o servidor público no Brasil. Vamos investir nas carreiras, investir em bonificações e fortalecer o servidor público no país.

FELIX MENDONÇA – LÍDER DO PDT NA BAHIA
FELIX MENDONÇA - LÍDER DO PDT NA BAHIA

Por João Paulo Almeida

BE – O PDT é uma legenda que faz parte da base do governador Rui Costa. O PT já disse que terá candidato próprio como ficaria o palanque de Ciro Gomes na Bahia?

FM- O Palanque de Ciro na Bahia ainda não foi definido. Nós estamos articulando e eu não posso afirmar nada a respeito ainda. Nós vamos continuar negociando. O PT ainda não anunciou nada em caráter oficial, mas nós estamos articulando. Vamos anunciar em breve a posição final da legenda.

BE- O governador Rui Costa pode subir no palanque de Ciro?

FM- Existe a possibilidade sim. O Governador Rui Costa pode fazer palanque para Ciro Gomes numa eventual presença de turno no segundo turno. Esse é um tema que está sendo debatido. O PT precisa anunciar se vai ou não ter Ciro Gomes como candidato a presidência ou vai manter Lula. Vamos seguir articulando. Não está nada definido ainda.

BE- O candidato Ciro Gomes vai acompanhar a comitiva de Rui Costa no desfile do dois de julho?

FM- Não. O candidato Ciro Gomes vai está no desfile de dois julho que marca a independência da Bahia, porém não vai estar na comitiva de Rui Costa. Ciro Gomes vai estar na comitiva do PDT de Ciro. Eventualmente eles podem até se encontrar no percurso mas o que eu posso dizer hoje que Ciro vai acompanhar o dois de julho na Bahia e vai ter seu espaço no desfile.

BE – A imprensa noticia que o Ciro Gomes pode receber o apoio do Democratas a nível nacional. O que significaria ter o prefeito ACM Neto como aliado. Existe essa possibilidade?

FM – Esse é um assunto da comitiva nacional do partido. A negociação está acontecendo com os líderes nacionais e é melhor esperar o desfecho final para falar qualquer coisa. Eu posso garantir que a nível de Bahia o PDT vai ficar com o governador Rui Costa. A nível nacional não podemos afirmar nada ainda sobre essa articulação.

BE – O PDT escolheu o ex – lutador Popó para ser o candidato do partido ao cargo de senador federal. Porém o partido faz parte da base do governo que já tem dois candidatos praticamente definidos. Qual dos candidatos da chapa de Rui não tem o apoio do PDT para o cargo de senador. Coronel, Wagner ou Lídice?

FM – Veja bem. A candidatura de Popó é uma candidatura do PDT. Não tem muita ligação com a chapa de Rui Costa, que ainda não foi anunciada oficialmente. Popó é uma escolha do partido, é um pré-candidato e pelas articulações políticas vai seguir seu caminho até as urnas. Nós não estamos colocando nem tirando Popó da chapa de Rui. Ele pode fazer um palanque isolado. Depende das articulações.

BE –  BRT de Salvador trouxe um grande debate sobre a questão ambiental na cidade. Qual a opinião da legenda sobre a obra?

FM – Eu preferia que fosse feito um VLT. Que é mais rápido e mais ecológico. Mas a prefeitura fez um estudo e achou por bem que fosse BRT. É preciso se entender o projeto. Na minha opinião o VLT é melhor.

BE – O candidato Ciro Gomes do PDT tem muita expressividade nas pesquisas ao cargo de presidente da república. Isso sempre atrai muitos votos nos estados. O senhor não pensa em ser candidato ao governo e fazer palanque a Ciro Gomes na Bahia?

FM- Nós não temos cacique político para sair candidato ainda. Vamos manter o projeto com calma.

GUILHERME BOULOS – PRÉ-CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA PELO PSOL
GUILHERME BOULOS - PRÉ-CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA PELO PSOL

BE – O Governo do Presidente Michel Temer foi bastante criticado por manter a política de preços da Petrobrás mesmo com a greve dos caminhoneiros. Porém, o mercado internacional aprova que a estatal mantenha o preço de acordo com o dólar. O senhor como presidente como trataria essa questão?

GB – Nós precisamos mudar a política de preços da Petrobrás. A política iniciada pelo Pedro parente que foi e foi tarde em junho do ano passado é uma política desastrosa por que ela atrela o valor do combustível na bomba a variação do petróleo a níveis internacionais. Então qualquer acontecimento internacional que se reflita no preço do petróleo ou mesmo a valorização cambial do dólar, faz com que o brasileiro pague mais por combustível mesmo que isso não mexa com custo de produção. Essa política surgiu apenas para gerar mais lucros para acionistas da Petrobrás, na bolsa de Nova Iorque. Na minha opinião a política de preços deve ser construída de acordo com as condições de produção. Desde de a retirada do petróleo. O Brasil é autossuficiente na produção até a fase de chegar na bomba. O refino do petróleo tem que acontecer aqui dentro. A Petrobrás tem que ter um controle da cadeia produtiva como um todo. Então o que precisa ser feito é o fortalecimento das refinarias nacionais. O Brasil precisa parar de exportar petróleo cru e importar o petróleo e seus derivados, por que isso encarece muito.

BE- O senhor defende que a Petrobras seja completamente reestatizada. A petrolífera é hoje uma empresa de capital misto – parte pertence a acionistas privados e parte pertence ao governo, por meio da União e do BNDES. Como o senhor pretende trazer a Petrobrás de volta ao estado e qual seria sua política de gestão?

GB – A Petrobrás hoje é uma empresa com controle majoritariamente público. E Ela tem que voltar a ser uma empresa com controle inteiramente público. Pois quando uma empresa se preocupa em atender interesse de acionistas ela perde a sua responsabilidade social com o país. A Petrobras tem que ter responsabilidade social com o brasil. Para evitar problemas como a greve dos caminheiros, os abusivos aumentos do diesel. Nós chegamos a pagar R$ 5 reais no preço da gasolina. Aumento do botijão de gás que os brasileiros já estão sentindo a alguns anos. Então a Petrobrás precisa voltar a servir ao povo brasileiro e não enriquecer fundos internacionais.

BE- Seu programa de governo defende a implementação de mecanismos de democracia direta, como plebiscitos e referendos, pesados investimentos públicos em infraestrutura social e uma reforma tributária progressiva, com taxação concentrada na renda dos mais ricos e desoneração do consumo. Como seria essa reforma tributária progressiva?

GB – Hoje o estado brasileiro é um Robin Hood ao contrário. Ele tira dos mais pobres e da classe média. E dá para os super. ricos, pelos juros da dívida pública. Nós precisamos mudar a forma de se financiar o estado brasileiro. Os mais ricos, chamados do andar de cima tem que começar a pagar contas. Pobre e classe média já paga imposto até demais no Brasil. E a maior parte do imposto no país é sobre consumo. Tudo que agente consome agente para imposto indireto. Na minha gestão a cobrança de impostos mais forte vai acontecer sobre renda, patrimônio e operação financeira. Numa ideia de quem tem mais tem que pagar mais. E quem tem menos tem que pagar menos. E tem que ser assim que funciona. Isso significa que temos que voltar a tributação sobre lucros e dividendos. Que essa é uma forma de grandes empresas e dos mais ricos não pagarem imposto no país pois não tem a tributação. Temos que fazer o imposto sobre grandes fortunas. Temos que criar uma outra faixa do imposto de renda que é um absurdo um professor ou um médico pague a mesma alíquota de imposto de renda que o Neymar. Um engenheiro pague a mesma alíquota de alguém que ganha R$ 1 milhão de reais por mês. Essa tributação tem que acontecer no Brasil. Um exemplo disso é que quem tem um carro no Brasil paga IPVA e quem tem um helicóptero não paga nada.

BE- O real é uma moeda que vem perdendo força no cenário internacional. Principalmente frente ao dólar que é a moeda principal do mundo. Nos últimos anos a moeda norte américa tem tido picos de alta e baixa no País. O senhor como presidente como trataria essa questão?

GB – A questão cambial do país precisa ser tratada com regulação dos fluxos financeiros. Por que que existem essa instabilidade cambial. E essa é uma medida importante por conta da entrada de capitais especulativos, que não deixam nada do Brasil e que entram e saem sem qualquer controle. Especulam com câmbio, depois vão embora. O Brasil precisa ser menos vulnerável a esses movimentos especulativos. Isso significa regulação de capitais. Tem que ter uma reforma do sistema financeiro do país.

BE- As Universidades publicas do Brasil enfrentaram uma greve de seis meses no último ano do governo Dilma devido ao corte nos orçamentos. Quais seus projetos para a educação superior do país?

GB – As universidades Federais pelo Brasil necessitam de uma nova politica de administração. O governo Federal cortou orçamento de muitas universidades ocasionando a maior crise que a instituição já teve na sua história. na minha gestão vamos trazer a universidade mais investimentos em pesquisas, mais cursos, mais vagas, além de fazer com que os profissionais saiam com mais qualificação. O debate nas universidades ele é muito importante. Precisamos fazer com que as vozes culturais que a universidade produz tenham mais espaço e investimentos do governo. Nesses sentido vamos criar mais espaços para que a cultura universitária possa disseminar seu espaço.

BE- As últimas pesquisas de intenção de votos na Bahia colocou o pré-candidato Marcos Mendes com uma pequena pontuação na corrida ao governo do estado. Existe alguma estratégia para esse período pré-lançamento oficial de chapa para melhorar a imagem do partido nas eleições?

GB – Vamos manter o foco na área social. A campanha do Marcos Mendes ela terá uma forte aliança com as comunidades sociais da Bahia. Nós sabemos que as campanhas que tem mais recursos podem despontar na frente, porém o PSOL da Bahia vai seguir fazendo uma campanha limpa, com candidatos que não estão envolvidos em esquemas de corrupção. Não temos nenhuma nova estrategia traçada de acordo com os números das pesquisas, acreditamos é que na campanha a Bahia vai ter em Marcos uma esperança de mudança no estado. Vamos seguir fortes.

BE- O senhor esteve com o ex-presidente Lula no último discurso antes dele ser levado a Curitiba. Como o senhor avalia a possibilidade de Lula não ser candidato, e na sua opinião como fica o processo eleitoral sem Lula?

GB – A justiça foi ferida. Nós entendemos que todos tem direito a defesa porém no caso de Lula as provas não foram apresentadas e mesmo assim ele foi condenado. Acreditamos que a eleição mais justa seria com o Lula podendo se candidatar até que fosse provado que ele não culpado, ou até que ele fosse inocente. O PSOL está do lado das provas, das verdades do fato. Essa semana mesmo vou depor sobre a ocupação do triplex atribuído a Lula. Na minha opinião transformaram a invasão num ato criminal quando na verdade ele é um ato político. A política está em questão, e não a criminalização. Recebi a intimação por conta da ocupação feita no tríplex do Guarujá. É evidente que essa é uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais e de intimidar minha pré-candidatura presidencial. Entendo isso como um gesto político da Policia Federal lamentavelmente.

CARLOS ANDRADE- PRESIDENTE DA FECOMÉRCIO/BA
CARLOS ANDRADE- PRESIDENTE DA FECOMÉRCIO/BA

BE- O senhor foi reeleito essa semana como presidente da Fecomercio-BA. Quais serão as principais medidas adotadas para o comércio nessa sua nova gestão?

CA – Nossa diretoria está terminando um mandato agora em 2018 e iniciando um novo ciclo. Nossas principais metas são a conclusão de alguns projetos que não foram concretizados durante o exercício que se finda. Principalmente as obras do SESC nas cidades de Alagoinhas e Jacobina. Feira de Santana e Porto Seguro estão praticamente com datas para serem inaugurados. No que se refere ao SENAC nós temos algumas unidades previstas para serem inauguradas como Amargosa Camaçari. Mais algumas cidades do interior. Nossos objetivos é manter o trabalho forte aqui na capital e interiorizar. É nossa missão dar assistência ao empresário de bens serviços e turismo, mas também, não podemos deixar de apoiar aos nossos colaboradores.

BE – Segundo o IBGE o comércio foi um dos três setores que mais colaboraram para o desemprego crescer na Bahia na comparação entre fevereiro / março?

CA- Nós entendemos que o comércio, o serviço e o turismo por serem os segmentos que mais empregam, obviamente quando existe o desemprego são aqueles que mais desempregam. Esses números mostram o momento atual que o país enfrenta. Não só a Bahia. Os números recentes apontam para aproximadamente 14 milhões de desempregados o que realmente é lamentável, por que nos entendemos como federação do comércio, o setor com esses números é realmente péssimos para o crescimento e desenvolvimento, prejudicando o PIB do país. E nós temos a lamentar esse desemprego. Por que entendemos que o emprego é a mola mestre do desenvolvimento.

BE- O Índice de Confiança do Comércio, medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), variou -0,1 ponto em abril, passando para 96,7 pontos, primeira queda depois de sete altas consecutivas.  Podemos afirmar que o empresário baiano está menos confiante na hora de investir?

CA –  Eu diria que não. Eu diria que neste momento nós teremos umas oscilações para mas e para menos, muito pequenas. Mas nós estamos otimistas. Entendemos que o primeiro trimestre é início de ano. Aqui na Bahia dizem que o baiano só começa a trabalhar após o carnaval e eu tenho certeza que depois do carnaval eu tenho certeza que nossa economia será aquecida.

BE- O setor de serviços recuou 0,2% em março na comparação com fevereiro, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor apresenta uma grande instabilidade no ano com altos e baixos no estado. Podemos afirmar que o setor na Bahia está demorando mais do que o esperado para se recuperar da crise que o país viveu nos últimos anos?

CA- Pelas mesmas razões que eu lhe expliquei. O setor de serviços é o que mais emprega e quando tem uma crise é o que mais desemprega. Quando existe uma pequena oscilação de 0,5 %, 1 % ou 2% esse setor também é o que mais sofre. Quando cresce é o que mais cresce, quando desemprega é o que mais desemprega.

BE- Quais medidas devemos tomar para que a economia volta a crescer e o setor de comércio e serviços a gerar emprego?

CA- Para q eu a economia volte a crescer nós precisamos no mínimo de uma estabilidade política. E Brasília nos dificulta um pouco. Não o setor de partido a, b ou c, a conjuntura de Brasília não é favorável ao crescimento. Eu entendo que a parte de credito, na economia, os bancos principalmente os privados fomentassem um dinheiro mais acessível para os empréstimos do comércio seria muito favorável. O governo fez a parte dele e tirou a SELIC de 14% e deixou em 6,5% e os bancos praticamente não reduziram os juros. Nos esperamos que o setor bancário, e os banqueiros principalmente tenham consciência disso e facilitem o credito, por que não adianta ter juro baixo, sem o credito liberado para aqueles que querem investir, principalmente para o pequeno a médio e o micro empreendedor, que estão havidos muitas vezes desempregados e precisam conseguir recursos.

BE- Qual a sua expectativa para as eleições desse ano ?

CA- Eu espero que seja dentro da normalidade. Mas não vejo com bons olhos, face os últimos acontecimentos. Torcemos por mudanças, mas entendemos o momento político que vivemos e torcemos para que a população vote nos melhores.

JOÃO HENRIQUE GARANTE CANDIDATURA E DIZ QUE PRETENDE INVESTIR EM SEGURANÇA E EDUCAÇÃO SE ELEITO
JOÃO HENRIQUE GARANTE CANDIDATURA E DIZ QUE PRETENDE INVESTIR EM SEGURANÇA E EDUCAÇÃO SE ELEITO

BE- As candidaturas de João Gualberto e Zé Ronaldo estão muito próximas de fecharem uma união. O prefeito ACM Neto prega a formação de uma grande chapa para enfrentar Rui Costa. O senhor hoje pode fazer parte dessa grande chapa de oposição ao governo que está se formando?

JH- Não. Nós vamos até o fim. Eu estou com convicção de fazer essa campanha até o final.  Nós do PRTB, estivemos alinhados e reunidos com o presidente nacional da legenda Levy Fidelix  e fechamos um compromisso de trazer essa candidatura até o final, nós vamos até o fim assim, como Da Luz sempre fez, nós vamos levar essa candidatura até o fim. Temos certeza que vamos apresentar a Bahia, propostas boas e seremos bem avaliados pela população.

BE-  Quais os partidos que hoje apoiam a sua candidatura?

JH – Esse assunto de articulação para campanha ainda é mantido sob sigilo. Veja bem: temos hoje contato com partidos que estão dentro da base da prefeitura e dentro da base do governo do estado, e ambos, podem sofrer retaliação, caso anunciem que estão ao meu lado  para o governo do estado. O que eu posso garantir,  é que nossa campanha terá aliados  limpos e fortes, para que possamos fazer uma campanha segura ao governo do estado.

BE- Quais os nomes que hoje podem compor a sua chapa?

JH- Eu posso confirmar. Está quase certo que Celsinho Cotrim será meu candidato ao senado. Ele tem uma larga história na política e na saúde através de sua família. Ele tem 200 mil seguidores em suas redes sociais e isso vai ajudar muito a todos nós que estamos em campanha. Além dele, outros nomes vão surgir, assim que a chapa estiver perto de ser anunciada.

BE- O senhor deixou a prefeitura com índice de rejeição grande. Isso pode atrapalhar sua candidatura?

JH – Sobre isso, é importante dizer que eu fui vítima de um ataque injusto de meus adversários políticos, eles tinham medo de mim, que por duas vezes sai de quinto na disputa a prefeitura e terminei em primeiro. Eles não conseguiam explicar que fenômeno era esse, que tinha na cidade, que por duas vezes seguidas, foi prefeito. Então eles montaram uma série de notícias falsas, que eu era inelegível,  ficha suja, que eu era isso, era aquilo. Fizeram uma grande encenação e eu acabei tendo que sair candidato a vereador nas últimas eleições para mostrar que era tudo mentira. Fui candidato sozinho, sem recursos, apoio, sem nada. Queriam mostrar que não era inelegível  e nem ficha suja como meus adversários pregaram. Eles têm medo e até pavor de disputarem uma eleição comigo.Eles têm o governo do estado nas mãos e a prefeitura também, além de terem muito poder financeiro. Foi assim que eles tentaram manchar meu nome e assassinar a minha reputação, porém não conseguiram.

BE- O que o senhor acredita que seja prioridade para um bom governo?

JH- Depende da área territorial de atuação. Hoje no interior do estado, temos uma região do semiárido que tem quase 7 milhões de pessoas que necessitam de água potável, água para os animais e água para irrigação da agricultura. Então é preciso perfurar mais poços artesianos, construir barragens, trazer adutoras e principalmente levar adiante a grande obra esperada do canal do sertão baiano, para atender a região do semiárido. Na capital, eu destacaria a necessidade de investir em saúde pública, segurança pública,  educação em tempo integral  e políticas públicas de geração intensiva de mão-de-obra, bem como, novos empregos virtuais de última geração. Em relação à saúde, eu destacaria a necessidade de mudar o sistema de regulação. As pessoas estão morrendo em filas e sem atendimento médico ,isso é uma grande crueldade e nós temos bons projetos para melhorar a saúde da capital e do interior.

BE- Grande parte de seus projetos como prefeito foram de recursos federais e hoje seu partido não tem uma grande expressividade no congresso. Como conseguiu esses recursos?

JH- Nós do PRTB, temos um partido formado por candidatos  ficha limpa. Isso é um trunfo que vai fazer a legenda e eleger governadores e deputados federais, possibilitando  acesso ao governo federal  para trazer os recursos necessários para fazer as obras. O PRTB , já tem um senador e eu tenho certeza que vai eleger deputados e governadores nas próximas eleições. Somos formados por candidatos  ficha limpa e isso, o Brasil vai apoiar nas próximas eleições.

CONSTRUÇÃO CIVIL CARECE DE NOVOS LANÇAMENTOS PARA VOLTAR A CONTRATAR, DIZ ADEMI
CONSTRUÇÃO CIVIL CARECE DE NOVOS LANÇAMENTOS PARA VOLTAR A CONTRATAR, DIZ ADEMI

BE- O Setor da Construção Civil foi um dos que mais demitiram funcionários segundo números divulgados pela Superintendência de Estudos Econômicos da Bahia. O setor ainda apresenta queda segundo números do IBGE e parece com dificuldade de sair da crise de 2016 e 2015. Como o senhor analisa o setor nesse momento na Bahia?

CC- Veja bem. A crise de 2016 atingiu a vários segmentos da economia. Inclusive a Construção civil. A economia deu leves sinais de recuperação em 2017, porém não é fácil superar uma crise aguda como foi em 16. O setor da Construção civil depende de crédito. Precisa que as pessoas tenham condições de adquirir seus imóveis. Esse processo é demorado e na Bahia estamos lutando para que tenhamos resultados melhores. O desemprego na construção civil é decorrente da falta de novos lançamentos. As construtoras estão lançando menos imóveis na Bahia. Então é um processo cíclico. Quando os imóveis ficam prontos e não tem novos lançamentos as pessoas acabam tendo que a aguardar o setor voltar a crescer e novos lançamentos acontecerem. Estamos num momento de poucos lançamentos, por isso o setor foi um dos que mais demitiu na Bahia. Estamos trabalhando para que o segmento volte a contratar.

BE- A ADEMI tem dois grandes eventos de vendas de imóveis para acontecerem nesse mês de maio em Salvador. O Feirão da caixa e a semana do metro quadrado. Qual a importância desses eventos para o setor da construção Civil?

CC- Esses eventos são fundamentais para a movimentação da economia no setor da Construção Civil. É muito importante que esses eventos aconteçam para que o consumidor tenha oportunidade de comprar com melhores condições. Esses imóveis que vão ser colocados nos feirões atendem a várias classes da sociedade que esperam uma boa oportunidade, com melhores condições de pagamento, e melhores preços para comprar seu imóvel.

BE- O que o senhor poderia falar em relação ao preço dos imóveis na capital?

CC- Nós temos hoje um público interessado naquele imóvel lançado a quatro cinco anos atrás que nesse momento está parado. Esse imóvel, pronto que as construtoras não conseguiram vender são aqueles com condições e preços mais atrativos para o consumidor. Eles oferecem condições de pagamento melhores. Baixam os juros, melhoram os preços e são aqueles que o consumidor consegue adquirir com mais facilidade.

BE- A caixa ainda é a principal financiadora de imóveis do Brasil. Porém nos últimos anos outras opções surgiram e a própria caixa perdeu espaço no mercado devido à crise política e econômica por qual passou. Qual a importância de uma maior oferta de credito para o consumidor?

CC- A Caixa ainda é responsável por quase 70% dos financiamentos de imóveis no Brasil. Nós temos nos reunidos muito com o pessoal da caixa para conversar sobre as condições de financiamento dos imóveis e temos tido bons resultados. Se você analisar bem a mais ou menos dois anos atrás a Caixa reduziu o valor do financiamento de imóveis de 70 para 50% e ainda elevou os juros para 10%. Tudo isso para poder cumprir o acordo da Basiléia. Isso prejudicou muito o setor e novas opções de financiamento com outros bancos surgiram. Passado o acordo, tem mais ou menos um mês, que a Caixa voltou a financiar 70% dos imóveis e baixou os juros para 9%. Isso ajuda muito.

BE- Em relação a burocracia para se comprar um novo imóvel o que a ADEMI tem feito para minimizar o tempo de conseguir c redito no mercado?

CC-Estamos tendo reuniões muito produtivas com as agências fornecedoras de crédito imobiliário. Se você analisar bem a poucos anos atrás existia uma burocracia muito maior do que essa que temos hoje. Esse é um trabalho continuo. Hoje temos vários serviços que são feitos online, coisa que não acontecia a um tempo atrás. Sabemos que isso ainda precisa melhorar, mas estamos lutando para que o consumidor tenha credito e possa comprar seu imóvel da melhor forma possível.

BE- A MRV anunciou um lançamento de imóveis na região do Iguatemi. O senhor já sabe onde será, e qual a previsão de entrega?

CC- Não. Isso é com eles lá na MRV. O que eu posso dizer é que sim, eles têm dois grandes lançamentos de imóveis para fazer em Salvador. Um na região da Paralela e outro na região do Iguatemi. Ambos vão atender aquela classe de pessoas que são beneficiadas pelo programa do Governo do Minha Casa Minha Vida. São imóveis com preços mais atrativos, e condições de pagamento auxiliadas pelo programa do governo. Esses imóveis vai movimentar o segmento da construção civil até o final do ano. Precisamos de mais lançamentos e acredito que em breve vamos poder anunciar dias melhores.

ACM NETO – PREFEITO DE SALVADOR
ACM NETO – PREFEITO DE SALVADOR

BAHIA ECONÔMICA: QUAIS AS RAZÕES O LEVARAM A OPTAR POR PERMANECER NA PREFEITURA DE SALVADOR?

ACM NETO: Em 2012, fui eleito Prefeito de Salvador após uma eleição muito difícil. Naquela oportunidade, como candidato da oposição, tive de enfrentar na campanha eleitoral toda a estrutura governamental que tinha Dilma na Presidência e Wagner no governo do Estado, todos apoiando o candidato indicado pelo governo. Para ganhar aquele eleição tive de ir buscar apoio no povo de Salvador, que tinha passado por administrações desastrosas e esperava abraçar uma candidatura que pudesse restabelecer a autoestima da cidade. Fiz uma campanha muito próximo da comunidade, estabelecendo um compromisso com a população e, após ser eleito, senti  o peso da responsabilidade que tinha com o povo de Salvador. Quando chega em 2016, após ter me dedicado integralmente a mudar a realidade da cidade,  sou reeleito com 74% dos votos, coisa que nunca era possível imaginar, até então: que um prefeito poderia ter, 74% dos votos disputando uma reeleição na cidade. Muitos políticos poderiam se entusiasmar e o sujeito poderia pensar “estou forte posso fazer o que eu quiser”. Mas foi ao contrário, aquilo aumentou ainda mais o peso da responsabilidade que eu senti no dia da eleição de 2012. E em 2016, eu fui muito provocado durante a campanha, para dizer se eu renunciaria ou não um ano e três meses depois. Mas eu sei que as pessoas daqui de Salvador hoje confiam na minha palavra. Então, eu não precisei hora nenhuma assumir o compromisso de que ficaria até o fim, de que não renunciaria ao mandato. Eu só disse uma coisa: Chegará 2018. E chegando 2018, eu farei o que for o desejo da população de Salvador. Foi o único compromisso que eu assumi. Eu não assumi outro.

BE: MAS, EM 2017, TODOS DAVAM COMO CERTA SUA CANDIDATURA AO GOVERNO DO ESTADO.

ACM NETO:  Durante todo o ano de 2017 a minha estratégia foi focar na minha administração, ser prefeito 100%, tanto é que fiz pouquíssimas viagens ao interior, não me sentia à vontade para iniciar uma pré-campanha, sobretudo, em função do momento de crise vivida pelo país – crise política sem precedentes, crise econômica gravíssima, das mais sérias da história do Brasil. Então, eu não me sentia à vontade para diante de um cenário tão difícil, de tanta dificuldade para as pessoas, já estar fazendo outra campanha, tendo acabado de concluir uma eleição, e sendo merecedor da confiança de 74% dos eleitores. Então, eu me limitei no campo político a fazer articulações e conversas muito aqui em Salvador. E quem vinha me visitar – deputados, prefeitos, ex-prefeitos, vereadores – nunca ninguém ouviu da minha boca eu dizer que iria ser candidato a governador, nunca. Eu dizia sempre: para eu me eleger governador eu vou precisar, igualmente, do apoio e da participação dos 417 municípios da Bahia. Mas, para  ser candidato eu só preciso do aval de um, que era Salvador. Sempre coloquei isso de uma maneira muito clara. Então, quando foi se aproximando o momento da decisão, de novembro do ano passado para cá, eu intensifiquei as minhas conversas nos bairros que visitei, nas reuniões que participei, vendo o que acontecia pelas redes sociais, que hoje é um elemento balizador.  E as pesquisas que eu fiz, sobretudo elas, tanto as qualitativas, como as quantitativas – que me colocavam na frente de Rui, na Bahia e em Salvador, mas apontavam, claramente, uma preferência do eleitor de Salvador pela minha permanência. Veja que em uma das pesquisas eu pergunto: Você prefere que o prefeito ACM Neto conclua o seu mandato até 2020 ou renuncie para disputar o governo da Bahia? E 63% respondem que preferem a conclusão do mandato. É muito expressivo. Claro, depois se pergunta: “E se ele renunciar, você vota nele para governador? A resposta é sim, eu não perdia o voto, mas o desejo, predominante, era que eu permanecesse na prefeitura.   Não só nas quantitativas, mas nas qualitativas isso ficava também muito evidente. Então, esse foi o elemento central. E aí o que eu comecei a pesar? Eu tenho 39 anos. Estou no meu segundo mandato. Posso concluir o meu trabalho na Prefeitura encerrando um ciclo, deixando um legado incontestável e carregando pelo resto da minha vida a marca de quem transformou a cidade em oito anos. E de quem teve o compromisso com a palavra, sabe que é uma coisa muito rara, cada vez mais, escassa na política do Brasil. Por outro lado, pensei: se eu renuncio ganhando ou perdendo, mas, principalmente, perdendo, no futuro eu não seria lembrado por tudo o que eu fiz pela cidade, e sim, como o cara que renunciou. Mesmo que fosse um resultado de vitória, uma vitória apertada que fosse, iria obscurecer o trabalho. Eu sigo uma máxima que é a seguinte: quem tem tempo não tem pressa. Não tem porque ter pressa. Então, se eu posso construir, outros projetos no futuro sem ter que renunciar, sem ter que carregar isso nas minhas costas, sem ter que responder por isso pelo resto da vida, pois será inevitável, porque então que eu vou fazer esse movimento agora, havendo um sentimento da população de preferência pela conclusão do mandato. Porque se o sentimento não fosse esse, eu me sentiria mais à vontade para sair. Se eu não tivesse um mandato, eu já estava em campanha para governador.

BE: HOUVE O RECEIO DE PERDER A ELEIÇÃO E FICAR SEM MANDATO DURANTE UM PERÍODO LONGO?

ACM Neto: Nunca tive a preocupação de ganhar ou perder a eleição. Nunca me preocupei no que é que aconteceria comigo caso eu perdesse, até porque, como presidente nacional do Democratas eu já teria uma ocupação relevante. O Democratas  é um partido hoje que se reposicionou, que vai ter um resultado positivo na eleição, que vai ter influência no cenário nacional a partir do próximo ano. Eu já teria ali um bom espaço de trabalho, de enfrentamento político para atravessar, eventualmente, quatro anos sem mandato, caso perdesse. Mas o fato é que isso nunca pesou. Eu nunca pensei: e se eu perder a eleição? Nunca pensei nisso. O meu pensamento sempre foi uma visão mais estruturada e com um alcance de longo prazo. E é claro que, no momento em que estou hoje, olhando os quadros da política brasileira,  eu quero ter uma perspectiva de um dia construir um projeto nacional, no fundo, eu quero ter uma perspectiva sem data marcada,. E eu sei que para isso eu não posso errar. E talvez a renúncia, independentemente do resultado da eleição, fosse um erro, e talvez eu tivesse que pagar um preço muito mais caro do que o que estou pagando agora.

BE: A DIFICULDADE DE FAZER ALIANÇAS, NÃO INFLUENCIOU? NÃO TEVE UM PESO IMPORTANTE?

ACM NETO: Não, não influenciou, porque o quadro que eu tinha comigo, já me dava plena condição de ser competitivo e enfrentar o Rui Costa. Eu teria quase o mesmo tempo de televisão que ele. Teria uma quantidade de partidos, talvez, até superior no geral a que ele tem. O quadro no interior era muito equilibrado. Então, isso não influenciou em nada. E olha que eu poderia ter me dado ao luxo de ser candidato com a costura que eu fiz e talvez até sem contar com o PMDB, porque era uma preocupação que eu tinha de deixar as coisas muito claras, o campo de cada um. Então, isso não pesou mesmo.

BE: E A REAÇÃO NEGATIVA ENTRE OS POLÍTICOS?

ACM NETO: É absolutamente compreensível de uma reação na classe política. Muito mais na classe política do que na população. Porque na população há uma reação em segmentos, digamos, radicalmente antipetistas, que não são poucos, mas que são eleitores que não vão com o meu adversário, com os nossos adversários, e em geral na população – eu já tenho como puxar esse termômetro pelas minhas redes sociais, pelas caminhadas que eu venho fazendo, pelos lugares onde eu venho andando – há uma compreensão muito clara. Muita gente dizendo, inclusive: “você teve uma atitude muito madura de desprendimento”.  Porque o normal para qualquer político seria renunciar e disputar o governo, sobretudo, eu achava, no fundo, que iria ganhar a eleição, e as pesquisas confirmavam isso. E o cenário nacional, o desenrolar dele iria favorecer o nosso campo político. No entanto, eu pensei, ponderei, examinei muito e acabou que a minha decisão, o centro dela, foi esse. É claro, que existiam questões partidárias que não estavam completamente resolvidas. Eu, por exemplo, briguei muito, no bom sentido, batalhei muito para que o Congresso resolvesse o financiamento de campanha, não resolveu, não está resolvido. É uma das coisas que também me trazia preocupação, porque eu acho que a partir dessa eleição, o Congresso vai ter que mudar novamente o sistema para equacionar o que não está equacionado hoje. Então, haviam questões menores que também pesaram, mas eu diria que a questão central foi olhar o longo prazo, projetar um curso de avanço na vida pública e acreditar que não valia à pena o risco das consequências para o meu futuro, de uma renúncia, não para o meu presente, mas para o meu futuro.

BE: EM QUE MEDIDA O QUADRO NACIONAL PODE BENEFICIAR A CANDIDATURA DA OPOSIÇÃO? E COMO FICA JOSÉ RONALDO, PRÉ-CANDIDATO DO SEU PARTIDO? 

 ACM NETO: Eu acho que o cenário nacional, o desenrolar dele, vai favorecer o nosso campo político. Na Bahia, o cenário nacional influenciou todas a eleições, invariavelmente todas.  Se você for ver, desde 1994, quando temos eleições gerais – pois em 90 não teve eleição para presidente, foi eleição isolada para governador – mas em 94 Fernando Henrique ganhou e nós ganhamos aqui; em 98 Fernando Henrique ganhou, e nós ganhamos aqui; em 2002 Lula ganhou e de certa forma nós ganhamos também porque nós éramos adversários de Serra no segundo turno, nós votamos em Lula, e houve um pacto de meu avô [Antônio Carlos Magalhães] com o PT. Chega em 2006, quando nós já não tínhamos mais diálogo com Lula e com o PT, que éramos adversários claros, e aí o PT ganha no Brasil e ganha na Bahia em 2006, 2010 e 2014. Então, eu vejo que com a ausência de Lula e com a crescente conscientização das pessoas de que Lula não poderá ser presidente da República, porque o PT vinha com esse discurso: Lula será o candidato e vai ser o presidente. Agora, as pessoas estão começando a cair na real de que Lula não é mais uma opção. Então, ele tem uma tendência de cair e a influência dele para mim vai ser muito pequena. Porque uma coisa é Lula solto nos palanques, fazendo campanha, pedindo voto, outra coisa é ele preso. A prisão dele gera uma comoção no começo, mas depois torna-se uma coisa normal. Deixa de ser a manchete principal de todos os veículos de comunicação e já vai se tornando uma matéria secundária e daqui a pouco está ali na nota de rodapé. Então, a ausência de Lula faz com que o PT venha para a vala comum, de candidaturas a presidente da República: Haddad com 2%, segundo o último Datafolha; Jaques Wagner com 1%, segundo o mesmo instituto. Então, eles não vão ter essa alavanca.  Assim, eu acho que o desenho da política nacional vai nos favorecer. Eu estou apostando numa disputa até o fim do primeiro turno, onde três correntes devem ter força e chances reais de disputar o segundo turno: de um lado, um candidato mais ligado às esquerdas; do outro lado, o Bolsonaro; e no meio um candidato do centro democrático que é a corrente nossa. Sendo isso, que venha a acontecer, o que que vai ocorrer num eventual segundo turno? O eleitor do Bolsonaro não vota numa esquerda e os candidatos mais de esquerda propriamente (do PT, PSOL, PCdoB) hoje são os que tem maior rejeição. Então, eu aposto muito que o cenário vai prosperar de maneira favorável ao nosso campo. E eu acredito que isso vai alavancar a candidatura nossa aqui. O segundo ponto: nessas mesmas pesquisas que eu fiz, 58% da população contra 31% indicam um desejo de mudança do atual grupo político. Terceiro ponto, Rui Costa até hoje não teve oposição. Passará a ter. Passaremos de maneira aberta, direta, objetiva a pontuar todos os problemas dos estados nos últimos 12 anos. Quarto, Zé Ronaldo não é um cara conhecido, então é óbvio que as primeiras pesquisas dão uma vantagem absurda ao governador, mas à medida que ele se tornar conhecido, que as pessoas enxergarem que ele faz parte do nosso campo político, que ele tem identidade comigo, que há um projeto consistente com o futuro da Bahia, ele vai crescer. Zé Ronaldo tem um ativo importantíssimo que é a facilidade de trânsito com prefeitos, ex-prefeitos, lideranças, vereador, deputado estadual e federal, presidente da União dos Prefeitos. Então, ele está atualizadíssimo da situação do interior. Ele é um “pé de boi” para trabalhar, então, nesses 10 dias, Zé Ronaldo já falou com mais de 300 municípios do interior.

BE: EM RELAÇÃO AO DEM, SUA DECISÃO DE NÃO DISPUTAR A ELEIÇÃO MUDOU ALGUMA COISA?

ACM NETO: O partido, não perdeu nenhum quadro representativo. O único deputado que saiu foi Cajado (Claúdio) ainda assim, ele havia anunciado a saída dele antes da minha decisão. Por outro lado, Arthur Maia entrou então compensou. Os prefeitos das grandes cidades, todos continuam conosco: Feira de Santana conosco, Vitória da Conquista, Camaçari, Simões Filho, Alagoinhas e Barreiras. Então, os principais prefeitos estão conosco. Até então, a gente não viu, o governo está em cima, vai assediar, a gente sabe disso, mas Zé Ronaldo tem feito um movimento muito interessante de contenção, e eu estou ajudando muito nisso, para evitar essa migração desenfreada em favor do Rui. E eleição é sempre uma surpresa. Em 2006, Wagner saiu em uma condição pior do que a que Zé Ronaldo vai sair agora, e ganhou a eleição. Puxado, tragado, pelas influências externas. O que pode acontecer agora? Então, não existe “WO” não vai existir, nós vamos para a luta. Eu vou participar ativamente da campanha, viajando ao interior, aqui em Salvador. Me sinto completamente liberado e à vontade para participar e tenho certeza que a população de Salvador vai compreender isso, até porque eu acho que tenho crédito mais ainda do que já tinha depois da decisão que tomei, e nós vamos para o campo e estamos animados.

 BE: O SEU COMPROMISSO  COM A ELEIÇÃO ENTÃO PERMANECE? 

ACM NETO: A maior demonstração que eu darei disso será evidenciada pelo meu engajamento e pelo meu trabalho em prol da candidatura de José Ronaldo. Eu vou entrar de corpo e alma, vou mergulhar, aliás já estou mergulhado, nos falamos três, quatro vezes por dia, vou me engajar e vestir a camisa e lutar. E sei que, por exemplo, se ele for eleito governador, que é o nosso desejo, talvez um projeto meu de disputar o governo da Bahia fique sem mesmo perspectiva de médio prazo, e isso não me aflige, e não tira um centímetro da minha disposição de mergulhar de corpo e alma para tentar vencer as eleições.

BE: E QUANTO A UNIÃO DA OPOSIÇÃO, EXISTE ESSA POSSIBILIDADE?   

ACM NETO:   Vou trabalhar incansavelmente, até o último instante, para que haja uma unidade de todos os partidos. Respeito, quero muito bem e tenho uma amizade pessoal a João Gualberto. Ele hoje poderia, inclusive, ser o nosso candidato pelo conjunto desses partidos, no entanto, depois que Zé Ronaldo renunciou, automaticamente, ele passou a ter a preferência. Tenho conversado muito com o PSDB, que tem uma responsabilidade grande com esse jogo todo e eu acho que no momento certo – eu não acredito que isso vai tardar demais – nós vamos estar todos juntos no mesmo barco.

BE: TEM UM FATO NOVO NAS ELEIÇÕES QUE É O JOAQUIM BARBOSA. NO QUADRO ATUAL, QUAL SERIA SEU CANDIDATO À PRESIDENTE? 

 ACM NETO: O que a gente tem hoje como claro é esse quando de pulverização, só visto em 1989 na história do Brasil. Hoje nós temos 22 pré-candidatos a presidente da República. Gente que até nunca ouvimos falar o nome e agora está se colocando como pré-candidato à República. O Joaquim Barbosa deve ser acompanhado com atenção. Não pode, não deve ser desprezado. É um elemento novo no processo. Se nós formos para as condições objetivas da política, elas não são favoráveis a ele porque ele está num partido hoje que diminuiu de tamanho, nacionalmente, que é o PSB (perdeu quase que um terço do tamanho nacional). Ele está num partido que ainda não conseguiu abrir um diálogo com outras correntes partidárias. Não adianta imaginar que ele consegue uma vitória inteiramente fora da política. De alguma forma ele precisa caminhar pela política para pensar em ter uma chance. Terá pouco tempo de televisão. E numa eleição extremamente pulverizada, dividida, espalhada e misturada, o tempo de televisão faz muita diferença. Não terá a priori palanques tão fortes em todos os estados brasileiros – você vai para São Paulo e o governador de lá (PSB) vai apoiar o PSDB, o governador não vai dar palanque a ele. Então, talvez ele só tivesse um palanque bem forte e estruturado em Pernambuco (aqui na Bahia ele não teria porque Lídice deve fechar com o PT). Então, ele deve ser acompanhado com cuidado. É um fato novo na história, mas tem obstáculos políticos na frente, que não são fáceis de serem superados. Por outro lado, no nosso campo existem alguns nomes hoje postos:  o nome do meu partido que eu defendo e defendo que seja candidato e estou disposto a entrar na luta por ele, que é Rodrigo Maia; temos o Geraldo Alckmin, que não pode ser desconsiderado nessa história; temos o Álvaro Dias, que pontua bem no Sul do país; e temos o Henrique Meirelles, uma hipótese de candidato do PMDB. Eu acho que no campo do centro até as convenções poderá ter uma diminuição dessas candidaturas, e aí a partir de uma eventual agregação de alguns nomes possa se evidenciar com mais clareza, adiante não agora, qual desse quadros teria condição de liderar uma candidatura no campo do centro. Eu acho que essa definição ficará um pouco mais para frente.

BE: PREFEITO, QUAL O LEGADO QUE VOCÊ E SUA ADMINISTRAÇÃO VÃO DEIXAR PARA SALVADOR?

ACM NETO:  Primeiro, eu acho que você tem alguns legados. Você tem um legado imaterial que não vai ser traduzido em obras, que não vai ser traduzido em prestação de contas, que é uma mudança completa do sentimento das pessoas em relação a sua própria cidade, da confiança que as pessoas passaram a ter da prefeitura, do respeito que Salvador voltou a ter em âmbito nacional, aquela coisa da autoestima mesmo, que estava comprometida no passado e que a gente recuperou. Eu nunca disse que todos os problemas estão resolvidos, pelo contrário, sempre pontuo que temos muitos desafios pela frente, mas é inquestionável quem compara a Salvador de 2013 com a Salvador de hoje, de reconhecer toda essa mudança de clima, de sentimento, de ambiente, que você não traduz em obras e não traduz em nenhum elemento material. Por outro lado, quando a gente vai para as questões mais objetivas, mais concretas você tem, do ponto de vista administrativo e financeiro, Salvador tinha uma prefeitura com os piores números do país, de endividamento, de compromissos com credores de curto, médio e longo prazos, de não poder assinar convênios e contratos por anos a fio, de nunca ter assinado um contrato de empréstimo internacional, de ter ficado 13 anos sem assinar um contrato de empréstimo nacional, uma prefeitura que tinha uma dívida consolidada, quando eu assumi, de quase R$ 3 bilhões, hoje é menos de R$ 300 milhões, hoje nós temos diversos empréstimos assinados, contrato de financiamento internacional firmado e outros em curso e que vamos firmar. Salvador hoje é de todas as capitais do Brasil a que mais investe com recursos próprios. Nós éramos a 23ª colocada no Índice de Gestão Fiscal da Firjan, hoje nós somos a 3ª colocada. Não temos dívidas de curto prazo, e as dívidas de longo prazo todas negociadas, alta capacidade de pagamento, enfim, o quadro administrativo-financeiro da cidade mudou inteiramente. Uma cidade que hoje anda com as próprias pernas, que pode liderar com recursos próprios projetos da grandeza do Hospital Municipal, do Centro de Convenções, de obras viárias transformadoras, dos investimentos na orla da cidade, da inauguração de uma escola por semana. Uma coisa é certa, no dia 31 de dezembro de 2020, quando o meu mandato se encerrar, Salvador continuará uma cidade equilibrada nas suas contas, com dinheiro em caixa, com capacidade de pagamento, com projetos de médio e longo prazos estruturados. Veja, o nível que nós mudamos o patamar da cidade, quando eu cheguei nós tratávamos aqui de que? Tapar o buraco da rua, recolher o lixo, colocar iluminação para funcionar, das coisas básicas. Hoje, Salvador tem sob a liderança da prefeitura o programa Salvador 360, com 360 ações de impacto direto na economia da cidade, se propondo a coisas, como por exemplo, liderar um hub de tecnologia, estimular startups, atrair empresas de serviços para se instalarem na cidade, coisas que nunca a prefeitura desempenhou esse papel, jamais, em tempo algum. Eu acho que o conjunto da obra vai falar muito mais forte do que qualquer ação específica que eu pontue. E eu diria que talvez onde mais se sente, inclusive, é nas áreas mais pobres da cidade. Coisa que muita gente que mora no centro não consegue ter ideia do que a gente vem investindo, vem melhorando em termos de infraestrutura, vem ampliando os serviços públicos, mas quem está lá na ponta sofrendo a pobreza sabe o que é que estou dizendo.

BE: DO QUE NÓS FALAMOS ATÉ AQUI, COM RELAÇÃO À SUA PERMANECIA NO CARGO, FICOU A IMPRESSÃO QUE A SUA DECISÃO NÃO DISPUTAR AS ELEIÇÕES EM 2018 OBEDECE UMA VISÃO DIFERENTE DE COMO FAZER POLÍTICA. VOCÊ SE SENTE UM POLÍTICO DIFERENTE?     

 ACM NETO: Eu entrei na política, digamos, totalmente pelas vias tradicionais. Primeiro, porque carregava um nome forte do meu avô. Em 2002, na minha primeira eleição, eu tinha uma estrutura política completamente favorável na Bahia. De 2006 em diante, eu tive que me adaptar, inteiramente, a uma nova realidade porque a um só tempo nós perdemos o governo do Estado, o meu avô faleceu, o grupo diminuiu muito de tamanho, eu tive que conviver, durante 10 anos do meu exercício parlamentar, com um governo que eu era oposição, um governo fortíssimo, que era quase um pecado falar mal daquele governo. Todos diziam: “Olha ou você vai mudar de lado ou você nunca vai conseguir vencer eleição nenhuma na Bahia e no Nordeste”, e eu disse, não, eu vou contrariar essa lógica mantendo meus princípios, minhas convicções, meus valores, minhas ideias, e vou construir. Isso aconteceu talvez antes do que racionalmente eu pudesse imaginar, com a vitória de 2012. E aí veja que as coisas não são por acaso. Eu em 2012 venci com uma liberdade e um conforto na minha aliança política, absoluto, que me permitiu montar um governo qualificado, escolher pessoas qualificadas para ocuparem lugares importantes da administração, e o resultado do trabalho foi por isso. Porque ninguém governa sozinho, eu sozinho eu não consigo, então, eu consegui montar uma equipe e foquei na gestão, em resultado, e aí eu acho que eu mostrei algo que é raro no Brasil: que é você conseguir conciliar ao mesmo tempo competência política e competência administrativa, eu acho que eu provei isso durante todo esse período aqui na prefeitura.  Ora, chegou agora, eu sabia que a minha decisão iria contrariar toda a lógica da política. Veja que coisa interessante, sem querer criticá-lo, até porque me dou muito bem com ele, mas João Dória se elege em 2016, como o não político. Diz que vai fazer tudo diferente, inclusive, se compromete a não ser candidato a reeleição ao final do mandato. Na primeira oportunidade que tem, age exatamente como o político tradicional, como qualquer político carreirista faria. Comigo, já foi o oposto. Mesmo tendo condições absolutamente favoráveis, um clima totalmente propício para isso, não, eu decidi contrariar a política e ficar. Aí, veja, nada contra a política porque é do que eu vivo, no que eu acredito, meu grupo é um grupo queridíssimo, de pessoas que estão comigo e que me ajudam a ser o que eu sou, e eu não chegaria aqui sem eles. Mas, eu acho que os políticos hoje precisam entender que as suas decisões precisam estar fundamentalmente focadas no que pensa o povo e não no que pensa a política. Senão, a gente não muda a política do Brasil. E não tem jeito, não vai mudar a política do Brasil sem sacrifício. Não vai, eu tenho absoluta consciência disso. Eu disse isso no meu discurso de posse, no dia 08 de março, quando ainda não havia decisão anunciada, e na oportunidade que assumia a presidência nacional do Democratas. Então, a política pode mudar a política, desde que essas mudanças não sejam feitas sob a ótica tradicional da própria política. Tem que ser feita sob a ótica do que é a nova exigência da sociedade. E é claro que isso é ser moderno no Brasil, isso poderia já ser algo arraigado, algo da nossa prática e absolutamente normal, mas não, no Brasil isso é ser diferente. E é por isso que mesmo sabendo que eu pagaria um preço alto com a política a longo prazo, eu apostei no futuro, apostei no longo prazo. E quero dizer sem nenhum tipo de arrependimento não terá nenhum “e se?”. Eu tomei a minha decisão consciente, refletida, amadurecida e tomaria esta mesma decisão dez vezes se fosse preciso.