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HAMBÚRGUER E BATATA FRITA: COMBO VILÃO OU ESTÁ LIBERADO?

João - 28/05/2025 13:32 - Atualizado 28/05/2026

Há alimentos que ficam na nossa memória afetiva e, independentemente da idade, o convite para saboreá-los, muitas vezes, é irresistível. Este mês, duas datas podem nos levar a uma dessas extravagâncias: 28 de maio é o Dia do Hambúrguer e 30, o Dia da Batata Frita. Essa dupla está entre os sanduíches mais populares e apreciados pelos brasileiros. Mas dá para comer sem tanta culpa? Afinal, o que não faltam são calorias.

Incluir esse combo numa rotina alimentar sem pesar na saúde é possível, porém exige atenção a alguns detalhes, ensina o Prof. Dr. Durval Ribas Filho – Médico Nutrólogo, Fellow da The Obesity Society – TOS (USA), Presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). “Apesar de frequentemente associados a uma alimentação pouco saudável, o hambúrguer e batata frita podem, sim, fazer parte do cardápio – desde que consumidos ocasionalmente e preparados de forma adequada. O alerta não está apenas nos alimentos em si, mas principalmente na frequência, na forma de preparo, na qualidade dos ingredientes e nos acompanhamentos”.

Para o especialista, o hambúrguer pode ser uma boa fonte de proteínas, ferro, zinco e vitaminas do complexo B, nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo. Mas o segredo está na escolha. “As versões prontas, congeladas ou resfriadas podem apresentar altos teores de sódio, gorduras saturadas e aditivos químicos, e o consumo repetitivo está associado ao aumento do risco de doenças crônicas, especialmente cardiovasculares”.

Já a parceira batata, em sua forma natural, é fonte de energia e contém nutrientes como potássio e vitamina C. “O problema surge quando se torna a ‘estrela’ que acompanha o hambúrguer, pois geralmente é frita por imersão em óleo, o que eleva significativamente o valor calórico e o teor de gordura, além de favorecer a formação de compostos potencialmente nocivos, como a acrilamida, quando é submetida a altas temperaturas” explica o médico nutrólogo.

Mas como tornar este combo mais equilibrado?

Escolha do pão – Dê preferência aos integrais.

Carnes magras – Opte por hambúrguer caseiro e grelhado, com carnes com menor teor de gordura. Uma sugestão opcional é um pouco de aveia fina ou farinha de linhaça, para dar “liga”.

Temperos naturais – Use alho, cebola, salsa e cebolinha. As versões secas das ervas ajudam o hambúrguer a reter mais líquido e “encolher menos” durante o cozimento. Não exagere no sal.

Na textura – Uma dica é misturar todos os ingredientes sem compactar demais e modelar os hambúrgueres em altura média, para não ressecar.

No fogo – Grelhe em frigideira antiaderente ou churrasqueira e evite ao máximo o uso de óleo.

Sem carne – Prove as versões vegetais, tendo como base grão-de-bico, lentilhas ou quinoa. Apenas amasse os grãos, para que seja fácil modelar. Não deixe virar um purê, pois a textura é mais agradável ao paladar. Asse no forno, na air fryer ou grelhe com pouco óleo.

Batata ideal – Asse ou prepare na air fryer e não perca a mão no sal.

Complementos – Saladas e vegetais são ótimas opções. Algumas frutas, como abacaxi, podem trazer um sabor extra ao sanduíche. Evite molhos industrializados ou os utilize com muita moderação.

“O consumo ocasional deste sanduíche não representa risco para pessoas saudáveis. O cuidado deve estar no padrão alimentar como um todo. Pequenas mudanças na forma de preparo e nas escolhas diárias podem transformar uma refeição tradicionalmente vista como ‘vilã’ em uma opção mais equilibrada, dentro de uma rotina alimentar saudável. O que não se deve é substituir sempre as refeições por esse tipo de combo ou optar, depois, por dietas restritivas para compensar o consumo de tantas calorias e gorduras. Vale sempre o bom senso e ter, no dia a dia, pratos ricos em vegetais, frutas e verduras”, orienta o especialista.

 

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