

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, de 38 anos, foi presa na manhã desta quinta-feira (21), em sua residência localizada em Alphaville, na Grande São Paulo, durante a Operação Vérnix, realizada pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Polícia Civil. Esta é a segunda vez que a influenciadora é detida. Ela é investigada por suposta ligação com o PCC.
A ação policial apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado à alta cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os investigados também estão Marcola, apontado como líder da organização criminosa, além de seu irmão, dois sobrinhos e um suposto operador financeiro conhecido pelo apelido de “Player”.
De acordo com as investigações, Deolane teria recebido recursos financeiros provenientes da facção por meio de uma transportadora de cargas apontada pelas autoridades como responsável por movimentar valores ligados ao grupo criminoso. Conforme a apuração, a empresa funcionaria como um canal para a circulação de dinheiro em espécie oriundo das atividades da organização. A operação determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em bens e resultou na apreensão de 17 carros de luxo e quatro imóveis.
A defesa da empresária, conduzida por sua irmã, Daniele Bezerra, repudiou a prisão e alegou que a medida representa uma perseguição. “Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações”, declarou.
Segundo a defesa, o caso envolve diferentes dispositivos legais. “A Lei de Lavagem de Dinheiro prevê penas de três a dez anos de reclusão. Além disso, a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, criou novas modalidades criminais, entre elas o chamado ‘domínio social estruturado’, cuja pena varia de 20 a 40 anos, e o favorecimento a esse domínio, com punição de 12 a 20 anos. Caso Deolane seja considerada integrante da organização criminosa, poderá responder pelo crime mais grave. Se for entendida apenas como colaboradora do esquema financeiro, o enquadramento será o segundo. Somadas a outras infrações, como lavagem de dinheiro e associação criminosa, as penas podem alcançar até 66 anos de prisão”, explicou.
Sobre a possibilidade de obtenção de um novo habeas corpus. “A nova legislação ampliou as hipóteses para decretação da prisão preventiva, tornando a defesa mais difícil desde a audiência de custódia. Para reverter a medida, seria necessário demonstrar falhas concretas na decisão judicial, como falta de fundamentação, ilegalidade na prisão ou excesso de prazo processual. Embora seja possível, o contexto atual e a consistência da investigação tornam esse caminho mais desafiador do que em 2024”, concluiu.
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