

A Bahia está de vez na corrida das chamadas terras raras. A necessidade de busca por minerais capazes de sustentar carros elétricos, turbinas eólicas, inteligência artificial e sistemas de defesa está inserida em novos projetos da indústria da Bahia. O estado concentra 33% das áreas de pesquisa de terras raras no Brasil e vem atraindo projetos bilionários que podem redesenhar parte da cadeia mineral e industrial baiana nos próximos anos.
O único empreendimento brasileiro já em funcionamento é o Mineração Serra Verde, em Goiás, voltado à extração de terras raras a partir de argila iônica. Mas a Bahia também passou a ocupar uma posição estratégica nesse mapa. O próprio Ibram aponta o estado como “um centro futuro de diversificação da matriz das terras raras”.
O posto de unidade federativa brasileira com maior número de pesquisas sobre áreas de terras raras é baiano. São 1.167 áreas requeridas para estudos e 1.055 já autorizadas. Isso corresponde a 33% do total de requerimentos no país. Quem detalha esses números é Ana Cristina Magalhães, economista mineral e coordenadora de Fomento à Mineração, Petróleo e Gás na Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE). “Mais de 60 áreas no estado têm direito a requerer lavra, ou seja, são relatórios de pesquisa aprovados pela Agência Nacional de Mineração (ANM), o que significa reservas provadas e quantificadas”, complementa.
Um diferencial baiano para esse protagonismo nos estudos de terras raras é o conhecimento geológico. Segundo Ana Cristina, a Bahia é o estado brasileiro mais bem estudado geologicamente, “totalmente mapeado e coberto por levantamentos aerogeofísicos, cujas informações podem ser cruzadas e reprocessadas, permitindo às empresas a identificação de possíveis áreas para pesquisa”.
Esse potencial já começou a sair do campo das projeções geológicas e avançar para projetos bilionários. Um deles está em fase de pesquisa mineral no extremo sul da Bahia, entre Prado e Caravelas. A canadense Energy Fuels Brazil desenvolve na região uma iniciativa voltada à exploração de terras raras e minerais pesados, com investimento estimado em US$ 27,5 milhões (aproximadamente R$ 137,5 milhões). A área reúne ocorrências de minerais como monazita, uma das principais fontes usadas na cadeia global de elementos de terras raras.
Segundo dados apresentados à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), o projeto possui 17 concessões minerais e mais de 3.300 furos de sondagem realizados, indicando potencial para produção anual de concentrados de areia monazítica e óxidos de terras raras. A mineralização superficial também é vista como uma vantagem operacional por permitir métodos de extração considerados menos complexos.
Mas é no Recôncavo Sul baiano que está a proposta mais avançada – e, talvez, mais ambiciosa – ligada às terras raras no estado. A Brazilian Rare Earths (BRE), por meio da Borborema Recursos Estratégicos, desenvolve o Projeto Monte Alto, entre os municípios de Jiquiriçá e Ubaíra, com planos que vão além da extração mineral. A área fica na província mineral Rocha da Rocha, em uma faixa de aproximadamente 160 km, com mais de 200 mil hectares de direitos minerários para a companhia. Lá, o que chama atenção é o elevado teor de terras raras reportado nos resultados de exploração divulgados até o momento. (A Tarde)
Foto: Ricardo Stuckert | PR