

A Promédica Proteção Médica a Empresas S.A., operadora de planos de saúde do grupo Hospital Jorge Valente (HJV), encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 1,08 milhão — uma queda de 33% em relação aos R$ 1,6 milhão registrados em 2024. A redução, revelada no balanço publicado pela diretoria, reflete a pressão crescente da sinistralidade sobre as margens da operadora, que movimentou R$ 438,8 milhões em contraprestações de planos de saúde no ano.
O principal vilão do resultado é o custo assistencial. Os eventos e sinistros líquidos pagos pela operadora somaram R$ 290,8 milhões em 2025, consumindo a maior parte da receita e deixando margem operacional estreita. Despesas administrativas e com comercialização completam o aperto, tornando o lucro final cada vez mais dependente de receitas financeiras para se sustentar — um sinal de alerta para a solidez do modelo de negócio. As informações estão no balanço das empresas, divulgado na semana passada, e analisado pelo portal Bahia Econômica.
No mesmo grupo, a situação do Hospital Jorge Valente é mais grave. A Promédica Patrimonial S/A (PROPAT), responsável pela gestão dos ativos do grupo HJV, encerrou 2024 — último exercício disponível — com prejuízo de R$ 508 mil e patrimônio líquido negativo de R$ 21 milhões, configurando passivo a descoberto. O prejuízo acumulado já soma R$ 37,8 milhões, com liquidez corrente crítica de apenas 0,37. O balanço de 2025 não foi divulgado até este momento.
A arquitetura do grupo revela uma dependência estrutural: a PROPAT concentra dívidas e ativos imobilizados, carregando R$ 95,5 milhões em transações com partes relacionadas, enquanto a Promédica Proteção Médica é a engrenagem que gera caixa e sustenta o conjunto. Com o lucro da operadora encolhendo ano a ano, essa sustentação se torna cada vez mais frágil.