
A formação de lideranças se tornou uma das principais demandas das áreas de Treinamento e Desenvolvimento (T&D). Segundo levantamento deste ano da Twygo, plataforma de gestão de aprendizagem (LMS), 48% dos mais de 270 profissionais ouvidos apontaram a formação de líderes como um dos principais objetivos do T&D nas empresas.
Essa prioridade aparece em um momento em que a rotina das lideranças se tornou mais complexa. Além de acompanhar metas e resultados, gestores passaram a ter papel direto na comunicação interna, no engajamento das equipes, na adaptação a novas tecnologias e na condução de transformações dentro das empresas.
A liderança de uma empresa não é apenas responsável pelas metas da área. Com a chegada das exigências da atualização da NR-1, por exemplo, a saúde mental no ambiente de trabalho passa a ser um fator crucial que os líderes devem observar. O levantamento realizado pela Twygo é uma amostra sobre a preocupação em capacitar profissionais a atuarem em outras frentes, principalmente com relação às necessidades pessoais dos colaboradores.
Uma pesquisa da Gartner, divulgada em 2024, reforça esse cenário. O desenvolvimento de gestores figurou como principal prioridade dos líderes de recursos humanos para 2025. O levantamento foi realizado com 1.403 líderes de RH e relaciona a demanda a fatores como crescimento dos negócios, avanço da inteligência artificial e mudanças no mercado de trabalho.
De acordo com a consultoria, três em cada quatro líderes de RH afirmaram que seus gestores estão sobrecarregados pela ampliação de responsabilidades. Além disso, 69% concordaram que líderes e gestores não estão preparados para conduzir mudanças.
Gestores mais pressionados exigem novas formas de desenvolvimento
Os dados ajudam a explicar por que a formação de líderes ganhou espaço dentro das estratégias de T&D. Em diversas empresas, o líder é quem traduz a estratégia para a rotina dos times. É ele quem escuta dúvidas, acompanha entregas e identifica dificuldades.
Quando o gestor não está preparado, a empresa pode ter dificuldade para transformar planos em prática. Para a Gartner, modelos tradicionais, como seminários e palestras, podem ser insuficientes quando usados de forma isolada. A recomendação é que as empresas deem mais espaço a experiências recorrentes de troca entre pares, networking e construção coletiva, aproximando o desenvolvimento da prática real da liderança.
No cenário brasileiro, o levantamento da Twygo indica que essa discussão também está no centro das prioridades do T&D. Ao apontar o desenvolvimento de lideranças como um dos principais objetivos da área, os profissionais mostram que formar gestores deixou de ser uma ação pontual e passou a fazer parte da estratégia de aprendizagem corporativa.
Foto: Reprodução/Magnific