

Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel, e divulgada pelo jornal A Tarde, mostra que 78,2% dos pais e responsáveis na Bahia defendem uma ampliação da regulação das redes sociais para restringir o acesso de menores a conteúdos nocivos.
O dado revela uma mudança importante na percepção das famílias: mesmo com regras em casa, apenas o controle familiar já não é suficiente diante da influência dos algoritmos e da exposição precoce às telas.
O debate sobre a transferência de parte da responsabilidade para o poder público ganha força com o apoio popular massivo. Para o advogado digital, Afonso Morais, essa intervenção não é apenas uma demanda social, mas um dever jurídico.
“O Estado pode e deve atuar quando existe risco à integridade de crianças e adolescentes. A liberdade de expressão não é absoluta. O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição permitem limites quando há violência, exploração infantil, pornografia ou estímulo a crimes nas plataformas”, afirma.
A pesquisa aponta que a dificuldade de controle não é apenas uma falha educacional, mas uma luta contra sistemas projetados para a retenção máxima de atenção. Morais destaca que muitos algoritmos estimulam comportamentos semelhantes à dependência.
“Na prática, muitos algoritmos são criados para prender atenção o máximo possível. Isso gera um comportamento parecido com dependência digital. O problema é que crianças e adolescentes ainda não têm maturidade emocional para lidar com esse modelo”, reforça.
Os números da pesquisa mostram que 79,5% dos entrevistados afirmam estabelecer regras claras para o uso do celular pelos filhos. Ainda assim, 97,3% acreditam que o uso excessivo causa prejuízos para crianças e adolescentes.
O levantamento AtlasIntel em parceria com o jornal A TARDE entrevistou 1.042 pais e responsáveis na Bahia, por meio de recrutamento digital, entre os dias 26 e 30 de abril de 2026. A margem de erro é de ±3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil