

O Ibovespa fechou esta quinta-feira em forte queda, recuando 2,38%, aos 183.218,26 pontos, após duas sessões consecutivas de alta. O pregão foi marcado por cautela dos investidores diante de incertezas no cenário externo, balanços corporativos e movimentos políticos e diplomáticos.
O dólar comercial terminou praticamente estável, com leve alta de 0,05%, cotado a R$ 4,923, após oscilar ao longo do dia. Já os juros futuros (DIs) encerraram em alta em toda a curva, refletindo um ambiente de maior aversão ao risco.
Exterior pesa e aumenta cautela global
Nos mercados internacionais, S&P 500 e bolsas europeias também fecharam em queda, acompanhando preocupações geopolíticas envolvendo o Oriente Médio e a falta de avanços em negociações sobre o Irã. A incerteza sobre o Estreito de Ormuz e possíveis ações dos Estados Unidos adicionou pressão ao mercado global.
Cenário doméstico e expectativas de juros
No Brasil, dados de produção industrial surpreenderam positivamente, reforçando projeções de um PIB mais forte no início de 2026. Ainda assim, analistas apontam que o aperto monetário e custos elevados podem afetar a atividade nos próximos meses.
A casa XP revisou projeções e agora estima a Selic em 13,75% ao fim do ciclo e o dólar em R$ 5, indicando cenário ainda restritivo para crédito e investimentos.
Lula e Trump no radar dos investidores
O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump também foi monitorado pelo mercado. A reunião na Casa Branca durou cerca de três horas e terminou sem anúncios concretos que alterassem expectativas econômicas.
Declarações posteriores de ambos os governos foram interpretadas como sinais de continuidade no diálogo, mas sem impactos imediatos para ativos brasileiros.
Bancos, Vale e Petrobras pressionam o índice
A queda do Ibovespa foi puxada principalmente por grandes empresas listadas:
Balanços corporativos aumentam volatilidade
A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 também trouxe forte dispersão no mercado. Entre as maiores quedas estiveram a Rede D’Or (-6,47%), enquanto a Totvs disparou 9,46% após resultado acima do esperado.
Outros destaques incluíram a Smart Fit, que subiu 11,66%, e a Minerva, que avançou apesar da queda no lucro, enquanto a Natura teve alta moderada.
Mercado segue atento a dados dos EUA
Investidores agora voltam as atenções para o payroll dos Estados Unidos, principal indicador do mercado de trabalho americano, que deve influenciar expectativas sobre juros globais e direção dos mercados na próxima sessão.
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