

Depois de semanas de discussão, o governo federal desistiu da proposta de permitir o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a população abater dívidas e deve apostar em uma nova fase do programa Desenrola. O governo encontrou dificuldades jurídicas para viabilizar o uso do FGTS para quitação ou redução de dívidas.
A decisão está em fase final de discussão dentro da área técnica do governo e pode ser fechada na próxima segunda-feira (27), quando o ministro da Fazenda, Dario Duringan, se reúne com representantes dos principais bancos em São Paulo. Uma nova fase do programa que permitiu renegociação de dívidas seria uma forma de ajudar famílias endividadas por conta dos juros altos e dívidas que se avolumam.
Pesquisa do instituto de pesquisas Datafolha mostrou que o endividamento atinge dois em cada três brasileiros. O desenrola foi promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 e é considerado um programa importante do início do atual governo.
Impacto eleitoral
Depois do pacote para combater os efeitos da guerra no Oriente Médio no Brasil, o governo definiu o socorro aos brasileiros endividados como prioridade para o primeiro semestre deste ano, como informou o blog do jornalista Valdo Cruz. O presidente Lula pediu ao ministro da Fazenda para levantar medidas para o refinanciamento das dívidas de brasileiros.
A medida têm um componente eleitoral, principalmente num momento em que Lula enfrenta novamente uma fase de aprovação ruim dos brasileiros.Lula não quer inflação em alta durante a campanha eleitoral, nem que as famílias continuem reclamando que seu orçamento não está fechando no final do mês.
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução