

“Com os gastos milionários feitos pela prefeitura com o discurso de que estaria preparando a cidade para o previsível período de chuvas, era para Salvador estar um brinco. Mas, ao contrário, o que vimos foi a cidade alagar na primeira chuva do ano. Pelo visto o dinheiro público escorreu pelo ralo e o prefeito nos deve satisfação”. A reação é da vereadora Aladilce Souza (PCdoB), que protocolou, nesta sexta-feira (24), ofício dirigido à SEMAN, com cópia para a Secretaria da Fazenda, cobrando cópias e os resultados dos contratos assinados em dezembro de 2025, no total de R$293 milhões, com quatro empresas de manutenção urbana: Jotagê Engenharia (R$74 milhões), Roble Serviços (R$77 milhões), Construtora BSM (R$72 milhões) e Metro Engenharia (R$70 milhões).
Com a falta de transparência que marca as gestões de Bruno Reis, segundo Aladilce, a população precisa pressionar para que os contratos, que deveriam ser de prevenção dos impactos das fortes chuvas na cidade, sejam revelados. “Apesar do valor divulgado, Salvador continua despreparada para qualquer chuvinha um pouco mais forte”, constatou a vereadora, argumentando que vai continuar exercendo sua prerrogativa de fiscalizadora do Executivo. “Em 2025 muitos pedidos de esclarecimento ficaram sem resposta”, observou.
Atrás do prejuízo
Os contratos envolveriam limpeza de galerias, desobstrução de canais, dragagem de bacias, repavimentação, melhoria da infraestrutura de drenagem e outros serviços necessários para prevenção de alagamentos.
“Qualquer gestor responsável sabe quais são os pontos críticos da cidade e não espera a chuva começar para correr atrás do prejuízo. Não adiantar culpar Santo Antônio. E as chuvas já começaram, com impactos na rotina de bairros como Cajazeiras, Pau da Lima, Cabula, Boca do Rio, Itapuã e Subúrbio Ferroviário. Até áreas centrais de Salvador, como o Vale do Canela e a Avenida Centenário, revelaram o despreparo da capital para enfrentar períodos de chuva”, frisou Aladilce.
Aditivos sem licitação
Nos ofícios a vereadora questiona a Sefaz e a Seman também sobre os critérios utilizados pela prefeitura para seleção das empresas beneficiadas com os contratos públicos milionários. Uma simples consulta ao Portal da Transparência mostra que só a Construtora BSM, já familiar ao longo das gestões do ex-prefeito ACM Neto e de Bruno Reis, faturou R$156 milhões em contratos, valor que saltou, graças a aditivos sem licitação, para R$395,3 milhões. Um acréscimo de 153% sobre o valor originalmente contratado.
A construtora integra também o Consórcio SIAN-BSM-CBS, responsável pela construção do Complexo Multiuso Arena Salvador, o que eleva o valor total da empresa com a prefeitura para R$573 milhões.



