quinta, 23 de abril de 2026
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ARMANDO AVENA – GALÍPOLO ENGABELOU LULA E ENGESSOU A ECONOMIA

Redação - 23/04/2026 05:00 - Atualizado 23/04/2026

Por que, mesmo com o PIB crescendo, as exportações se ampliando e a demanda em alta, muitas empresas estão ficando endividadas e recorrendo à recuperação judicial? A resposta é simples: por causa da taxa de juros, que ficou quase um ano no patamar de 15% e agora está em 14,75%. Taxas de juros dessa magnitude, por longo tempo, (mais o spread altíssimo) fazem com que as empresas que precisam recorrer ao mercado de crédito tenham um crescimento exponencial do custo de sua dívida. As empresas mais alavancadas e dependentes de capital de giro foram estranguladas pela política monetária.

Por que, mesmo com o país tendo a menor taxa de desemprego de sua história e os trabalhadores tendo a maior renda média já registrada, o endividamento do brasileiro cresce em todas as faixas de renda e quatro entre cinco famílias brasileiras relatam ter dívidas a vencer? A resposta é simples: por causa da taxa de juros no patamar de 15% há quase um ano. Taxas dessa magnitude e por tempo longo demais fazem com que as pessoas que recorreram ao mercado de crédito, seja pessoal ou imobiliário, tenham um crescimento exponencial do custo de sua dívida. E, se isso é acompanhado de uma expansão desregrada de bancos digitais oferecendo cartões de crédito de forma instantânea, com spreads que chegam a 450% de juros ao ano, a coisa piora.

A verdade é que a política monetária praticada pelo Banco Central, está engessando a economia brasileira. Nenhum país do mundo tem uma taxa de juro real tão alta por tanto tempo, para uma inflação do tamanho da nossa.

Roberto Campos Neto, o ex-presidente do Banco Central nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, elevou a taxa Selic a 13,75% e jogou o país num ciclo perverso de aumento dos juros. Foi extremamente ortodoxo, mas esperava-se que seu substituto, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nomeado pelo presidente Lula, desse início imediato ao ciclo de redução dos juros, pois a inflação já estava em queda. Qual nada! O Sr. Galípolo quis alcançar o troféu da ortodoxia: buscar a meta inflacionária no centro, em 3%, a qualquer custo.

E engabelou Lula, elevando a taxa Selic para impensáveis 15%, quando podia ter iniciado o ciclo de queda imediatamente. Mas, jeitoso, garantiu ao presidente que o indicou que começaria a baixar juros no início do ano eleitoral. Foi um erro monumental. Se tivesse baixado a taxa Selic quando era devido, não ganharia o troféu da ortodoxia, mas estaria muito mais confortável para enfrentar o aumento do preço do petróleo resultante da guerra no Oriente Médio.

A verdade é que a condução da política monetária está sendo desastrosa. Juros exorbitantes por longos períodos perdem eficácia no combate à inflação e produzem uma série de efeitos danosos na economia. Fragilizam as empresas que operam no limite e, aquelas que não conseguem gerar caixa e não têm crédito mais barato e dirigido, entram na bola de neve dos juros exorbitantes, com spreads mais exorbitantes ainda. E o pior é que as empresas sólidas deixam de investir, o que diminui a oferta futura e pressiona a inflação.

Ocultando o verdadeiro cenário, põe-se a culpa na questão fiscal, que deve ser solucionada, mas que não é o maior problema do Brasil. Com os juros reais mais altos do mundo, o problema não é o déficit primário, causado pela questão fiscal, quando o governo arrecada menos do que gasta. O problema é o déficit nominal, que cresce cada vez mais, faz a dívida pública crescer exponencialmente e é, na sua maior parte, gerado exatamente por juros excessivamente altos, por tempo excessivamente longo.

A questão fiscal deve ser atacada, e espera-se que não se agrave nesse fatídico ano eleitoral, mas muito mais importante que ela é a redução dos juros e a elevação da produtividade, que simplesmente não pode acontecer num cenário de juros exorbitantes. A verdade é que o Brasil está pagando um custo elevadíssimo em função de uma política monetária excessivamente restritiva.

Ao que parece, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, engabelou Lula, foi mais realista que o rei e aumentou os juros quando deveria baixar. E, agora, atropelado pela guerra no Oriente Médio, já não sabe o que fazer.

CONVITE

Convido todos os meus leitores para o lançamento do meu livro: A Modernidade caiu na rede, que vai acontecer hoje, quinta-feira, a partir das 18 horas, na Varanda do Amado Restaurante no Shopping Salvador.  É um pequeno livro, composto de textos lítero-sociais que analisam a arte, a cultura e a economia no mundo da Inteligência Artificial. O livro discute de forma literária  a nova modernidade que dominou o mundo e é regulada, cada vez mais, pela inteligência artificial. Nessa modernidade, um pequeno grupo de big techs, se apropriaram do conhecimento acumulado da humanidade e lucrar com ele, impactando a produção de mercadorias, da arte e da cultura.

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