

O governo federal destinou ao menos R$ 350,2 milhões para o aluguel de navios de cruzeiro utilizados como hospedagem durante a COP30, conferência do clima da ONU realizada em novembro de 2025, em Belém (PA). A informação consta em documento da Casa Civil enviado à Câmara dos Deputados, segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles.
De acordo com os dados, a Secretaria Especial da COP30 firmou contrato com a Embratur, que, por sua vez, contratou a empresa Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda para operacionalizar a hospedagem flutuante.
A Qualitours pertence à holding BeFly, criada pelo empresário Marcelo Cohen, e foi responsável por intermediar a contratação de embarcações das empresas Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros. Cohen é apontado como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro em um empreendimento hoteleiro de luxo em Campos do Jordão (SP).
Reportagem da Folha de S. Paulo aponta que Cohen utilizou recursos de fundos ligados ao Banco Master para expandir a BeFly, incluindo aquisições como Flytour e Queensberry. Ainda segundo o jornal, um relatório de inteligência financeira identificou uma transação em espécie de R$ 6 milhões entre o banco e uma empresa do empresário, em novembro de 2024.
Em nota, a Embratur afirmou que a contratação da Qualitours ocorreu por meio de chamamento público e seguiu todos os critérios legais. A agência destacou que a empresa apresentou a documentação necessária para comprovar capacidade técnica e idoneidade.
O órgão também informou que não houve participação do Banco Master na contratação dos navios e que a estrutura financeira da operação foi garantida pelo banco BTG Pactual, por meio de carta fiança.
Ainda segundo a Embratur, o contrato foi analisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou a contratação regular por unanimidade e apontou que o modelo adotado foi mais vantajoso economicamente do que o fretamento direto das embarcações.
A BeFly declarou que o Banco Master atuou apenas como provedor de crédito entre 2021 e 2023 e que a empresa mantém suas operações “sem qualquer irregularidade”. Já a Qualitours afirmou que o processo de contratação foi regular e compatível com as exigências técnicas do projeto.
Confira a íntegra da nota da Embratur:
“O Governo Federal, por meio da Secretaria Extraordinária para a COP30 e da Embratur, contratou dois navios de cruzeiro para atuarem como unidades temporárias de hospedagem durante a COP30, que foi realizada em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025.
A seleção da empresa responsável pela operação e comercialização das cabines ocorreu por meio de chamamento público conduzido pela Embratur. A Qualitours apresentou todos os documentos legalmente exigidos para atestar idoneidade e capacidade de execução do contrato. A estruturação financeira da operação foi garantida pelo banco BTG Pactual, por meio da emissão de carta fiança. Não houve qualquer participação do Banco Master no processo de contratação dos navios.
O contrato entre Embratur e Qualitours já foi auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Por decisão unânime, o plenário do TCU considerou a contratação regular.
No acórdão 756/2026, o Tribunal considerou “a plausibilidade da fundamentação técnica, jurídica e estratégica para a decisão, bem como os estudos preliminares que a sustentaram”. Além disso, o TCU também atestou que o modelo adotado pela Embratur se mostrou “economicamente mais vantajoso em comparação à alternativa de afretamento direto”.
Foto: Secom/COP30