

A prefeitura realizou hoje a primeira leva de oficinas de bairro que fazem parte do processo participativo para revisão do PDDU. Enquanto o interior dos locais de realização estava esvaziado, do lado de fora da oficina no bairro do Garcia um grupo de integrantes do Observatório do PDDU de Salvador protestou contra a forma que a prefeitura vem conduzindo o processo. Segundo os manifestantes, os locais, data e horário das atividades eram inadequados e faltou divulgação dos eventos, inviabilizando a efetiva participação da sociedade civil. A oficina da prefeitura-bairro de Itapuã nem chegou a acontecer, pois somente 4 pessoas compareceram – e todas tinham o objetivo de protestar.
Segurando cartazes com frases como “Sem o povo não há plano diretor” e “Revisão do PDDU sem o Conselho Municipal é ilegal”, o grupo se concentrou na entrada da Escola Municipal Hildete Lomanto onde acontecia a atividade referente às prefeituras bairro do Centro e Brotas e da Barra/Pituba. Os manifestantes também adentraram o local de realização, totalmente esvaziado, e fizeram a leitura de um manifesto denunciando a falta de voz da população no protesto.
“Muitas pessoas que gostariam e deveriam estar aqui contribuindo não têm nem ideia de que a revisão está acontecendo. O problema é que as decisões que serão tomadas nesse processo vão afetar a vida delas, assim como as nossas, pelos próximos 10 anos”, pontuou o documento lido por representantes do Observatório do PDDU nas quatro atividades.
Foi apontado também que a prefeitura sequer divulgou as atividades em seus canais oficiais de comunicação (como site e perfil do instagram), se limitando a postar um link para inscrições no site específico da revisão do PDDU que não é de conhecimento da população.
PDDU em Revisão
O processo de revisão do PDDU de Salvador, que deve ocorrer a cada 8 anos, começou atrasado no final de 2025 e até o momento não realizou nenhum tipo de discussão sobre a metodologia das atividades de participação popular. Os fóruns técnicos e oficinas de bairro realizados até agora tiveram suas datas, metodologia e convidados impostos pela prefeitura – o que vem sendo apontado como descumprimento da obrigação de promover a participação popular na discussão dos planos diretores prevista no Estatuto das Cidades.