

A produção cultural baiana sempre teve destaque no cenário nacional e internacional e no audiovisual a premissa também é verdadeira. No audiovisual contemporâneo, o trabalho da Têm Dendê Produções tem dado novas páginas a essa história, através de projetos que a produtora, com sede em Salvador, tem apresentado ao mercado, e das parcerias firmadas em colaboração com outros países.
Nesta semana, o filme “Tempo à Faca”, da Têm Dendê Produções, se une a outras 3 películas brasileiras para o “WIP – Work in progress”, seleção de filmes em processo de finalização, no Fórum Brasil — França 2026, em uma agenda que acontece nesta quinta-feira (16), no país europeu, no âmbito do 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris. “Tempo à Faca” é uma história original de Ruy Guerra, dirigida por Diogo Oliveira. Ele tem Agatha Moreira e Júlio Adrião como protagonistas e foi integralmente gravado no sertão brasileiro, em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), em 2025, com produção executiva de Vânia Lima. O longa conta a história de dois personagens em conflito com seus códigos de honra e desejos, em meio ao calor e crueza do sertão criado por Ruy Guerra.
Na França, o longa será representado pela executiva Keyti Souza, da Têm Dendê, e Daniella Menegotto, da distribuidora Lança Filmes, que seguem em busca de parceiros internacionais para coprodução e distribuição. “Estamos construindo pontes importantes para esse filme, que celebra a longa vida e obra de Ruy Guerra e a estreia de Diogo Oliveira, além do entusiasmo de construir uma narrativa contemporânea e vibrante. Acreditamos que o encontro poderá potencializar a chegada da nossa história em um público ainda maior”, explica Keyti.
Aproximar o Brasil de um mercado externo nunca esteve tão no radar dos produtores brasileiros. Na Bahia, a Têm Dendê vêm construindo uma escala de projetos com produções associadas e coproduções internacionais, buscando um mercado que também dialogue organicamente com as narrativas. “Estamos construindo histórias que viajam. Começamos com episódios de séries na Colômbia, filmes divididos com Portugal e Moçambique, agora um retorno a Colômbia e a chegada na Argentina também na nossa agenda de trabalho. A ideia sempre foi construir filmes autênticos com parceiros e audiências que façam sentido aos projetos. Acreditamos muito em histórias orgânicas, onde naturalmente coprodutores, agentes de vendas e produtores associados se juntam à história que contaremos. Alemanha, Inglaterra e França são possíveis novas ações a serem anunciadas em 2026 ainda”, diz Vânia Lima.
Um destes projetos é o filme “Cartas Para…” que atravessou o Atlântico sendo gravado entre Brasil, Moçambique e Portugal, com Elisa Lucinda, Paulina Chiziane e Raquel Lima. Ele irá concorrer no XVII Festival Internacional de Cinema da Fronteira, a partir de 29 de abril, no Rio Grande do Sul, na categoria “Longas-Metragens Internacionais”, avançando na agenda de exibições que conta com o Festival do Rio, a Mostra Internacional de São Paulo e o Panorama Internacional Coisa de Cinema. A narrativa acompanha Elisa Lucinda (Brasil), Paulina Chiziane (Moçambique) e Raquel Lima (Portugal), que trocam nove cartas ao longo do Atlântico, revelando seus cotidianos, angústias e descobertas como mulheres e escritoras que desafiam fronteiras, racismo, machismo e xenofobia.
Moçambique também será o destino de Vânia Lima, ainda neste mês, na programação da terceira edição do CPLP Audiovisual, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Por lá, ela é uma das orientadoras das Oficinas de Desenho Criativo de Produção. Ainda em 2026, dois outros filmes da Têm Dendê estão ganhando um desenho que chama atenção em mercados internacionais: o premiado “O Barco e o Rio”, que tem sua primeira etapa de produção a partir de maio, em Manaus; e o longa “Piscina”, do sergipano residente em Berlim Leandro Godinho, que conta uma história a partir da Segunda Guerra Mundial e as migrações para o Brasil, conectadas ao contexto atual.
Com 26 anos de fundação, o Grupo Têm Dendê constrói seus filmes a partir de uma relação com as diversas audiências, se destacando por um portfólio diversificado com longas documentais, séries de ficção e documental, além da carteira mais recente de filmes, com “Sambadores”, “Um Carnaval em Cada Esquina”, “Pontos de Força”, “Tempo à Faca”, “Antes que me esqueçam meu nome é Edy Star”, entre outros projetos que atravessam fronteiras físicas, de linguagem e afetivas.
Crédito das Fotos:
Agatha Moreira: Aryellson Carvalho
Raquel Lima, Paulina Chiziane e Elisa Lucinda: Divulgação