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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: USO ENTRE JOVENS E ADOLESCENTES REDEFINE HÁBITOS DE ESTUDO

João Paulo - 13/04/2026 08:20 - Atualizado 13/04/2026

A presença da inteligência artificial no cotidiano de jovens e adolescentes tem se intensificado nos últimos anos, impulsionada pela popularização de ferramentas capazes de produzir textos, imagens, vídeos e até resolver atividades escolares em poucos segundos. Esse fenômeno, já incorporado à rotina dentro e fora das salas de aula, tem provocado reflexões cada vez mais profundas sobre o papel da tecnologia no processo de aprendizagem e no desenvolvimento do pensamento crítico.

Atualmente, 92% das crianças e adolescentes brasileiras de 9 a 17 anos são usuários da internet, o que representa cerca de 24,5 milhões de pessoas. “Embora esses recursos possam contribuir para a autonomia e a otimização do tempo, o uso excessivo ou sem orientação pode comprometer habilidades fundamentais, como a escrita, a interpretação e a criatividade”, explica Klécius Oliveira, Diretor de Ensino do Colégio Anchieta, colégio da Inspira Rede de Educadores.

Segundo a TIC Kids Online Brasil 2025, quase dois terços dos internautas brasileiros entre 9 e 17 anos já incorporaram ferramentas de inteligência artificial generativa em suas rotinas, seja para auxiliar nos estudos, criar conteúdo ou até mesmo discutir emoções. O levantamento aponta que 59% das crianças e adolescentes recorrem à tecnologia para pesquisas escolares, enquanto 42% a utilizam para buscar informações, 21% para criar textos e imagens e 10% para conversar sobre questões pessoais. “À medida que a idade avança, o uso da inteligência artificial se torna mais frequente, com maior adesão entre os adolescentes mais velhos, o que reforça a importância da orientação para um uso consciente dessas ferramentas”, ressalta o diretor de ensino do Colégio Anchieta.

Nesse cenário, escolas e famílias passam a compartilhar a responsabilidade de orientar os jovens para um uso consciente e ético da tecnologia. A educação digital emerge como um elemento essencial, incentivando os estudantes a utilizarem a inteligência artificial como ferramenta de apoio, e não como substituta do próprio aprendizado. Além disso, o debate também envolve questões como segurança de dados, exposição online e a confiabilidade das informações geradas por essas plataformas. “Ensinar os adolescentes a questionar resultados, verificar fontes e compreender os limites da tecnologia torna-se parte indispensável da formação acadêmica e cidadã”, destaca Klécius.

Diante da expansão contínua dessas ferramentas, o desafio passa a ser equilibrar inovação e responsabilidade, garantindo que a inteligência artificial atue como aliada no desenvolvimento dos jovens, estimulando a curiosidade, a criatividade e a construção do conhecimento de forma crítica e consciente.

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