
O avanço dos ataques cibernéticos tem redesenhado a forma como empresas em todo o mundo lidam com a segurança digital. Com crimes virtuais movimentando cifras bilionárias e se tornando cada vez mais sofisticados, inclusive com o uso de inteligência artificial para explorar vulnerabilidades, cresce a preocupação das organizações em proteger dados, sistemas e operações.
Dados do Barômetro da Segurança Digital 2025, levantamento realizado pelo Datafolha a pedido da Mastercard e divulgado na última semana, indicam que 78% das empresas brasileiras reconhecem que seus setores estão suscetíveis a fraudes e ataques virtuais. O índice representa um salto em relação a 2022, quando esse percentual era de 64%, evidenciando uma maior percepção de risco por parte do mercado.
Na Bahia e no Nordeste, os efeitos desse cenário já são percebidos. De acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), entre 2020 e 2025, a Bahia registrou crescimento de 11,95% na contratação de seguros de riscos cibernéticos por empresas, enquanto o Nordeste avançou 22,37% no mesmo período, indicando uma ampliação gradual da demanda por proteção contra ameaças digitais.
No recorte mais recente, porém, o avanço é ainda mais expressivo. Ainda segundo a Susep, de 2024 para 2025, a Bahia apresentou alta de 62,61%, e o Nordeste, de 47,88%, refletindo uma aceleração significativa na contratação desse tipo de cobertura, impulsionada pelo aumento dos riscos cibernéticos e pela maior conscientização das empresas sobre a necessidade de proteção.
Apesar do aumento nos investimentos em proteção, os incidentes também têm se tornado mais frequentes. Segundo o Barômetro da Segurança Digital 2025, 12% das empresas relataram ter sofrido ataques recentemente, número superior aos 10% registrados na edição anterior da pesquisa.
Esse cenário tem impulsionado mudanças internas nas organizações. De acordo com a pesquisa citada anteriormente, atualmente, 75% das empresas afirmam contar com uma área ou equipe dedicada à cibersegurança, um crescimento significativo em comparação com 35% em 2022 e 32% em 2021. Além disso, o tema passou a ocupar posição estratégica: em 2025, 53% das instituições tratam a segurança digital como prioridade, frente a 23% em 2023 e 21% em 2021.
Com o aumento da maturidade digital e da percepção de risco, medidas preventivas também ganham espaço. Entre elas, o seguro contra riscos digitais tem se destacado, com forte expansão na região Nordeste, onde a demanda por esse tipo de proteção cresce como resposta direta ao cenário de ameaças cada vez mais complexas.
Segundo Ronaldo Dalcin, Diretor Comercial Regional Nordeste da Tokio Marine, os ataques cibernéticos têm evoluído não apenas em volume, mas também em sofisticação, ampliando o nível de exposição das empresas, independentemente do porte ou setor. “Temos observado, inclusive, um aumento na busca por seguros cibernéticos, impulsionado tanto pelo avanço dessas ameaças quanto pela maior conscientização das organizações sobre seus riscos digitais. Esse tipo de cobertura não substitui os investimentos em segurança da informação, mas complementa a estratégia das empresas ao oferecer suporte especializado e minimizar impactos financeiros em casos de incidentes”, afirma.
Entre as coberturas do seguro de riscos digitais estão despesas relacionadas à resposta a incidentes, como recuperação de dados, investigações forenses, monitoramento de crédito, suporte jurídico, notificações e gestão de crise, incluindo ações de comunicação. A proteção também pode abranger casos de extorsão cibernética e prejuízos decorrentes da interrupção das operações da empresa.
Além disso, o seguro pode incluir coberturas voltadas a eventuais responsabilizações, contemplando custos de defesa, como honorários advocatícios e periciais, custas judiciais e outros encargos legais, bem como indenizações em processos ou acordos previamente autorizados pela seguradora. Em alguns casos, também prevê o acionamento de equipes especializadas para resposta rápida a incidentes.
O que são crimes cibernéticos?
Crimes cibernéticos são ações ilegais realizadas no ambiente digital com o objetivo de invadir sistemas, roubar dados, aplicar fraudes ou causar prejuízos financeiros e operacionais a pessoas e empresas. Entre os exemplos mais comuns estão ataques de ransomware (sequestro de dados), phishing (tentativas de obter informações sigilosas por meio de mensagens falsas) e invasões a sistemas corporativos.
Com a digitalização crescente dos negócios, esse tipo de crime tem se tornado mais frequente e sofisticado, exigindo das empresas não apenas investimentos em tecnologia, mas também estratégias de proteção financeira diante de possíveis incidentes.