quinta, 09 de abril de 2026
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AUTOESTRADA DE R$ 1,5 BI JUNTARÁ TREM E CAMINHÃO NO CEARÁ

João Paulo - 09/04/2026 09:20 - Atualizado 09/04/2026

Dois grandes e importantes empreendimentos mudarão, para muito melhor, a economia cearense no curto prazo – podemos falar nos próximos dois anos. O primeiro será a estrada de ferro de bitola larga (1,60 m) que a Transnordestina Logística S/A (TLSA) está a construir, ligando o Sudeste do Piauí – uma região agrícola produtora de grãos, que cresce em alta velocidade – ao Porto do Pecém, numa extensão de 1.200 quilômetros, dos quais 720 já estão concluídos e em operação comercial. A esse projeto – sobre o qual a coluna falará adiante – juntar-se-á o do Arco Metropolitano, completando a união logística do trem com o caminhão.

O outro empreendimento é o frigorífico que o Grupo Masterboi implantará em Iguatu, na região Centro-Sul do estado, no qual, é o que se anuncia, será investida uma montanha do tamanho de R$ 250 milhões. Este projeto conta com o apoio do governador Elmano de Freitas, que garantiu os recursos para a compra e doação do terreno onde será construída essa unidade industrial, na qual trabalharão entre 750 e 1 mil pessoas cujo recrutamento se dará nos municípios do entorno de Iguatu.

O anúncio da iniciativa do Masterboi, avalizada pelo governo cearense, já provoca uma intensa mobilização da liderança da pecuária local. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Faec), Amilcar Silveira, ladeado por vários pecuaristas, reuniu-se segunda-feira, 6, no Palácio da Abolição, com o governador Elmano de Freitas. As duas partes acertaram uma parceria, por meio da qual, nos próximos dois anos, a contar deste 2026, o capítulo cearense do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-CE), com o apoio do governo estadual, fará um esforço no sentido de que se façam, nesse prazo, 100 mil Fertilizações in Vitro (FIV) nas pequenas, médias e grandes fazendas de criação de boi em todas as regiões do Ceará. Para isso, serão utilizados, como já acontece no Programa FIV da Faec,  embriões de alta qualidade, o que melhorará, em curto tempo, a genética do rebanho de corte da pecuária cearense.

O FIV desenvolve-se há dois anos, com grande sucesso, nas fazendas de criação do Vale do Jaguaribe, Sertão Central e Cariri, mas voltado, principalmente, para a produção leiteira. Se-lo-á, agora, também, para a produção de boi de corte.

Paralelamente às providências da Faec/Senar, grandes e pequenos criadores de boi de corte, já reunidos em um grupo social que tem hoje mais de 800 participantes, trocam ideias a respeito, igualmente, da melhoria do padrão genético de touros e bezerros, quase 100% dos quais de raças zebuínas.

Resumindo: a pecuária do Ceará, se tudo caminhar como está projetado, será outra com a chegada do frigorífico do Masterboi.

Agora, tratemos da Ferrovia Transnordestina e do Arco Metropolitano, este um empreendimento projetado na gestão do governador Cid Gomes para ligar a BR-116, nos limites de Pacajus, ao Porto do Pecém, numa extensão de 100 quilômetros. Será uma estrada de dupla via, com canteiro central, e alguns viadutos sobre rodovias federais e estaduais ao longo do seu caminho. Ela livrará o IV Anel Viário de grande parte do tráfego pesado que, hoje, o torna uma rodovia permanentemente congestionada.

O Arco Metropolitano, com a Transnordestina em rápida construção e com promessa de ficar pronta em dezembro de 2027, juntará os modais rodoviário e ferroviário. Para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) essa junção incrementará a produtividade do agro e, principalmente, da indústria. As fábricas do Distrito Industrial de Maracanaú ficarão a menos de 40 quilômetros do grande Terminal de Cargas que a TLSA implantará na Fazenda Vitória, da família do ex-deputado Ernani Viana, em Maranguape, o que facilitará e barateará sua logística de transporte.

Mas para que se juntem o trem e o caminhão no Terminal rodoferroviário de Maranguape, será necessário que o governo do estado, o atual ou o futuro a ser eleito em outubro, assuma o compromisso de implementar o projeto executivo do Arco Metropolitano, que está elaborado e pronto para licitação.

A implantação do Arco Metropolitano, cujo pavimento terá de ser rígido, ou seja, em concreto, para suportar o peso de caminhões de até 50 toneladas, como sugere o empresário e engenheiro rodoviário Cristiano Maia, exigirá um investimento estimado em R$ 1,5 bilhão, nada que a convergência da bancada federal cearense, na Câmara e no Senado, não consiga viabilizar por meio de emendas parlamentares.

Quem, como este colunista, convive diretamente com os fatos e os atos da economia do Ceará, as informações acima põem luz no futuro próximo da economia estadual, e mais ainda: tudo está à vista no curto prazo.

O faturamento real da indústria de transformação cresceu 4,9% no último mês de fevereiro, como mostram os Indicadores Industriais, divulgados hoje, quarta-feira, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O índice já havia subido 1,3% em janeiro e, agora, acumula alta de 6,2% em relação a dezembro de 2025. A sequência de resultados positivos, porém, não representa a retomada do ritmo de crescimento do setor. Na comparação interanual, considerando o acumulado do primeiro bimestre de 2026 (janeiro e fevereiro) em relação ao mesmo período de 2025, o faturamento industrial caiu 8,5% em 2026, segundo destaca o levantamento.

Marcelos Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explica que “ainda é cedo para apontar uma reversão do quadro negativo visto desde o segundo semestre do ano passado. De acordo com ele, os resultados vistos neste início de ano se explicam mais pela base fraca de comparação do que por uma mudança drástica do cenário de dificuldade que a indústria vem enfrentando.

Os indicadores mais ligados ao mercado de trabalho industrial permaneceram no mesmo lugar em fevereiro. O emprego variou –0,1% em relação a janeiro e acumula queda de 0,4% nos dois primeiros meses de 2026 frente ao mesmo período do ano passado.

 

Foto: Thiago Gadelha / SVM

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