segunda, 13 de abril de 2026
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ENTREVISTA COM HUMBERTO MIRANDA PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO ESTADO DA BAHIA (FAEB)

João Paulo - 13/04/2026 05:00

Bahia Econômica – A Guerra entre Estados Unidos e Irã tem trazido uma serie de consequências como o aumento no preço do diesel e muitas outras. Como esse aumento pode interferir na agricultura baiana?

Humberto Miranda – Nós estamos muito preocupados com a escalada dessa guerra e todos os impactos que ele já trouxe e poderá trazer para a economia e a agropecuária da Bahia. Nós estamos fazendo uma conta média de 5 a 8% de alta nos custos de produção quando você coloca da porteira para dentro. Ou seja, sem colocar o frete de transporte. Isso por que 90% dos insumos que compramos para produzir são importados e tudo aumentou. Quando você coloca o frete, que também subiu muito, esse valor sobe muito. Hoje a maior parte do transporte de carga na Bahia é pelo modal rodoviário. Certeza que em algum momento esse custo será repassado para o produto final o que pode gerar uma inflação alta novamente.

Bahia Econômica – A medida que o governo federal e o governo estadual adotaram para reduzir o preço do diesel através da redução do ICMS pode ajudar?

Humberto Miranda – Com certeza ajuda se ele chegar no produto final, ou seja, na bomba de combustível. Caso essa redução faça o preço final do combustível cair, vai ajudar. As medidas são necessárias no curto prazo, nós da FAEB conversamos com o governo a respeito, mas existem problemas também no médio e no longo prazo que precisam ser tratados.

Bahia Econômica – No médio e longo prazo quais problemas estamos falando ?

Humberto Miranda – A cadeia produtiva no Brasil e na agricultura é quase 90% dependente do mercado internacional. Então em momentos como esses de alta nos preços dos insumos, que pode ocorrer por vários motivos e nesse momento está ocorrendo pela guerra, deixa a produção do país vulnerável e quem sente no final das contas é o consumidor, com a alta de preços. Essa movimentação pode gerar novamente uma alta na inflação. Além disso, nós não estamos falando apenas de inflação. Se esse guerra durar muito tempo, além da produção 2025/2026 que já está sendo afetada, a produção 2026/2027 também pode sofrer e isso vai gerar uma reação em cadeia que gera ainda mais inflação

Bahia Econômica – Qual a solução para isso?

Humberto Miranda –  Nós estamos sempre debatendo com o governo federal e com o governo estadual sobre a questão de investimentos em tecnologia, mineração e outras áreas que diminuam essa dependência do Brasil do mercado internacional. Se a produção não dependesse tanto do mercado internacional hoje nós estaríamos mais tranquilos para produzir. Então a medida é fazer em investimentos em áreas de insumos que possam evitar a dependência da produção do mercado internacional. Outra medida seriam projetos para reduzir o custo Brasil.

Bahia Econômica – Quais os produtos mais afetados por essa guerra na Bahia 

Humberto Miranda – 100% dos produtos são afetados pela guerra. Tantos aqueles ligados a Commodities quanto aqueles da agricultura familiar básica. Claro que ligado as proporções, mas nós temos a produção de milho, soja, café, tudo isso sendo impactado e em breve devem sofrer altas no mercado. Esse processo pode gerar inflação por longos períodos.

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