quinta, 09 de abril de 2026
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MST INICIA MARCHA DE 120 KM NA BAHIA COM 2 MIL PARTICIPANTES ENTRE FEIRA DE SANTANA E SALVADOR

Bruna Carvalho - 09/04/2026 11:35 - Atualizado 09/04/2026

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou, na manhã desta quarta-feira (8), a Marcha Estadual pela Reforma Agrária na Bahia. A mobilização reúne mais de 2 mil pessoas, que partiram de Feira de Santana com destino a Salvador, em um percurso de mais de 120 quilômetros previsto para ocorrer até o dia 17 de abril.

A caminhada ocorre em um contexto simbólico, marcado pelos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, e integra a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária. Com o lema “30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás: por memória, justiça e Reforma Agrária Popular”, o movimento reforça pautas ligadas à democratização do acesso à terra.

Entre os participantes estão lideranças políticas como Éden Valadares, presidente do PT na Bahia; o deputado federal Valmir Assunção (PT-BA); Fabya Reis, ex-secretária de Assistência e Desenvolvimento Social; e Kleber Rosa (PSOL), pré-candidato a deputado estadual.

Durante os dez dias de percurso, estão previstas atividades de formação política, ações de solidariedade e debates sobre a conjuntura nacional e os desafios da reforma agrária.

Simone Souza, da coordenação nacional do MST na Bahia, destacou o simbolismo da mobilização. “Abril é um mês de memória e resistência. Neste 08 de abril iniciamos essa marcha com cerca de 2 mil trabalhadores e trabalhadoras, reafirmando que são 30 anos de impunidade, mas também de resistência. Marchamos por memória, por justiça e pela Reforma Agrária Popular”, afirmou.

Evanildo Costa, também da coordenação do movimento, cobrou ações do governo federal. “É fundamental que o governo federal avance com medidas emergenciais e assente as famílias que hoje vivem debaixo da lona, especialmente nas áreas mais conflituosas, onde seguem ameaçadas pela violência dos fazendeiros”, disse.

Já Isaias Nascimento ressaltou o caráter propositivo da mobilização. “A Reforma Agrária Popular que defendemos aponta para um novo modelo de desenvolvimento, com democratização da terra, respeito aos povos e produção de alimentos saudáveis. É também garantir políticas públicas que assegurem dignidade para quem vive e trabalha no campo”, afirmou.

Sintia Paula destacou o papel educativo da marcha. “Marchar é um processo educativo, é a pedagogia do nosso povo. Marchamos por terra, por escola, por crédito, por moradia digna. Marchamos para que nossa juventude tenha acesso à educação, para acabar com o analfabetismo no campo e na cidade. É um espaço de esperança e de construção coletiva de um projeto de vida digna”, disse.

Além de relembrar o Massacre de Eldorado dos Carajás, a mobilização também denuncia a violência no campo e homenageia ativistas mortos em conflitos agrários.

Foto: Reprodução/Redes sociais

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