

O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã entrou em seu segundo dia nesta quinta-feira (9) sob incertezas e sinais de fragilidade, com redução de ataques diretos entre os dois países, mas escalada da violência em frentes paralelas. No Líbano, o conflito entre Israel e o Hezbollah expôs os limites do acordo. Segundo o New York Times, o ministro da Saúde do Líbano afirmou que o número de mortos nos ataques israelenses de quarta-feira subiu para 203, com mais de mil feridos. Foi o dia mais sangrento da guerra entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, desde a intensificação dos confrontos no mês passado.
Divergência sobre alcance do cessar-fogo
A crise é agravada por versões conflitantes sobre os termos da trégua. O governo iraniano sustenta que o acordo inclui o Líbano e acusa Washington de não cumprir o compromisso. Já a Casa Branca rejeita essa interpretação, alinhando-se à posição de Israel de que o cessar-fogo não se estende ao confronto com o Hezbollah. A tensão diplomática ocorre às vésperas de negociações previstas para começar no sábado, em Islamabad, mediadas pelo Paquistão. Representantes dos Estados Unidos e do Irã devem participar das conversas, embora sinais de desconfiança persistam, inclusive após a exclusão de uma publicação oficial iraniana que mencionava a chegada de sua delegação.
Apesar do cenário instável, o anúncio da trégua teve impacto imediato nos mercados globais. O preço do petróleo recuou, com o barril do tipo Brent fechando a US$ 94,75, embora ainda cerca de 30% acima do nível anterior ao início da guerra.
Estreito de Ormuz segue como ponto crítico
Outro foco de incerteza é o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás. O Irã afirmou que permitiria a passagem de embarcações mediante coordenação militar, mas, até a manhã desta quinta-feira, não havia registro de travessias desde o início do cessar-fogo, segundo dados de monitoramento marítimo. Enquanto isso, o presidente americano, Donald Trump, sinalizou que forças militares dos EUA permanecerão posicionadas na região até que um acordo definitivo seja alcançado, advertindo que, caso contrário, os combates podem retornar em escala ampliada. Mesmo com a redução de ataques diretos entre Irã e Estados Unidos, o segundo dia de cessar-fogo deixa claro que o conflito permanece longe de uma solução estável, com frentes paralelas de combate e interesses divergentes ameaçando a continuidade da trégua.