

Muito comum em treinos de musculação, aulas funcionais e até em protocolos de fisioterapia, o agachamento é um dos exercícios mais conhecidos quando o assunto é fortalecimento muscular. Apesar da popularidade, o movimento ainda gera receio em muitas pessoas, principalmente por causa da crença de que pode prejudicar os joelhos. Mas será que essa preocupação tem fundamento?
Segundo o ortopedista especialista em joelho e trauma do esporte, David Sadigursky, a ideia de que o agachamento faz mal para a articulação é, na maioria das vezes, um mito. De acordo com ele, quando executado corretamente e com o devido preparo muscular, o exercício pode contribuir para a estabilidade e a proteção dos joelhos.
“Muita gente ainda culpa o agachamento pela dor no joelho, mas quase nunca ele é o responsável. O que pesa de verdade é a técnica inadequada, o medo do movimento e um corpo que não foi preparado para algo que precisamos fazer todos os dias”, explica o médico.
David ressalta que o agachamento faz parte dos chamados movimentos funcionais, presentes em diversas atividades cotidianas, como sentar, levantar, subir escadas ou abaixar para pegar um objeto no chão. Por isso, evitar completamente este gesto não costuma ser a melhor alternativa.
“Existem dois tipos de pessoas: aquelas que não se agacham pelo medo de sentir dor e aquelas que não sentem dor porque aprenderam a agachar do jeito certo. A maioria das dores que trato no consultório não veio do agachamento em si, mas da falta de preparo, da técnica errada, da carga mal distribuída e do receio de se movimentar”, afirma.
De acordo com o ortopedista, erros técnicos durante o exercício estão entre os principais fatores que podem gerar sobrecarga na articulação. “Postura incorreta, excesso de peso nos treinos, desalinhamento do corpo e ausência de orientação profissional são alguns dos aspectos que aumentam o risco de desconfortos ou lesões”, informa.
Por outro lado, quando o movimento é realizado com acompanhamento adequado e fortalecimento muscular, o agachamento pode trazer benefícios importantes. “Músculos como quadríceps, glúteos e estabilizadores do quadril ajudam a distribuir melhor as cargas e contribuem para a proteção da articulação”, acrescenta.
“Quando um paciente para de agachar achando que está protegendo o joelho, na verdade ele acaba perdendo força e estabilidade. E ninguém consegue viver sem agachar. É um movimento primitivo do corpo humano. Precisamos dele para atividades simples do dia a dia”, destaca.
Por isso, a orientação do especialista é que o foco esteja no aprendizado correto do movimento e no fortalecimento gradual da musculatura. “O mais importante é ter acompanhamento profissional adequado. Assim, conseguimos manter os movimentos naturais do corpo, incluindo o agachamento, com qualidade, segurança e sem dor”, conclui David Sadigursky.
Mais informações: https://www.instagram.com/drdavidsadigursky/



