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NÚMERO DE COMÉRCIOS ONLINE NO BRASIL ENCOLHE PELA PRIMEIRA VEZ EM MAIS DE UMA DÉCADA

João Paulo - 26/03/2025 05:00 - Atualizado 26/03/2026

 

A BigDataCorp divulgou a 11ª edição do estudo Perfil do E-Commerce Brasileiro, revelando que o comércio eletrônico nacional entrou, pela primeira vez em sua série histórica, em uma fase clara de maturidade e consolidação. Após atingir o pico de 2,24 milhões de lojas online em 2024, o número caiu para 2,1 milhões em 2026, movimento inédito que indica uma mudança estrutural no setor e sinaliza que o crescimento deixa de ser quantitativo e passa a ser qualitativo.

Nas duas últimas medições, o levantamento registrou queda no total de operações, algo que não ocorria desde o início da série histórica, em 2014, evidenciando que o mercado passa por um ajuste natural após anos de expansão acelerada. Esse comportamento indica que o setor está mais seletivo, mais profissionalizado e com maior exigência operacional para que as lojas permaneçam ativas.

O cenário aponta para um ambiente mais competitivo, onde sobrevivem as operações mais preparadas em tecnologia, marketing e gestão. O estudo mostra que a consolidação não representa retração, mas sim consolidação do ecossistema digital brasileiro. “Pela primeira vez observamos o e-commerce brasileiro deixando de crescer em volume de lojas e passando a evoluir em qualidade das operações. Isso mostra que o setor entrou definitivamente em uma fase de maturidade”, afirma Thoran Rodrigues, CEO da BigDataCorp.

Concentração geográfica e digitalização das operações na última década

Em dez anos, o e-commerce brasileiro se tornou mais digital, menos dependente de estrutura física e muito mais concentrado geograficamente. Em 2016, 13,46% das lojas virtuais possuíam também uma loja física, enquanto em 2026 esse número caiu para 6,34%, indicando que a proporção de operações puramente digitais praticamente dobrou ao longo da década.

Ao mesmo tempo, a distribuição geográfica das lojas também passou por transformação significativa, com uma concentração cada vez maior nos estados que já lideravam o setor. São Paulo amplia sua liderança e passa a representar 57,86% de todas as lojas virtuais do país, reforçando sua centralidade no comércio eletrônico nacional. Minas Gerais aparece com 6,32% e Rio de Janeiro com 6,05%, mantendo o eixo Sudeste como principal polo do e-commerce. Estados do Sul também ampliam sua participação, com Paraná atingindo 5,06%, Rio Grande do Sul 4,37% e Santa Catarina 4,03%. Fora desse eixo, Goiás (2,62%) e Bahia (1,97%) apresentam as maiores presenças relativas, mostrando que o crescimento fora dos grandes centros ocorre de forma mais gradual.

Mudança no perfil de preço dos produtos vendidos

O perfil dos produtos vendidos também revela uma transformação relevante na última década, mostrando que o e-commerce brasileiro se consolidou como um canal voltado a produtos de baixo ticket e alto giro.

Em 2016, 75,99% das lojas vendiam majoritariamente produtos abaixo de R$100, enquanto em 2026 esse número sobe para 78,88%, ampliando ainda mais essa característica. No sentido oposto, as lojas cujo mix principal era composto por produtos acima de R$1.000 representavam 12% em 2016 e passam para 8,66% em 2026, indicando redução proporcional significativa. Esses dados mostram que, ao longo do tempo, o comércio eletrônico reforçou sua vocação para volume, recorrência e preços mais acessíveis ao consumidor.

O movimento também sugere que a estratégia das lojas passa menos por produtos de alto valor unitário e mais por frequência de compra. A evolução histórica reforça que o e-commerce se especializou em categorias de maior giro e menor ticket médio. Essa tendência se mantém estável mesmo com a maturidade do setor e a consolidação das operações.

Crescimento do uso de marketplaces como canal de venda

A presença em marketplaces também passou por uma transformação marcante ao longo dos últimos anos, indicando que as lojas passaram a diversificar seus canais de venda. Em 2019, 96% das lojas não utilizavam nenhum marketplace como canal comercial, demonstrando que essa prática era pouco difundida no setor.

Em 2023, esse número cai para 85,18%, mostrando uma adesão crescente a esses ambientes de venda. A participação de lojas presentes em dois marketplaces sobe de 0,43% em 2019 para 8,31% em 2023, um crescimento expressivo em poucos anos. Já as lojas presentes em mais de cinco marketplaces passaram de praticamente inexistentes, com 0,0038%, para 2,31% no mesmo período.

Esses dados mostram que os marketplaces deixaram de ser canais complementares e passaram a integrar a estratégia de distribuição das operações digitais. O movimento indica uma busca maior por alcance, diversificação e ampliação da presença comercial. A evolução mostra que o e-commerce brasileiro se tornou mais multicanal e menos dependente apenas do site próprio.

Predominância de pequenos empreendedores e operações de nicho

A força do micro e pequeno empreendedorismo segue sendo uma característica central do setor, mesmo após a fase de consolidação observada nas últimas medições. Empresas com faturamento de até R$5 milhões por ano representam 86% do mercado, mostrando que o e-commerce continua sendo a principal porta de entrada para novos negócios no Brasil.

Além disso, quase 74% das lojas recebem menos de 10 mil visitantes por mês, o que reforça a presença de operações de pequeno porte e altamente segmentadas. Esses números indicam que, mesmo com a concentração geográfica e a redução no número total de lojas, o perfil das operações permanece pulverizado em termos de audiência. O dado também sugere que a maior parte do mercado é formada por lojas de nicho, com públicos específicos e atuação direcionada.

A característica mostra que o e-commerce brasileiro mantém sua base fortemente apoiada no pequeno empreendedor. Esse cenário permanece consistente ao longo da série histórica do estudo.

Retomada da hospedagem local e mudanças na infraestrutura

A infraestrutura tecnológica também apresenta mudanças relevantes ao longo do tempo, especialmente no que diz respeito à hospedagem dos sites. Em 2024, apenas 14% das lojas estavam hospedadas em servidores localizados no Brasil, representando o menor patamar da série recente.

Nas medições seguintes, esse número volta a crescer, indicando uma retomada da utilização de infraestrutura nacional. O dado mostra que a localização da hospedagem volta a ganhar relevância dentro da estratégia das operações digitais. A evolução sugere que o tema passou a ter maior importância nos últimos anos, acompanhando a maturidade do setor. A série histórica mostra que esse comportamento não era observado com a mesma intensidade anteriormente.

A mudança ocorre paralelamente ao amadurecimento das lojas e da estrutura tecnológica disponível no país. O indicador passa a fazer parte do cenário de transformação estrutural do e-commerce brasileiro.

Ascensão do vídeo como principal formato de comunicação

O comportamento das lojas nas redes sociais também passou por mudanças significativas, mostrando a ascensão do vídeo como principal formato de comunicação. O TikTok está presente em 25% das lojas, praticamente empatado com o Instagram, que aparece em 27% delas.

O YouTube está presente em mais de 30% dos e-commerces, consolidando o vídeo como canal predominante de divulgação. Esses números mostram que a estratégia de marketing das lojas evoluiu ao longo do tempo, incorporando novas plataformas e formatos. A presença dessas redes indica que o relacionamento com o consumidor se tornou mais visual e dinâmico. O dado mostra uma mudança clara na forma como as lojas se comunicam com seus públicos.

A evolução acompanha a transformação do comportamento digital dos consumidores. O vídeo passa a ocupar posição central na estratégia de marketing das operações.

Segurança digital avança enquanto acessibilidade permanece desafio

Os indicadores de segurança e acessibilidade mostram comportamentos distintos ao longo da série histórica do estudo. Quase 90% das lojas operam com certificado SSL, indicando um avanço significativo na segurança digital do setor. Por outro lado, 97% dos sites ainda apresentam falhas de acessibilidade, revelando um desafio persistente para as operações.

O contraste entre os dois dados mostra que, enquanto a segurança evoluiu de forma consistente, a experiência do usuário ainda apresenta gargalos importantes. A série histórica indica que a adoção de SSL cresceu rapidamente ao longo dos anos.

Já a acessibilidade permanece como um ponto de atenção relevante dentro do ecossistema digital. O cenário mostra que ainda há espaço significativo para melhorias na experiência dos consumidores.

“Os dados mostram que o desafio do e-commerce brasileiro deixou de ser crescer em quantidade e passou a ser evoluir em qualidade, estrutura e governança”, conclui Thoran Rodrigues.

Metodologia

O levantamento monitora desde o volume de sites ativos até perfis societários, tecnológicos e comportamentais. Todas as informações usadas para análise são de fontes públicas. Os dados completos do estudo podem ser consultados ao clicar neste link

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 Sobre a BigDataCorp

A BigDataCorp é a maior datatech da América Latina. Líder no mercado, opera um dos maiores processos de coleta e estruturação de dados do mundo, capturando informações públicas de mais de 1,5 bilhão de fontes globalmente. São mais de 100 petabytes de informação tratadas diariamente para atender empresas de todos os segmentos e portes. Para auxiliar nas mais diferentes demandas, os dados capturados são disponibilizados através de uma Plataforma de Dados, que reúne milhares de informações sobre pessoas, empresas e produtos, e que pode ser facilmente integrada com qualquer processo operacional. A empresa oferece ainda dois aplicativos construídos sobre a plataforma para resolver problemas específicos: o BigID, um produto completo de validação de identidade e prevenção à fraude; e o BigMarket, que entrega índices econômicos e estudos de mercado através de dados alternativos. A BigDataCorp é brasileira, foi fundada em 2013 e possui escritórios no Rio de Janeiro, onde está localizada sua sede, e em São Paulo.

 

 

 

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